Por que Catherine mata homens em Fúria? O passado da serial killer explicado

Os crimes de Catherine seguem uma lógica ligada aos abusos que ela sofreu na adolescência e à morte nunca esclarecida de Isabel Luna

Catherine

Catherine mata homens em Fúria porque transformou os abusos sofridos na adolescência e a morte de Isabel Luna em uma campanha de vingança. Ela não escolhe desconhecidos ao acaso. Seus principais alvos são homens que a exploraram sexualmente, participaram da rede que atingiu as duas garotas ou souberam dos crimes e ajudaram a mantê-los escondidos.

Interpretada por Lola Petticrew, a serial killer se aproxima das vítimas por meio de identidades falsas e de uma intimidade cuidadosamente fabricada. A própria descrição oficial do Disney+ define Catherine como calma, camaleônica e calculista. Em vários crimes, ela usa fentanil para simular uma overdose e dificultar a investigação.

Lola Petticrew como Catherine na série Fúria
Lola Petticrew interpreta Catherine, a serial killer perseguida pelo FBI em Fúria. Imagem: Disney+

Por que Catherine mata homens em Fúria?

O caso mais claro é o de Oliver Charles. Quando tinha apenas 15 anos, Catherine era explorada em um falso salão de massagens e Oliver pagou para ter relações sexuais com ela. Anos depois, ele tenta alegar que não sabia sua idade, mas Catherine deixa claro que o homem sequer se preocupou em perguntar. Para ela, Oliver não é apenas mais uma peça da rede: é um de seus abusadores.

Adrian Murado também está no centro dessa história. Ele era um traficante sexual ligado ao local onde Catherine foi explorada e ainda mantinha uma relação com Isabel quando a adolescente deixou o abrigo. Sua morte, inicialmente tratada como overdose, apresenta o mesmo padrão encontrado depois no apartamento de Caleb Easton.

Caleb, por sua vez, pertence à poderosa família Easton. Uma fotografia antiga mostra ele, Oliver e o bilionário Jay Easton ao lado de Catherine e Isabel. O carro de Caleb também aparece entre as pistas da investigação. Até o sexto episódio, porém, a série ainda não explicou a participação individual dele com a mesma clareza usada no caso de Oliver. O que está confirmado é que Catherine o considera parte do círculo responsável pela exploração das garotas.

Já Hal, advogado dos Easton, é morto por ter escolhido o silêncio. Ele reuniu durante anos fotos, vídeos e documentos capazes de comprometer Jay, mas não usou o material para impedir os abusos. Ao interrogá-lo, Catherine pergunta qual deveria ser a punição de quem sabe que crianças estão sendo violentadas e simplesmente não faz nada. A resposta dela vem na forma de mais um assassinato.

O tiro contra Marshall no episódio 6 segue uma lógica parecida, embora ele não fizesse parte da lista original. Catherine vê o policial agredindo Alice, descobre que ele é o ex-companheiro abusivo descrito pela agente e intervém. Ela atira para interromper o ataque, mas o capítulo termina com Marshall ainda vivo. Portanto, não é correto afirmar que ele morreu.

Isso também não significa que Catherine odeie ou mate todos os homens. Sua relação com Alden demonstra afeto verdadeiro ou, no mínimo, muito diferente do comportamento adotado com os alvos. Além disso, ela mata Becky para proteger a própria identidade. A exceção deixa claro que sua violência nasceu de uma vingança específica, mas já ultrapassou qualquer código moral simples.

Imagem promocional da série Fúria do Disney Plus
Fúria transforma a caçada de Alice por Catherine em um conflito entre justiça e vingança. Imagem: Disney+

O que aconteceu com Catherine e Isabel no passado?

Catherine teve uma infância marcada pelo abandono. A mãe saiu de sua vida quando ela ainda era pequena, enquanto o pai, responsável por criá-la, morreu de overdose. A garota acabou em Bright Fields, um abrigo onde era considerada estranha e sofria com a rejeição das outras jovens.

Foi Isabel quem passou a protegê-la. Catherine se apegou tanto à amiga que provocava problemas nas famílias temporárias para ser devolvida ao abrigo e continuar perto dela. No episódio 5, ela finalmente admite que estava apaixonada por Isabel. A bolsa brilhante que carrega e vários dos objetos decorados com adesivos também preservam lembranças dessa relação.

A situação mudou quando Isabel deixou Bright Fields aos 14 anos, possivelmente grávida, e se aproximou de Adrian. Catherine também caiu na rede de exploração e foi vista tentando fugir dele. As pistas reunidas por Alice colocam as duas adolescentes no mesmo círculo de Oliver, Caleb e Jay Easton.

Em 2012, Isabel foi encontrada morta, com o rosto destruído, e permaneceu por anos identificada apenas como Jane Doe. A investigação foi encerrada rapidamente. Nora acredita que Ed George protegeu Jay Easton em troca da ajuda que o bilionário havia dado à carreira dele, mais um motivo para Catherine não confiar que a Justiça será capaz de responsabilizar os homens envolvidos.

Mesmo assim, ainda existe uma lacuna importante. Catherine se lembra de ter ido à casa de Jay com Isabel, mas não consegue reconstruir o que ocorreu entre a chegada ao local e a morte da amiga. Ela sofre episódios de dissociação e perda da noção do tempo. Por isso, embora esteja convencida de que Jay tem responsabilidade e possua provas de seus crimes contra garotas, Fúria ainda não confirmou quem matou Isabel nem o que Catherine presenciou naquela noite.

A existência de Elena, filha de Isabel, tornou a busca ainda mais pessoal. Catherine não conseguiu oferecer uma vida estável à jovem, mas prometeu descobrir quem matou sua mãe. Vingar Isabel, proteger Elena e punir uma rede que permaneceu intocável passaram a fazer parte da mesma missão.

É esse passado que explica Catherine sem inocentá-la. Enquanto Alice ainda tenta encontrar justiça dentro das instituições, a serial killer decidiu que nenhum sistema viria salvá-la. Como já destacamos ao explicar por que Fúria está entre os melhores suspenses do Disney+, a força da série está justamente em mostrar duas sobreviventes que respondem à violência de maneiras opostas.

No fim, Catherine mata por vingança, culpa e uma ideia própria de justiça. Seus alvos foram escolhidos por ligações concretas com o passado, mas seus métodos também a transformaram em autora de novas violências. A série não pede que o público absolva a personagem. Ela mostra como os homens e as instituições que deveriam ter protegido duas adolescentes ajudaram a criar a assassina que agora tentam deter.


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