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Silent Hill 2 Remake: quais os filmes e séries que inspiraram o game?

Silent Hill 2 Remake é um dos grandes jogos de 2024 que provou que alguns remakes são definitivamente necessários para atualizar os...

Deco Campos Deco Campos há 1 ano
Nota N/A

Leitura crítica

Silent Hill 2 Remake é um dos grandes jogos de 2024 que provou que alguns remakes são definitivamente necessários para atualizar os...

Silent Hill 2 Remake é um dos grandes jogos de 2024 que provou que alguns remakes são definitivamente necessários para atualizar os clássicos que marcaram a cultura pop quando o Playstation ainda engatinhava, mas encantava muitas pessoas.

O game original foi lançado em 2001 e impactou muitos jogadores por ter uma narrativa simbolista e com um final que é revelador e, ao mesmo tempo, inacreditável.

Não seria exagero dizer que Silent Hill 2 tenha uma das melhores narrativas da história dos videogames. Isso se deve muito pelo simbolismo presente na obra: para tratar temas pesados, o game recorre à símbolos que apresentam significados mais profundos do que a superfície de sua estrutura expositiva aparenta.

A narrativa que conta a história de um marido que, inesperadamente, recebe uma carta da esposa já falecida, há cerca de três anos, convidando-o a procurá-la em um dos seus lugares preferidos na cidadezinha de Silent Hill, pode enganar muita gente.  

A proposta, aqui, não é nos apresentar, mais uma vez, a história romantizada do herói que sai em busca da donzela em perigo.

Silent Hill 2 quer nos contar um segredo dilacerante, trágico e que será muito difícil de digerir depois de viver toda a história do game.

É uma história em que o amor e a desolação se misturam na névoa densa de Silent Hill 2 (e, aqui, vai um pedido desesperado ao jogador de Silent Hill no PC: evite o mod que tira a neblina da cidade, porque ela é um elemento crucial do jogo).

O simbolismo de Silent Hill: literatura, TV e cinema

Toda a sua estrutura narrativa é inspirada na literatura, obras do cinema e da televisão.

Conhecê-las e, mais do que isso, consumi-las ajudam a enriquecer a compreensão do folclore por trás de Silent Hill II e  dá mais profundidade à interpretação do jogo e de seus segredos.

Chamar Silent Hill 2 de uma obra lynchniana é tão justo quanto necessário – e você entenderá o porquê mais adiante.

Mas vamos ao que interessa, sem mais delongas.

Literatura e cinema inspirando Silent Hill 2

O nevoeiro, de Stephen King

Um dos contos mais famosos de Stephen King é, talvez, a inspiração mais óbvia em Silent Hill. Na obra literária, reunida e publicada no Brasil no compilado “Tripulação de Esqueletos”, pela editora Suma (1985), uma cidadezinha do interior da Pensilvânia, Donora, é invadida por uma espessa névoa que esconde criaturas monstruosas que pegam de surpresa a população.

Para tentar fugir delas, é preciso prestar atenção no rádio, que informa a proximidade das monstruosidades ao transmitir estática, mais forte à medida que elas estão mais perto.

E, como é comum, esse conto diz mais sobre os seres humanos do que o sobrenatural abordado tantas vezes por Stephen King.

É toda essa estrutura em que se desenvolve o gameplay de Silent Hill 2: a neblina, o rádio, os monstros, a confusão mental, o esquecimento… há toda um significado maior escondido por trás dessas estruturas expositivas que vão tecendo uma teia para a nossa interpretação.

Então é por isso que, como lá atrás, há a advertência para não tirarem a neblina da ambientação do game.

A balada do soldado com TEPT e David Lynch

A narrativa do game também recebe forte influência do cinema para contar a história de James Sunderland. Um dos filmes que se tornaram a grande fonte de inspiração é Alucinações do Passado (Jacob’s Ladder, 1990), do diretor Adryan Lyne.

Nele, o protagonista Jacob (Tim Robbins), um ex-soldado que enfrentou os horrores da guerra, é aterrorizado por presenças demoníacas e sua sanidade é colocada à prova quando ninguém mais vê as tais manifestações aterrorizantes – seriam elas frutos do chamado Transtorno de Estresse Pós-Traumático pelos horrores vividos por Jacob ou os demônios existem mesmo?

Mas é com a obra de David Lynch que há um paralelo artístico de construção narrativa em toda a cinematografia de Silent Hill 2. E o correlato está no emprego do simbolismo como técnica de construção narrativa que é sempre muito peculiar a David Lynch.

O diretor de filmes como Cidade dos Sonhos, Império dos Sonhos e Veludo Azul tem uma cinematografia icônica e um estilo próprio de contar histórias no cinema. Seu simbolismo é sempre apoiado na estrutura do surrealismo, com influências marcantes de diretores como Ingmar Bergman e Luis Buñuel, Lynch desenvolveu sua própria técnica simbólica para filmar.

Duas obras estão entre os pilares inspiradores de Silent Hill 2: A Estrada Perdida (1997) e a série de TV Twin Peaks (1990 – 2017), um fenômeno da TV mundial.

A Estrada Perdida, por sua vez, conta a história de Fred Madison (Bill Pullman), um jovem e promissor saxfonista que é confrontado pelo absurdo: durante uma festa, numa noite, um homem que está a sua frente diz que, na verdade, está em sua casa e ele poderá comprovar isso ligando para lá.

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Cartaz promocional de A Estrada Perdida/ divulgação

Fred liga para sua residência e o homem com quem acabou de falar é quem atende: isso dá início a uma das histórias mais surreais do cinema, que envolvem amor, traição, ciúme e assassinato.

A interpretação desse grande filme de David Lynch é crucial para entender um pouco sobre os motivos da loucura de James Sunderland em Silent Hill 2.

Já Twin Peaks também fala sobre a tentativa de um homem, Dale Cooper, em investigar a morte da aparentemente normal Laura Palmer – e, depois, tentar resgatá-la do passado para que ela não morra.

É uma série na qual a base de sua estrutura narrativa está sempre tocando a realidade, o sonho o delírio e, mais do que a pergunta “que sonho é este”, o que deve ser indagado é “quem é o sonhador”.

Twin Peaks também teve influência poderosa em outro game de horror que fez sucesso há pouco tempo: Alan Wake.

São obras sensacionais que vão enriquecer muito a interpretação do jogador que passar por Silent Hill e quer mais evidências da razão pela qual James Sunderland é atraído pela cidade e sua fixação pelo Pyramid Head e outras monstruosidades.

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