O final de The Tudors mostra que a série não encerra a história com a morte de Henrique VIII em cena. Em vez disso, o rei se despede da família, encara visões de três antigas esposas e aprova um retrato idealizado, numa tentativa final de controlar como será lembrado depois de sua morte.
As quatro temporadas de The Tudors têm estreia prevista no catálogo brasileiro da Netflix em 4 de agosto. A página oficial da produção já pode ser encontrada no serviço, embora, até 31 de julho, ainda informasse que o título não estava disponível no país.
A série criada por Michael Hirst acompanha diferentes momentos do reinado de Henrique VIII, interpretado por Jonathan Rhys Meyers. O elenco também inclui Henry Cavill, Natalie Dormer, Maria Doyle Kennedy, Annabelle Wallis, Sarah Bolger e Joely Richardson.
O que acontece no último episódio de The Tudors?
O episódio final, chamado “Death of a Monarchy”, acompanha um Henrique VIII envelhecido, debilitado e cada vez mais consciente de que sua vida está terminando. A própria descrição oficial do Paramount+ apresenta o capítulo como o momento em que o monarca derrota seu último adversário antes de encarar a própria mortalidade.
Antes do desfecho, Henrique determina como o reino deverá ser governado durante a infância de seu filho Edward. O conde de Hertford, Edward Seymour, é escolhido para assumir uma posição central na proteção do jovem herdeiro.

O rei também se despede de Catherine Parr, Mary, Elizabeth e Edward. Ele pede que as duas filhas mais velhas cuidem do irmão e deixa definido que Mary e Elizabeth deverão integrar a sucessão caso o menino não tenha descendentes.
Paralelamente, Henrique perde Charles Brandon, duque de Suffolk e um de seus amigos mais antigos. A despedida entre os dois reforça a sensação de que o mundo construído pelo rei ao longo da série está desaparecendo. O último episódio apresenta justamente a morte de Brandon e o declínio de pessoas próximas como sinais da aproximação do fim do reinado.
Quem são as mulheres que aparecem para Henrique VIII?
Já isolado, Henrique passa a receber visitas ou visões de três antigas esposas: Catarina de Aragão, Ana Bolena e Jane Seymour. A série não esclarece definitivamente se elas são fantasmas ou manifestações da culpa e da mente debilitada do rei.
As três não foram escolhidas por acaso. Cada uma é mãe de um dos filhos sobreviventes de Henrique: Catarina é mãe de Mary, Ana é mãe de Elizabeth e Jane é mãe de Edward.
Catarina de Aragão

Catarina confronta Henrique pelo sofrimento que ela e Mary enfrentaram depois que o rei decidiu anular o casamento. Ela lamenta que a filha não tenha recebido a vida familiar e a posição que, em sua visão, merecia.
A aparição recupera uma das maiores injustiças apresentadas nas primeiras temporadas. Para se casar com Ana Bolena, Henrique afastou Catarina da corte, rompeu a convivência entre mãe e filha e alterou profundamente a estrutura religiosa da Inglaterra.
Ana Bolena

Ana reafirma sua inocência diante das acusações que levaram à sua condenação. Ela também demonstra orgulho por Elizabeth e sugere que a filha possui qualidades que o próprio Henrique nunca compreendeu completamente.
A personagem ainda recorda o destino de Catherine Howard, sua prima, que também foi condenada durante o reinado de Henrique. A cena estabelece uma ligação entre as mulheres descartadas pelo rei e mostra que suas decisões continuavam a persegui-lo.
Jane Seymour

Jane questiona a forma como Edward foi mantido afastado e protegido excessivamente. Em seguida, afirma que o menino morrerá jovem, destruindo a esperança de Henrique de estabelecer uma longa sucessão masculina.
A previsão se confirma historicamente. Edward VI tornou-se rei aos nove anos depois da morte do pai, mas morreu em 1553, aos 15 anos, após um reinado conduzido principalmente por regentes.
As aparições não oferecem uma absolvição ao protagonista. Elas funcionam como um julgamento particular, no qual Henrique é obrigado a ouvir as pessoas que foram diretamente atingidas por suas escolhas.
Henrique VIII morre no final de The Tudors?
A morte de Henrique VIII não é mostrada diretamente. A série termina pouco antes dela, deixando o acontecimento histórico fora da tela.
Depois de se despedir da família e enfrentar as visões das antigas esposas, o rei observa o último retrato produzido por Hans Holbein. A pintura apresenta um Henrique forte, imponente e saudável, muito diferente do homem debilitado visto naquele momento da história.
Ao aprovar a obra, Henrique escolhe a versão de si mesmo que deseja deixar para as gerações seguintes. O corpo envelheceu e perdeu força, mas a imagem pública continuará associada a autoridade, riqueza e poder.

O retrato representa, portanto, a última tentativa do protagonista de dominar a narrativa. Ele não pode impedir a morte, mudar o destino dos filhos ou desfazer o sofrimento provocado durante o reinado. Ainda assim, pode decidir qual imagem será preservada.
A conclusão também transforma o quadro em uma espécie de espelho invertido. O público vê simultaneamente o governante idealizado pela pintura e o homem fragilizado que existe diante dela.
O que acontece depois do final da série?
Na história real, Henrique VIII morreu em Londres em 28 de janeiro de 1547. Seu único filho homem sobrevivente, Edward, tornou-se rei, enquanto Edward Seymour assumiu como Lorde Protetor durante a menoridade do garoto.
Edward VI morreu em 1553. Uma tentativa de entregar a Coroa a Lady Jane Grey durou apenas nove dias, até que Mary reuniu apoio suficiente para assumir o trono.
Mary I reinou entre 1553 e 1558, sem deixar herdeiros. Após sua morte, Elizabeth assumiu a Coroa e permaneceu no poder por 45 anos, tornando-se a última monarca da dinastia Tudor.
A ironia central é que Henrique passou boa parte da vida tentando garantir a continuidade da família por meio de um herdeiro homem. No entanto, Edward teve um reinado curto, enquanto Elizabeth, filha de Ana Bolena, acabou se tornando a figura mais duradoura entre seus sucessores.
Por que The Tudors termina antes da morte do rei?
O objetivo do capítulo não é reconstruir os últimos instantes de Henrique VIII, mas concluir sua trajetória emocional e política.
Quando ele aprova o retrato, a série já respondeu à questão principal: o homem morrerá, mas a imagem do rei permanecerá. Ao mesmo tempo, as visitas das antigas esposas deixam claro que essa imagem pública não apaga as consequências de suas decisões.
O título “Morte de uma Monarquia” também não significa o fim imediato da família Tudor. Edward, Mary e Elizabeth ainda governariam a Inglaterra. A expressão representa o encerramento do mundo particular de Henrique e da estrutura de poder construída ao redor dele.
Assim, The Tudors termina com uma vitória apenas aparente. Henrique consegue preservar o retrato de um soberano invencível, mas o público já conhece tudo o que existe por trás daquela pintura.
A newsletter do Game Overdrive
Análises, lançamentos e as melhores ofertas de games no seu e-mail. Toda semana, sem spam.


Comentários