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Existe um serial killer em São Paulo? Tudo que se sabe sobre os corpos encontrados em sacos

Cinco cadáveres encontrados em menos de um mês deram origem à teoria nas redes, mas o DHPP afirma que não há evidência de um único assassino

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Cinco cadáveres encontrados em menos de um mês deram origem à teoria nas redes, mas o DHPP afirma que não há evidência de um único assassino
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Existe um serial killer agindo em São Paulo? A pergunta começou a circular com força nas redes sociais depois que pelo menos cinco corpos foram encontrados em diferentes regiões da capital paulista entre 5 de setembro e 2 de outubro de 2026. Alguns estavam dentro de sacos plásticos, outros amarrados ou envolvidos em cobertores.

Apesar da sequência de casos e das semelhanças apontadas por internautas, a Polícia Civil não confirma a existência de um serial killer em São Paulo. Pelo contrário: a atualização mais recente do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), divulgada nesta quarta-feira (7), indica que as ocorrências apresentam diferenças de local, dinâmica e método e, até agora, não existem elementos que demonstrem uma única autoria.

Isso significa que os homicídios são reais e estão sendo investigados, mas a ideia de que todos teriam sido cometidos pela mesma pessoa continua sendo apenas uma hipótese levantada nas redes sociais.

Viaturas da Polícia Civil de São Paulo durante operação
Polícia Civil investiga individualmente os homicídios associados nas redes à teoria de um serial killer — Foto: Divulgação/Governo de SP

Por que começaram a falar em um serial killer em São Paulo?

A teoria ganhou força principalmente depois que usuários das redes sociais começaram a reunir notícias sobre cadáveres encontrados em sacos, cobertores ou materiais semelhantes em diferentes regiões da capital.

Uma reportagem do Metrópoles contabilizou cinco corpos encontrados em um intervalo de 28 dias, entre setembro e outubro.

O fato de várias vítimas terem sido abandonadas embaladas ou amarradas fez surgir a suspeita de um possível padrão. Esse detalhe, entretanto, não é suficiente para estabelecer um modus operandi comum.

Segundo informações atribuídas ao DHPP pela TMC, colocar um corpo dentro de um saco ou envolvê-lo em tecido pode estar relacionado simplesmente à tentativa de transportar ou ocultar o cadáver.

Quais são os casos ligados à teoria do serial killer de SP?

Os cinco achados que passaram a ser reunidos nas redes ocorreram nas zonas Sul, Leste e Norte de São Paulo. Eles não aconteceram todos da mesma maneira.

5 de setembro: corpo ensacado no Jabaquara

O primeiro caso da sequência que viralizou ocorreu na manhã de 5 de setembro.

Garis trabalhavam na Rua Contos Gauchescos, no Jabaquara, zona sul da capital, quando encontraram um cadáver dentro de um saco plástico preto. O corpo estava amarrado e havia sido abandonado em um canto da via.

A ocorrência foi registrada no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino. Nas informações divulgadas inicialmente, a vítima não havia sido identificada e a causa da morte ainda não era conhecida.

O caso foi noticiado originalmente pelo Metrópoles.

10 de setembro: dois corpos encontrados na zona leste

Cinco dias depois, dois cadáveres foram encontrados na zona leste de São Paulo em menos de 24 horas. Os pontos ficavam a aproximadamente três quilômetros de distância.

Um deles foi localizado em um terreno baldio da Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia. A vítima estava amarrada, envolvida por um cobertor e com a cabeça coberta por sacos plásticos.

A chuva dificultou a análise inicial da cena e não foi possível verificar imediatamente o sexo da vítima ou eventuais ferimentos.

O segundo caso ocorreu na Rua Osmano Ungaretti. Tratava-se de uma mulher encontrada enrolada em um cobertor e dentro de um saco plástico. Segundo a Polícia Militar, ela apresentava ferimento causado por disparo de arma de fogo.

Os dois registros ficaram sob responsabilidade do 53º Distrito Policial, no Parque do Carmo. Naquele momento, a polícia já ressaltava que não havia confirmação de relação entre os homicídios.

19 de setembro: corpo esquartejado no Jaçanã

O quarto caso é justamente um dos que mais enfraquecem a ideia de que todos os crimes seguem o mesmo padrão.

Em 19 de setembro, policiais encontraram partes de um corpo masculino dentro de sacolas plásticas em uma área de difícil acesso na Rua Antônio Nascente, no Jaçanã, zona norte.

O corpo havia sido esquartejado. Durante as buscas, policiais e bombeiros precisaram descer um barranco usando técnicas de rapel. Também foram localizados roupas e uma faca.

Uma familiar apontou a vítima como Murilo Sanches dos Santos, que estava desaparecido. Posteriormente, segundo o Metrópoles, a polícia confirmou a identificação.

A investigação foi encaminhada ao 73º Distrito Policial. Veja os detalhes da ocorrência no Jaçanã.

Perita registra evidências durante trabalho da Polícia Civil em São Paulo
Análise de vestígios e perícia são fundamentais para determinar se crimes diferentes possuem conexão — Foto: Divulgação/Governo de SP

2 de outubro: homem encontrado perto do CT do Corinthians

O caso mais recente da sequência ocorreu em 2 de outubro, no Parque Ecológico do Tietê, próximo ao CT Joaquim Grava, do Corinthians, na zona leste.

Um homem foi encontrado dentro de um grande saco plástico em uma área próxima à ciclovia da Via Parque.

Segundo as informações divulgadas pela polícia, a vítima estava com braços e pernas amarrados com fita adesiva. Ela vestia camiseta vermelha e calça de moletom cinza.

Peritos identificaram indícios de morte violenta, e o caso passou a ser investigado como homicídio pelo DHPP. Até a divulgação inicial, o homem ainda não havia sido identificado.

A ocorrência pode ser consultada na reportagem publicada após a localização do corpo.

A polícia acredita que exista um serial killer?

Até 7 de outubro de 2026, não.

A posição mais recente atribuída ao DHPP é que não foram encontrados elementos capazes de demonstrar que os homicídios tenham relação entre si ou tenham sido praticados pela mesma pessoa.

As ocorrências aconteceram em regiões diferentes e apresentam dinâmicas distintas. Há vítima baleada, um caso de esquartejamento e outros em que a causa da morte ainda precisava ser determinada.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, delegado Nico Gonçalves, já havia afirmado que era cedo para relacionar os casos ou falar na atuação de um serial killer.

Em atualização publicada nesta quarta-feira, a TMC informou que o DHPP não vê, até agora, evidências de uma mesma autoria.

O que os crimes realmente têm em comum?

O principal ponto que aproximou os casos nas redes sociais é a forma como os cadáveres foram ocultados ou abandonados.

  • Vários corpos estavam dentro de sacos ou envolvidos por tecidos;
  • Algumas vítimas estavam amarradas;
  • Os corpos foram deixados em vias, terrenos ou áreas de menor circulação;
  • Os casos ocorreram em intervalo relativamente curto.

Mas existem diferenças importantes.

  • As ocorrências se espalham pelas zonas Sul, Leste e Norte;
  • Uma mulher apresentava ferimentos de arma de fogo;
  • Uma das vítimas foi esquartejada;
  • Nem todos os corpos estavam embalados da mesma forma;
  • Não há confirmação de um perfil comum entre as vítimas;
  • Não foi divulgado um suspeito único relacionado aos cinco casos.

Por isso, a simples presença de sacos plásticos não permite concluir que exista um único assassino.

O que seria necessário para confirmar um serial killer?

A investigação precisaria encontrar evidências que ligassem pelo menos dois homicídios ao mesmo autor ou grupo de autores.

Isso pode ocorrer por meio de vestígios periciais, DNA, impressões digitais, imagens, testemunhas, padrão de escolha das vítimas, forma de abordagem, método de execução ou outros elementos repetidos de maneira relevante.

O FBI, uma das principais referências mundiais no estudo desse tipo de crime, define assassinato serial como o homicídio ilegal de duas ou mais vítimas pelo mesmo autor ou autores em eventos separados.

É justamente o ponto mais importante que ainda falta no caso de São Paulo: não está demonstrado que os mesmos responsáveis estejam por trás das mortes.

Existe suspeito pelo suposto serial killer de São Paulo?

Não há um suspeito apresentado pela Polícia Civil como responsável pela sequência dos cinco casos.

As investigações prosseguem separadamente para esclarecer a identidade de todas as vítimas, circunstâncias das mortes, possíveis motivações e autores.

Isso também significa que publicações nas redes atribuindo os crimes a uma determinada pessoa, facção ou grupo devem ser tratadas com cautela enquanto não houver confirmação oficial.

Então há ou não um serial killer à solta em SP?

Com as informações disponíveis até 7 de outubro, não é possível afirmar que exista um serial killer à solta em São Paulo.

A sequência de corpos encontrados é real e merece investigação, mas a associação entre os casos nasceu principalmente nas redes sociais.

A informação mais recente do DHPP vai na direção contrária à teoria: investigadores observam diferenças de dinâmica, locais e métodos e ainda não encontraram evidência pública que conecte os homicídios a uma única autoria.

Isso pode mudar caso novas provas apareçam. Por enquanto, portanto, a expressão “serial killer de SP” deve ser entendida como uma hipótese não confirmada, e não como uma conclusão da investigação.

Perguntas frequentes

Existe um serial killer em São Paulo?

Não há confirmação. A Polícia Civil afirma que, até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem ligação entre os homicídios ou uma única autoria.

Quantos corpos foram encontrados?

A sequência que viralizou nas redes reúne cinco corpos encontrados entre 5 de setembro e 2 de outubro de 2026 em diferentes regiões da cidade de São Paulo.

Onde os corpos foram encontrados?

Os casos ocorreram no Jabaquara, em dois pontos da zona leste, no Jaçanã e na região do Parque Ecológico do Tietê.

Os cinco corpos estavam dentro de sacos?

Há semelhanças no uso de sacos, cobertores e outros materiais para ocultar ou transportar os cadáveres, mas a forma e a dinâmica dos crimes não são idênticas.

Quem investiga os casos?

Os casos passaram por diferentes distritos policiais e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo.

A polícia já encontrou um suspeito?

Não foi apresentado publicamente um único suspeito responsável por todos os casos. As ocorrências continuam sendo investigadas individualmente.


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