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Primeiro filme feito por IA para os cinemas da China fracassa na bilheteria

Sanxingdui: Future Past levou dois anos para ficar pronto, custou mais de US$ 1,5 milhão e encontrou salas praticamente vazias na primeira semana

O primeiro longa-metragem produzido com inteligência artificial generativa a receber autorização para estrear comercialmente nos cinemas da China descobriu que a novidade tecnológica não é suficiente para vender ingressos.
O primeiro longa-metragem produzido com inteligência artificial generativa a receber autorização para estrear comercialmente nos cinemas da China descobriu que a novidade tecnológica não é suficiente para vender ingressos.
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O primeiro longa-metragem produzido com inteligência artificial generativa a receber autorização para estrear comercialmente nos cinemas da China descobriu que a novidade tecnológica não é suficiente para vender ingressos. Sanxingdui: Future Past, lançado em 23 de outubro, arrecadou cerca de 1,41 milhão de yuans (US$ 210 mil) até 29 de outubro, apesar de ter custado mais de 10 milhões de yuans, aproximadamente US$ 1,5 milhão.

Os valores, registrados pela plataforma chinesa Maoyan e repercutidos pela Sina Finance, mostram um início de carreira muito abaixo do orçamento. A diferença é ainda mais significativa porque a bilheteria bruta não corresponde ao dinheiro recebido pela produtora: cinemas e distribuidores ficam com parte da arrecadação. O filme ainda estava em cartaz, portanto não se trata de um balanço financeiro definitivo.

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Mais de 10 mil sessões, mas poucos espectadores

Produzido pela Bona Film Group, o longa chegou ao circuito comercial com mais de 10 mil sessões programadas para a estreia. A oferta de horários, porém, não se converteu em público. Nos dias 24 e 25 de outubro, as exibições registraram, em média, cerca de uma a duas pessoas por sessão. Na segunda-feira (26), a taxa de ocupação chegou a apenas 0,2%, segundo dados da Maoyan publicados pela imprensa chinesa.

A ficção científica de 100 minutos acompanha uma humanidade que passou a confiar suas decisões a uma superinteligência artificial. Quando o mundo entra em crise, a possível solução surge de símbolos gravados em objetos de bronze da antiga civilização de Sanxingdui, na província chinesa de Sichuan. Há uma ironia no projeto: é justamente a tecnologia que ameaça os personagens que torna possível a aparência visual do filme.

O filme foi realmente feito inteiramente por IA?

Sim, no sentido de que seus personagens, vozes e cenários foram gerados digitalmente, sem atores filmados nem cenários físicos tradicionais. Isso não significa, porém, que um programa tenha criado o longa sozinho. A história, a direção e as decisões artísticas ficaram a cargo de profissionais humanos, enquanto ferramentas de IA foram usadas para produzir as imagens e outras etapas da execução.

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Segundo informações da produção divulgadas pelo China Film News e pela The Paper, quase 100 pessoas trabalharam por mais de dois anos na obra. O processo envolveu mais de 1,2 milhão de imagens-base e sucessivas revisões. Os personagens são criações digitais originais, não reproduções de atores reais.

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A produtora apresentou o lançamento como um teste importante para a indústria. De fato, conseguir concluir um longa com essa técnica e obter a licença de exibição é um avanço de produção. O resultado comercial, por enquanto, conta outra história.

O público rejeitou o cinema feito por IA?

É cedo para transformar o desempenho de um único filme em uma resposta definitiva. Entre os comentários reunidos pela imprensa chinesa, há elogios à ambição visual, mas também críticas à narrativa fragmentada e à pouca naturalidade dos personagens. Esses problemas pesam especialmente numa sessão de cinema, em que a experiência precisa sustentar a atenção por mais de uma hora e meia.

O contraste é ainda mais curioso diante de Niu Lai, animação independente chinesa realizada com recursos modestos pelo diretor Xin Yumeng e sua mãe, a roteirista Sun Lifang. Ridicularizado inicialmente pela aparência rudimentar, o filme virou fenômeno de internet e ultrapassou 64 milhões de yuans em bilheteria. A trajetória foi registrada pela Reuters, enquanto o total mais recente foi compilado pelo Cartoon Brew.

O tropeço de Sanxingdui também não equivale a uma rejeição a qualquer utilização de inteligência artificial no audiovisual. Há uma distância considerável entre gerar um filme completo e empregar a tecnologia como apoio à pós-produção, como ocorreu em Sobrevivência, suspense dirigido por Ben Affleck para a Netflix.

O experimento chinês mostra, sobretudo, que produzir imagens com IA e despertar interesse por elas são desafios diferentes. A tecnologia conseguiu levar um filme inteiro à tela grande. Convencer o espectador a sair de casa e pagar pelo ingresso continua dependendo do que esse filme tem para contar.

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