A suspeita de peste negra na Rússia ganhou repercussão após a morte de uma funcionária de um instituto antipeste na região de Irkutsk, na Sibéria. Reportagens internacionais relatam o isolamento de cerca de 200 pessoas e restrições em hospitais. A causa da morte, porém, segue no centro de versões diferentes sobre o caso.
Em comunicado de 4 de outubro reproduzido pela Interfax, a Rospotrebnadzor, agência de saúde pública russa, informou que o diagnóstico da funcionária era de pneumonia de causa desconhecida. A instituição afirmou que os exames não identificaram microrganismos ligados à sua atividade profissional.

O que aconteceu na Rússia?
A mulher foi identificada pela imprensa como Darya Shipilova, funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk. Ela foi hospitalizada em Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk, e morreu no início de outubro, segundo a cobertura do Meduza.
Uma das versões publicadas por veículos locais aponta um possível acidente com material biológico no laboratório. A Euronews relata essa hipótese com base na imprensa local. Ela não está confirmada: a agência sanitária russa informou que uma inspeção não identificou acidentes envolvendo microrganismos patogênicos no instituto.
O veículo independente People of Baikal também noticiou quarentenas em hospitais de Irkutsk. Essas informações foram repercutidas pelo Meduza, que ressalta a ausência de confirmação oficial de peste.
Há um surto de peste negra confirmado?
As fontes consultadas até 5 de outubro não apresentam confirmação oficial de um surto de peste nesse episódio. A Rospotrebnadzor declarou que a situação sanitária de Irkutsk e Shelekhov era estável e que as medidas de acompanhamento foram adotadas em razão da atividade profissional da funcionária.
A agência informou ainda que os exames entre os contatos identificaram dois casos de Covid-19 e dois de infecção por rinovírus. Segundo o comunicado reproduzido pela Interfax, não foram encontrados agentes de outras doenças infecciosas nesses testes.
Por que cerca de 200 pessoas foram isoladas?
Os relatos de isolamento se referem a pessoas que tiveram contato com a funcionária. A cobertura internacional fala em aproximadamente 200 contatos acompanhados, embora as contagens e as descrições das medidas variem entre as reportagens.
Esse número não representa 200 casos de peste. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a confirmação da doença depende de testes laboratoriais. Por isso, suspeita, acompanhamento de contatos e diagnóstico confirmado precisam ser diferenciados ao ler as notícias.
O que é a peste negra e como ela se transmite?
A peste é uma infecção causada pela bactéria Yersinia pestis. O nome “Peste Negra” ficou associado à pandemia do século XIV, mas a doença continua existindo. A OMS descreve três formas clínicas principais:
| Forma | Característica principal |
|---|---|
| Bubônica | Atinge os gânglios linfáticos, que podem ficar inchados e doloridos. |
| Pneumônica | Atinge os pulmões e pode ser transmitida entre pessoas por partículas respiratórias. |
| Septicêmica | Envolve a multiplicação da bactéria na corrente sanguínea. |
A transmissão pode ocorrer pela picada de pulgas infectadas, pelo contato desprotegido com materiais contaminados ou pela inalação de partículas respiratórias de uma pessoa com a forma pneumônica.

Quais são os sintomas e existe tratamento?
Entre os sintomas descritos pela OMS e pelo CDC, agência de saúde pública dos Estados Unidos, estão febre, calafrios, fraqueza e dor de cabeça. A forma bubônica pode causar gânglios doloridos; a pneumônica pode provocar tosse e dificuldade para respirar. Esses sinais, isoladamente, não permitem identificar a doença.
A peste tem tratamento com antibióticos, mas o atendimento precisa ser rápido. O Ministério da Saúde orienta que, diante de uma suspeita avaliada pela equipe médica, o tratamento não deve aguardar o resultado dos exames. A demora aumenta o risco de complicações graves.
A peste negra existe no Brasil?
O Ministério da Saúde informa que o Brasil não registra casos humanos de peste desde 2005. O último ocorreu em Pedra Branca, no Ceará. A pasta mantém informações sobre focos naturais da bactéria em partes do Nordeste e na região de Teresópolis, no Rio de Janeiro.
A existência desses focos sustenta a necessidade de vigilância, mesmo sem casos humanos recentes. Entre as orientações de prevenção estão evitar contato com roedores silvestres e com suas pulgas. Pessoas com sintomas e histórico de exposição devem procurar atendimento e informar esse contato à equipe de saúde.
Perguntas frequentes
A peste negra voltou à Rússia?
Há relatos de suspeita ligados à morte de uma funcionária na Sibéria. A agência sanitária russa informou diagnóstico de pneumonia de causa desconhecida; as fontes consultadas não confirmam oficialmente peste nesse episódio.
As pessoas isoladas estão com peste?
O isolamento relatado se refere ao acompanhamento de contatos. Ele não equivale a diagnóstico da doença.
A peste pneumônica passa de pessoa para pessoa?
Sim. Essa forma pode ser transmitida por partículas respiratórias de uma pessoa infectada, segundo a OMS.
Existe cura para a peste?
A infecção pode ser tratada com antibióticos. O diagnóstico e o início rápido do tratamento são essenciais.

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