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Entrevista com o Demônio: final explicado; quem morre e o pacto de Jack

Entenda por que Jack esfaqueia Lilly, a relação com The Grove e a dúvida sobre o destino de Madeleine no terror de 2024

Lilly D'Abo, interpretada por Ingrid Torelli, com expressão assustadora em uma cena de possessão de Entrevista com o Demônio
A possessão de Lilly é o ponto de ruptura do especial de Halloween. Foto: Divulgação/IFC Films, via CinemaBlend.
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O final de Entrevista com o Demônio mostra Jack Delroy matando Lilly D’Abo com uma adaga durante o programa ao vivo. O apresentador, porém, acredita estar diante de Madeleine, sua esposa falecida, que lhe pede para acabar com seu sofrimento. Quando a visão desaparece, Jack descobre que esfaqueou a jovem e está cercado pelas vítimas da possessão que tomou conta do estúdio.

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O desfecho também associa a tragédia à ligação de Jack com o grupo secreto The Grove. A história sugere que sua ascensão na televisão cobrou um preço ligado à morte de Madeleine, mas não revela todos os termos de um eventual pacto. Abaixo, entenda o que o filme confirma e o que permanece aberto à interpretação.

Jack Delroy visto de costas no palco, diante da plateia de Night Owls, em Entrevista com o Demônio
O programa Night Owls é o cenário do especial de Halloween de Jack Delroy. Imagem: Divulgação/IFC Films, via site oficial do filme.

O que acontece no final de Entrevista com o Demônio?

A história é apresentada como o registro de uma edição especial de Halloween de Night Owls, transmitida em 31 de outubro de 1977. Jack (David Dastmalchian) tenta recuperar a audiência do talk show depois da morte de Madeleine, também chamada de Minnie. Para atrair o público, leva ao palco um médium, um cético e uma pesquisadora acompanhada de uma adolescente supostamente possuída.

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O primeiro alerta vem de Christou (Fayssal Bazzi). Ao mencionar Minnie — apelido íntimo de Madeleine —, ele deixa Jack abalado. O médium passa mal, vomita uma substância escura e morre a caminho do hospital. Mesmo assim, o apresentador insiste em prosseguir com o programa.

June Ross-Mitchell (Laura Gordon) então conduz uma sessão com Lilly (Ingrid Torelli), sobrevivente de uma comunidade religiosa associada ao culto de Abraxas. Durante a demonstração, uma entidade assume o controle da garota e dá a entender que já conhece Jack. Embora June consiga encerrar o primeiro episódio, o perigo não desaparece.

Por que a possessão de Lilly é diferente da hipnose de Gus?

O cético Carmichael Haig (Ian Bliss) tenta desacreditar a apresentação. Ele hipnotiza Gus McConnell (Rhys Auteri) e induz o estúdio a enxergar vermes saindo do corpo do assistente. A cena parece uma mutilação real, mas a reprodução da fita mostra Gus ileso: a plateia viu uma ilusão.

Quando as imagens da sessão de Lilly são revistas, no entanto, os acontecimentos sobrenaturais continuam registrados. A distinção é essencial: o filme oferece uma prova dentro de sua própria narrativa de que nem tudo foi provocado por sugestão coletiva. Jack ainda percebe uma aparição associada a Madeleine na gravação.

Lilly volta a perder o controle. Sua cabeça se abre de maneira monstruosa, a presença demoníaca desencadeia ataques no estúdio e Gus, June e Carmichael são mortos. Jack tenta escapar, mas a narrativa abandona a transmissão tradicional e passa a acompanhar uma sequência de imagens aparentemente vividas por ele.

Lilly D'Abo, interpretada por Ingrid Torelli, com expressão assustadora em uma cena de possessão de Entrevista com o Demônio
A possessão de Lilly é o ponto de ruptura do especial de Halloween. Foto: Divulgação/IFC Films, via CinemaBlend.

Por que Jack mata Lilly na última cena?

Depois do massacre, Jack se vê preso em uma sucessão de recordações e cenários distorcidos, incluindo o próprio programa, sua carreira e o ambiente ligado ao The Grove. A experiência culmina no reencontro com Madeleine (Georgina Haig), deitada e sofrendo com a doença que a matou.

Madeleine pede que Jack ponha fim à sua dor. Ele pega uma adaga ritual e a golpeia. Quando a sequência muda de perspectiva, fica claro o truque cruel: a pessoa atingida no palco era Lilly, não Madeleine. Jack não matou sua esposa novamente; ele foi levado a reproduzir esse gesto contra a adolescente.

O filme não estabelece se Jack está literalmente possuído, preso a uma visão criada pela entidade ou sofrendo uma ruptura de percepção sob influência sobrenatural. O fato visível no desfecho é o ataque a Lilly. A última imagem o deixa sozinho diante dos corpos, enquanto sirenes se aproximam.

Jack fez um pacto com o demônio em The Grove?

Essa é a principal interpretação sugerida pelo roteiro, mas os termos do acordo não são expostos de forma literal. Jack frequentava The Grove, uma sociedade reservada a pessoas influentes, cujos encontros em uma floresta têm conotações ocultistas. Na primeira possessão de Lilly, a entidade indica já ter encontrado o apresentador entre árvores altas.

O reconhecimento cria uma ponte entre a criatura presente no estúdio e um acontecimento anterior na vida de Jack. Nas imagens que surgem perto do fim, a trajetória profissional do apresentador se mistura aos rituais do grupo e à lembrança de Madeleine. Tudo aponta para uma barganha em que o sucesso teve um custo pessoal terrível.

Isso não significa, porém, que Jack tenha assinado conscientemente um acordo para matar a própria mulher. Em entrevista ao TheWrap, David Dastmalchian rejeitou a ideia de que seu personagem teria aceitado deliberadamente sacrificar Madeleine sabendo do preço. Essa leitura preserva a responsabilidade de Jack pela ambição sem transformar sua intenção em algo que o filme não confirma.

Madeleine morreu por causa do pacto?

Madeleine morreu de câncer de pulmão, e o roteiro chama atenção para o fato de ela não ser fumante. A associação de sua doença com as atividades de Jack em The Grove surge como uma suspeita central: a vida da esposa pode ter sido o pagamento exigido por uma força maligna em troca do êxito de Night Owls.

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É uma implicação forte, não uma explicação médica ou uma confissão inequívoca. A tragédia funciona também como expressão da culpa que Jack tenta esconder sob a postura de apresentador carismático. O terror ligado a uma perda que se recusa a desaparecer lembra, por outros caminhos, o tratamento do luto e da culpa em O Que Ficou Para Trás.

Quem é Mr. Wriggles? Ele é o próprio Abraxas?

Mr. Wriggles é o nome usado por Lilly para a presença que a acompanha. A jovem sobreviveu a um culto que venerava Abraxas, mas o filme não confirma que Mr. Wriggles e Abraxas sejam exatamente a mesma entidade. June trabalha com a possibilidade de a garota estar ligada a uma força subordinada a algo maior.

Essa diferença importa porque o passado de Lilly, o culto de Abraxas e os rituais de The Grove parecem se cruzar, mas não recebem uma explicação completa. A entidade conhece segredos de Jack e transforma o programa em um instrumento de exposição e punição. A origem exata do poder continua misteriosa.

Quem morre em Entrevista com o Demônio?

  • Christou: o médium morre depois de passar mal durante a transmissão, antes do clímax.
  • Gus McConnell: sobrevive à encenação hipnótica dos vermes, mas morre no ataque sobrenatural posterior.
  • June Ross-Mitchell: a pesquisadora é morta quando a possessão de Lilly sai do controle.
  • Carmichael Haig: o cético também é morto pela manifestação demoníaca.
  • Lilly D’Abo: é esfaqueada por Jack na última cena, quando ele a confunde com Madeleine.

Madeleine já havia morrido antes da noite de Halloween. Quanto a Jack, o filme não mostra sua morte nem uma prisão. As sirenes indicam que socorro ou autoridades estão se aproximando, mas o futuro do apresentador não é exibido.

O final foi real ou uma alucinação de Jack?

A resposta mais cuidadosa é que o filme combina acontecimentos mostrados como reais dentro da gravação com uma experiência subjetiva de Jack na reta final. A cena dos vermes demonstra que a percepção coletiva pode ser manipulada; a fita da possessão, por sua vez, resiste ao mesmo teste. Já o encontro com Madeleine é apresentado de modo deliberadamente instável.

Em entrevista à People, os diretores Colin e Cameron Cairnes explicaram que preferiram deixar pistas para o espectador construir uma interpretação, em vez de fixar uma solução única para todas as imagens. Por isso, afirmar que tudo foi alucinação — ou explicar cada detalhe como uma possessão comprovada — vai além do que os realizadores estabelecem.

O horror também tem uma dimensão simbólica: Jack transforma o sofrimento alheio em espetáculo e só percebe o tamanho da perda quando já não controla a história que vai ao ar. É uma crítica à obsessão por audiência e reconhecimento, tema que dialoga com a busca destrutiva por prestígio de A Substância.

O que significa a última cena?

A última cena inverte a promessa de Jack. Ele queria que o especial de Halloween fosse inesquecível e recuperasse sua carreira; consegue produzir uma transmissão marcante, mas destrói as pessoas ao redor e a própria imagem pública. A morte de Lilly transforma o apresentador no responsável pelo golpe final diante das câmeras.

O verdadeiro castigo, portanto, não é apenas a possível cobrança de um pacto: é ser obrigado a olhar para aquilo que sua ambição ajudou a produzir, sem poder voltar ao papel de anfitrião que controla cada segundo do programa. O destino sobrenatural de Jack permanece aberto; o fim de sua tentativa de salvar o programa, não.

Quem gosta de histórias em que uma entidade explora as fragilidades das vítimas também pode conferir o final explicado de Passageiro do Mal.

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