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A genialidade de Castlevania Symphony Of The Night

Existem alguns jogos que possuem uma aura própria, já que são tão bem falados por ai que parecem ser aquele tipo de experiência imperdível....

Nota N/A

Leitura crítica

Existem alguns jogos que possuem uma aura própria, já que são tão bem falados por ai que parecem ser aquele tipo de experiência imperdível....

Existem alguns jogos que possuem uma aura própria, já que são tão bem falados por ai que parecem ser aquele tipo de experiência imperdível. Um desses títulos com certeza é Castlevania: Symphony Of The Night, lançado originalmente em 1997 pela Konami no PlayStation.

Não é nada incomum ver pessoas elogiando Symphony of The Night como um dos melhores jogos do primeiro console da Sony. Há quem diga até mesmo que esse seja um dos melhores de todos os tempos. Fato é que a aventura de Alucard não é mencionada nas listas a toa, e ela possui uma importância enorme para a história da indústria de jogos digitais.

Pensando nisso (e pela proximidade do Halloween) resolvi falar sobre alguns motivos para caso você ainda não tenha dado uma chance para Castlevania Symphony Of The Night, que embarque neste castelo repleto de horrores. Separei em alguns tópicos o texto para melhor organizar as ideias e também exaltar algumas características específicas que o jogo possui.

Então, vamos nessa!

A franquia Castlevania

Queria começar falando um pouco sobre a franquia da Konami em si, já que ela figura como uma das mais antigas e influentes desta indústria que gostamos tanto. Castlevania teve início com o primeiro jogo lançado no longínquo ano de 1986 para o NES (Nintendo Entertainment System), introduzindo os principais elementos que viriam a ser explorados no futuro da série.

Com castelos assombrados recheados de inimigos sobrenaturais, uma dificuldade considerável e a batalha interminável contra as forças do mal, Castlevania (1986) foi o primeiro passo que a franquia da Konami precisava para entrar na história. Trazendo sempre a icônica batalha da Família Belmont contra o Conde Drácula, a cada título vemos ramos desse clã enfrentando o vampirão em sua cada nova reaparição.

E o mais interessante disso tudo? Castlevania já explorou diversos gêneros diferentes. Tivemos os plataformas, RPG, ação e aventura e o mais icônico metroidvania que falaremos mais tarde no texto. E foram diversos jogos para chegarmos até a coleção de títulos que a série possui hoje.

Não dá pra saber exatamente o quanto a franquia vendeu em sua história, mas pelo sucesso e impacto cultural que Castlevania teve é inegável que alguma coisa de boa aconteceu nestes anos todos. Mesmo não tendo muitos títulos recentes, a franquia continua popular com os fãs, recebendo até duas séries em animação distribuídas pela Netflix

Castlevania e Castlevania Noturno, as duas séries animadas, pegam algumas coisas dos jogos mas se resumem a contar histórias novas sem qualquer relação com os acontecimentos do material original. Alteram sim muitas questões sobre a mitologia da franquia de jogos, e foram criticadas por isso, mas também serviram para apresentar um pouco do universo para outro público. No fim, foi só pra isso mesmo que a série animada serviu, criar novos fãs, já que fez alterações que não fazem jus a franquia e isso porque foi escrita por quem nunca encostou em um jogo.

Castlevania possui uma mitologia riquíssima, explorando temas como mitos e lendas e fazendo diversas referências sobre folclores do mundo todo, principalmente o europeu. Sabe aquele terror clássico de vampiros, lobisomens, fantasmas, bruxas e etc?! Esses e muitos outros servem de inspiração para os inimigos e personagens da série.

Mas por que a franquia pode usar o Conde Drácula? Simples, pois o livro original de Bram Stoker (basicamente o criador do personagem) encontra-se em domínio público. E a escolha por parte dos criadores foi completamente acertada, pois ele é um personagem icônico, complexo e que garante um vilão extremamente poderoso e longevo. A cada nova encarnação do conde, a família Belmont precisa se aprimorar ainda mais para vencer o desafio. Simplesmente encaixa muito bem em tudo.

Esse conflito eterno entre o bem e o mal possibilitou que a franquia se reinventasse ao longo destes anos. Trazendo personagens diferentes, eventos complexos e narrativas ainda mais profundas. Neste texto falarei sobre outras características icônicas de Castlevania ao comentar sobre Symphony Of The Night, então seguimos.

Infelizmente a franquia se encontra em um estado de pausa no momento. Não são produzidos novos jogos e os fãs estão basicamente sobrevivendo de coletâneas e participações especiais em outras séries. Vampire Survivors, Dead Cells, Dead By Daylight, e etc, são exemplos de outros jogos que contaram com conteúdos de Castlevania nos últimos meses. Vamos ver o que a Konami guarda para o futuro.

O que é o homem? Uma miserável pilha de segredos!

Lançado em 1997 para o primeiro PlayStation, Castlevania Symphony of the Night foi o início da fase metroidvania da franquia. Desenvolvido pela Konami Computer Entertainment Tokyo, SotN teve direção de Koji Igarashi, um dos principais componentes para o sucesso da série. Foi dele que veio as mais fundamentais visões que a saga precisava para atingir o ápice.

Mas a equipe também contou com a genialidade da designer de personagens Ayami Kojima e com a trilha sonora excelente escrita por Michiru Yamane. A combinação de todas essas mentes fizeram de Symphony of the Night uma jóia quase perfeita para a época, além de seu duradouro sucesso que romperia as gerações de jogos.

Falarei mais detalhadamente sobre cada aspecto depois, pois agora precisamos dar um pouco de contexto para a lore de SotN. O game se passa quatro anos após Castlevania: Rondo of Blood e Richter Belmont, personagem principal do título, desapareceu ao mesmo tempo que o castelo do Drácula ressurgiu. Intrigado, imediatamente após ser desperto, Alucard (filho do vampirão) decide investigar por conta própria o que fez Richter sumir, o porque do castelo ter aparecido novamente e como os dois acontecimentos podem ter ligação um com o outro.

Sim, Symphony é continuação direta de Rondo of Blood, mas não exige que você tenha jogado para entender. Claro que detalhes são perdidos no meio disso tudo mas a aventura de Alucard consegue dar o tom correto para que você siga sem se preocupar muito.

Vou poupar outros detalhes sobre a história para que você possa aproveitar melhor os acontecimentos. Não dá pra falar que a narrativa é revolucionária, mas ainda é legal de acompanhar. Principalmente porque o próprio Castlevania (sim, o castelo do Drácula é o que dá nome para a franquia) conta bastante história através de seu ambiente e inimigos que aparecem pelo caminho.

Castlevania e o gênero metroidvania

\"Castlevania\"
A jogabilidade de Symphony of the Night. (Konami/Reprodução)

Mas como funciona a jogabilidade de SotN? Ele basicamente é um game de plataforma metroidvania com elementos de RPG. Você controla Alucard enquanto ele precisa explorar o castelo e resolver as questões relacionadas ao desaparecimento de Richter Belmont e como o local retornou para o mundo dos humanos.

No game é possível pular, utilizar habilidades, coletar equipamentos que modificam os status de Alucard, ganhar experiência e consequentemente evoluir de nível, etc.

Falando especificamente sobre o gênero metroidvania, ele é uma combinação dos elementos de Metroid e do próprio Castlevania. A sua principal característica é possuir a exploração de um mapa interconectado, transformando a aventura em uma experiência não linear.

Para explorar esse ambiente, que neste caso é o próprio castelo do Drácula, é necessário adquirir habilidades novas para acessar áreas que antes eram impossíveis de alcançar. Existe um gigantesco backtraking que incentiva a exploração e trás algumas recompensas como: itens que aumentam sua barra de vida e de magia, equipamentos e etc.

É aqui que o game design de SotN brilha, pois a construção do mapa foi muito bem feita pelos desenvolvedores. O castelo do vampirão possui salas secretas interconectadas e cheias de caminhos alternativos com inimigos esperando você passar para atacar. O jogador vai precisar desvendar cada canto do mapa para ficar mais forte e ter uma progressão na história.

Nestas explorações você conseguirá habilidades que te permitirão visitar novos locais, como citado anteriormente. Alucard pode se transformar em névoa, lobo e morcego, utilizando suas habilidades de vampiro para encontrar os caminhos através da escuridão do castelo.

Já os elementos de RPG e plataforma se resumem ao que já comentei mais acima. Você pode encontrar itens e equipá-los em Alucard, além de ganhar experiência e subir de nível. Enquanto que as sessões de plataforma é literalmente os desafios de pulo durante o caminho. Acessar novas áreas pode requisitar uma habilidade a mais na hora de pular e o castelo está cheio desses momentos.

De primeira vai parecer que os itens não fazem muita diferença para os combates, mas após algumas horas de jogatina você vai conseguir dar danos e receber ataques muito poderosos. Além disso, Alucard pode invocar magias poderosas ao fazer comandos similares aos de jogos de luta.

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Todos os familiares do jogo. (Konami/Reprodução)

Além disso tudo, tem um equipamento que ajuda muito Alucard em sua jornada pelo castelo: os familiares. Eles são basicamente cartas mágicas que podem ser coletadas durante a exploração e que convocam espíritos que funcionam como pets para o personagem. Eles trazem consigo efeitos e habilidades muito úteis durante a gameplay.

Eles atacam os inimigos, possuem função na exploração do castelo e podem oferecer um suporte para Alucard. São cinco os familiares disponíveis em Symphony, sendo eles: Morcego, Fada, Espada, Demônio e Fantasma. Cada um tem uma habilidade diferente e desempenha movimentos especiais:

  • Morcego: um dos mais básicos, ele consegue atacar os inimigos automaticamente.
  • Fada: ela restaura a vida e a mana de Alucard, além de poder ser utilizada pelo vampiro para localizar passagens secretas (e são muitas).
  • Espada: cortando obstáculos e atacando inimigos, este familiar ajuda a alcançar áreas elevadas do mapa.
  • Demônio: este aqui pode causar danos enormes aos inimigos.
  • Fantasma: ele atravessa paredes e também alcança áreas elevadas.

Cada familiar pode ser utilizado conforme a vontade do jogador e eles ganham nível também aumentando suas habilidades e efeitos.

O subgênero metroidvania foi tão influente após sua criação em SotN que serviu como inspiração para diversos jogos que fazem sucesso hoje em dia. Hollow Knight, Prince of Persia: The Lost Crown, Bloodstained: Ritual of the Night e Blasphemous são exemplos recentes de jogos que fizeram sucesso utilizando as ideias encontradas em Symphony. A própria franquia seguiu os moldes criados aqui para os títulos futuros.

Koji Igarashi, diretor do jogo, conseguiu com sua pequena equipe criar um jogo que se destacou pela imensa qualidade, além da inovação que chegou para o mundo dos jogos. Sua paixão por jogos 2D e ideias brilhantes fizeram Igarashi uma das principais mentes por trás do sucesso da franquia. Retornando com outros ótimos trabalhos futuramente, ele demonstrou que Symphony não foi apenas sorte, e sim que sua visão era certeira em relação ao entretenimento que os seus jogos forneciam.

A equipe da Konami Computer Entertainment Tokyo conseguiu criar um jogo que, apesar de ter sido desenvolvido por um grupo relativamente pequeno, se destacou pela sua qualidade e inovação. Symphony of the Night continua sendo uma referência no gênero metroidvania e um dos jogos mais amados pelos fãs da série Castlevania.

A Sinfonia da Noite

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As artes de Symphony of the Night são lindas. (Konami/Reprodução)

Um dos principais pontos para se recomendar SotN é sua arte. E isso eu incluo tanto seu design de personagens, ambientes e etc, como também sua trilha sonora original que é um destaque gigantesco e sempre foi sinônimo de grandiosidade na franquia Castlevania.

Primeiramente, falando dos designs de personagem e ambiente, o trabalho elaborado por Ayami Kojima é brilhante. Seu estilo gótico é o que deu vida para as ilustrações dos personagens que fazem parte do ambiente sinistro de Castlevania.

A série não tem um aspecto realista (com exceção de Lords of Shadow, mas isso é outro papo), e puxa muito para uma arte parecida com anime. Em Symphony of the Night, a arte ilustrada por Kojima faz parecer com que os personagens estivessem naqueles retratos antigos que eram feitos de pessoas importantes no passado.

Os retratos e ideias trabalhados por Kojima na arte de SotN é tão impactante e atmosférica, que os detalhes góticos levam suas ilustrações para algo incrivelmente único. Basta olhar para um de seus trabalhos e deduzir que foi ela a responsável, justamente pelo seu traço característico. Ela consegue misturar as cores e os traços para encantar os retratos perfeitos dos personagens dessa aventura.

E claro, Symphony não seria brilhante se não tivesse conseguido traduzir bem o trabalho de Kojima para dentro do jogo. Visto que o game apresenta uma pixel art lindíssima que atravessa todas as gerações e nunca envelhece mal. 

Os sprites dos personagens e inimigos, além de cada corredor do castelo de Drácula é incrivelmente detalhado e impressiona até hoje. Aquele papo de que jogo pixelado envelhece bem é um fato para SotN, pois o game continua belíssimo até hoje. A maneira que Alucard passeia pelo labirinto que o castelo apresenta, a forma que ele usa seus poderes de vampiro e os inimigos que se encontram em cada andar e sala são muito bem animados e ajudam na atmosfera de terror que o game apresenta.

Agora preciso falar sobre as músicas que dão o tom para o jogo. Como citado anteriormente, a franquia sempre foi sinônimo de boas trilhas e a aventura de Alucard conseguiu elevar o nível que os jogos já tinham apresentado antes.

Trabalhada pela Michiru Yamane, com toda certeza a trilha de Symphony é um dos pontos mais altos que o título apresenta. Ela é atmosférica e consegue te passar a sensação de estar se esgueirando pelos corredores de um castelo mal assombrado e cheio de perigos. Ao mesmo tempo que pega uma influência antiga, e os sintetizadores fazem o trabalho primoroso de entregar uma experiência excelente.

Vou comentar sobre algumas das minhas favoritas enquanto guiava Alucard em sua missão. Dracula Castle, uma das primeiras trilhas que você vai escutar ao se aventurar pelo castelo é impactante já de começo. Ela dá aquele ar gótico e misterioso para o que vai acontecer adiante, além de ser épico para entregar o tom certo para a aventura.

Dracula Castle consegue te trazer para dentro dos corredores do castelo. (Konami/Reprodução)
Illusionary Dance é mais uma das ótimas músicas do game. (Konami/Reprodução)

Illusionary Dance, parece contar a história de uma corte medieval de um castelo importante, ao mesmo tempo que o órgão te transporta para uma vibe vampiresca e antiga.

Esta consegue trazer alguns toques de uma música clássica da franquia. (Konami/Reprodução)

Strange Bloodlines passa um sentimento de agitação e agonia, enquanto que surpreende com toques de Bloody Tears, música clássica da franquia.

Esses são apenas alguns dos exemplos que compõem a trilha sonora de Castlevania Symphony of the Night. Cada uma das músicas que tocam no game contribuem para que ele seja lembrado até hoje por muitos jogadores.

Dê uma chance para Symphony of the Night

No fim, escrevi este texto para falar um pouco sobre este jogo que é tão importante para a indústria. Hoje em dia muitas pessoas se importam muito com os gráficos e já torcem a cara imediatamente após ver algo pixelado. Mas a jogabilidade e a ar de mistério que Castlevania Symphony of the Night entrega, torna-o perfeito para iniciar no mundo dos metroidvanias.

Este é aquele jogo perfeito para terminar em um fim de semana, mesmo que não consiga encontrar todos os mistérios relacionados ao jogo na primeira gameplay, ainda tem bastante coisa para se fazer. É legal revisitar o jogo após saber de todos os caminhos, itens e inimigos que o castelo guarda. Existem muitos segredos que aposto que te farão retornar para Castlevania Symphony of the Night assim que finalizá-lo pela primeira vez ou depois de algum tempo.

No mais, Castlevania Symphony of the Night pode ser jogado atualmente na coletânea para PlayStation chamada Castlevania Requiem, no iOS e Android com uma versão mobile, e nos consoles Xbox através de uma versão lançada para o Xbox 360.

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