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Review: Hellblade II é uma grande obra que precisa ir além

Quando Hellblade II foi anunciado, sentimentos opostos tomaram conta de mim: se por um lado, minha expectativa era grande e esperançosa...

Por Deco Campos há 2 anos
Nota
N/A

Vale a pena?

Quando Hellblade II foi anunciado, sentimentos opostos tomaram conta de mim: se por um lado, minha expectativa era grande e esperançosa...

Quando Hellblade II foi anunciado, sentimentos opostos tomaram conta de mim: se por um lado, minha expectativa era grande e esperançosa para seguir a árdua história de Senua, por outro, cheguei a temer em relação a como a Ninja Theory, agora parte do Xbox Studios, conseguiria manter a continuação com aquela aura de obra de arte, como foi o seu antecessor.

Mas sim, amigos: Hellblade II: Senua’s Saga mantém intacta essa aura e, com segurança, podemos afirmar que continuar sendo uma expressão artística valorosa.

Isso se dá por toda a experiência cinematográfica que o game toma para si – sem se importar com as lamúrias insossas da “Console Wars” que renegam o aspecto cinematográfico que, de uma vez por todas, chegou para ficar nessa maravilhosa indústria.

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Reprodução: Game Overdose/Deco Campos

Toda a cinematografia presente na obra é um primor e tudo isso se deve à atual geração de consoles – que pode entregar gráficos mais realistas sem perder seu poder de desempenho e ir à fundo em uma experiência dramática bem sólida com a presença de um elenco de artistas capaz de transformar suas performances em algo memorável.

Há momentos absurdos em que acontece a quebra da quarta parede que, olha, para quem ama cinema como eu, é algo que emociona!

É isso que este jogo faz tão bem: toda a cinematografia se desenvolve em favor da narrativa, não ao contrário. A equipe da Team Ninja está de parabéns ao entregar um primor técnico e narrativo – e caso não fosse essa a escolha, o game teria apenas uma boa história e nada mais.

Cinematografia em Hellblade II

O que me encantou neste jogo foram os vários movimentos de câmera, sofisticados e que permitiram criar um espectro do que há de mais atual na indústria cinematográfica.

É estranho falar em movimentos de câmera em videogames, mas sim, vamos assumir que eles existem, são emulados e também são parte fundamental nas motion-captures dos estúdios.

Os longos travellings panorâmicos combinados de dolly-zooms e elipses (recurso que mostra a passagem de tempo) tornam as transições modernas e elegantes.

A narrativa, como no primeiro jogo, se mantém aberta às interpretações, mas na continuação, a utilização das cores pode ajudar os jogadores a entenderem os mundos nos quais Senua está transitando.

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Imagem: Game Overdose/Deco Campos

As paletas de cores traduzem aspectos do estado mental da protagonista: verde para representar a naturalidade, o mundo real; o azul, o delírio (você já assistiu à Veludo Azul, o excepcional filme de David Lynch?); e o vermelho, a psicose (aproveite e assista também à Última noite em Soho para ver como as cores e esses dois mundos se interagem).

Os enquadramentos de cena são quase todos fechados no rosto de Senua, o que potencializa a performance sensacional da atriz Melina Juergens (a qual merece ser abordada em um tópico separado, mais adiante). Tudo isso também se deve aos gráficos, belíssimos e realistas ao extremo…  

A iluminação está absurda: e isso colabora demais para a ambientação, já que há um elemento importante na história que trata da luz e das sombras.

Ah, os gráficos!

Os gráficos impressionam muito: trata-se de um dos melhores da atual geração e da história dos videogames. E isso mesmo no Xbox Series S, onde fiz a minha jornada no game.

E que bom que seja assim, afinal, serve para espantar todos aqueles rumores irascíveis de que o videogame não conseguia entregar games atualizados para hardwares mais parrudos.

O jogo está incrivelmente bem otimizado e em nenhum momento experimentei quedas de frames ou bugs.

O modo foto também merece destaque: boa variedade de recursos para brincar com os gráficos absurdos que o game entrega.

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Imagem: Game Overdose/Deco Campos

A performance dramática em Hellblade 2 é encantadora

A entrega dramática de Melina Juergens é fenomenal: ela constrói um personagem feminino que será lembrado por muito tempo na história dos games.

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Reprodução: Divulgação/ Ninja Theory

Senua é uma louca, uma bruxa, uma guerreira, uma heroína. E nada disso é conflitante.

As expressões do rosto de Senua são o que Melina entrega de maneira mais assustadora: os conflitos interiores da protagonista traduzem expressividade e são exteriorizados como verdadeiras batalhas épicas.

Dúvida, temor, medo, superação – você pode ler no rosto de Senua e isso torna a jornada simplesmente fascinante!

E, claro, mais uma vez, isso só é possível graças aos gráficos estupendos e a direção de arte que casa muito bem com esse primor técnico. Não tenho dúvidas de que Melina Jurgens é a grande favorita para levar o prêmio de melhor atuação no The Game Awards desse ano!

Fuga do passado

A narrativa é espetacular. Senua é uma personagem feminina extremamente forte, de uma entrega emocional sem precedentes. Estamos aqui lidando com uma personagem que deseja fugir de seu passado (não vou comentar a respeito do primeiro game para não estragar a experiência de quem jogou).

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Reprodução: Game Overdose/Deco Campos

É uma mulher, uma guerreira, em meio à mitologia nórdica, cheia de testosterona mandão que quer fazer do mundo um playground de poder.

O Som – você precisa jogar com fones de ouvido

Outro aspecto importante de se abordar é a utilização do som. As vozes da cabeça de Senua estão a todo o momento interagindo com a protagonista: deboche, dúvida, receios, medos, subjugação, tudo isso rola o tempo todo no jogo, entre cutscenes e também no gameplay.

Um caminho errado e, pá, uma zombaria; uma deflexão correta, um incentivo: “acabe com ele”. Caiu? “Levante, não queremos morrer…”.

Tudo isso fica imensamente imersivo se você escutar com um fone de ouvido!

Hellblade II necessita de um gameplay mais complexo e variado

Infelizmente, é aqui que o jogo peca. O gameplay poderia ser mais variado, mais complexo e com mais arenas de lutas e puzzles mais desafiadores.

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Reprodução: Game Overdose/Deco Campos

É claro, tudo isso passa até despercebido devido à narrativa espetacular, mas é preciso dizer: um jogo também deve contar com uma boa jogabilidade!

E aqui, faltou ousadia para a Ninja Theory ir além: em questão de gráficos, narrativa e cinematografia, o jogo dá um grande salto em relação ao anterior. O mesmo não acontece no seu gameplay.

As lutas são boas, você sente os pesos dos golpes, dos aparos e deflexão: mas poderiam ser mais, com mais variedade, maiores e com mecânicas que poderiam evoluir durante a jornada.

Outros games com foco em narrativa fizeram isso sem prejudicá-la. Coragem, Ninja Theory!

Os combates (à exceção da luta final) parecem estar lá só para não entediar o jogador.

Em relação aos puzzles, achei mais fáceis que aqueles que estão presentes no primeiro jogo. Se você considerar que esse recurso é mais importante que as lutas para a narrativa, poderiam ser mais bem elaborados. O que não quer dizer que não sejam inteligentes e divertidos.

O tempo do jogo

A minha jornada durou cerca de 7 horas – apesar de o Xbox não as ter contado. Um fator de gameplay estendida pode ser os modos de NG+ que se abrem depois de fechar o game.

São compostos por uma nova história, um novo modo com narradores diferentes e um para buscar os colecionáveis que perdeu.

Experimentei todos e o que mais vale à pena é a de mudança do narrador, pois lhe dá uma nova perspectiva em direção á narrativa.

É claro que o tempo não decide se um jogo é bom ou ruim: mas seria válido ter mais algumas horas com Senua.

Prós

  • Um dos melhores gráficos da atual geração
  • Narrativa e mensagem forte
  • Uso da cinematografia para construir uma história memorável
  • Som
  • A atuação de Melina Juergens (Senua)

Contras

  • Gameplay pouco envolvente
  • Poucos confrontos
  • Puzzles pouco desafiadores

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