Review: Asleep é um diamante no gênero de terror | Game Overdrive
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Review: Asleep é um diamante no gênero de terror

Quando descobri a existência de Asleep , rapidamente fiquei curioso para conferir mais sobre o projeto. Um novo jogo brasileiro 2D...

Por Gregory Felipe há 2 anos
Nota
N/A

Vale a pena?

Quando descobri a existência de Asleep , rapidamente fiquei curioso para conferir mais sobre o projeto. Um novo jogo brasileiro 2D...

Quando descobri a existência de Asleep, rapidamente fiquei curioso para conferir mais sobre o projeto. Um novo jogo brasileiro 2D explorando o terror me pareceu algo muito bem-vindo, principalmente pelo material divulgado antes do lançamento do Ato 1.

Ao ficar por dentro da proposta do título, gerei expectativas sobre o jogo e aguardei ansiosamente para enfim jogá-lo. Felizmente, estamos diante de um caso positivo. O game da Black Hole Games entrega um resultado satisfatório, explorando bem diversas mecânicas do gênero.

Embora o Ato 1 não seja muito longo, encontramos aqui uma campanha variada, que sabe como distribuir os objetivos e desafios que tem para oferecer ao jogador. Quando sobem os créditos, você sente que a jornada foi satisfatória, enquanto começa imediatamente uma espera animada pelos próximos capítulos da aventura.

Confira outras análises do Game Overdose:

A protagonista Analu

Asleep é um jogo de terror psicológico, com elementos de outros subgêneros, ambientado no nordeste dos anos 90. Neste cenário, a campanha mostra a jornada de Ana Lúcia, uma jovem que precisa encarar um verdadeiro pesadelo para desvendar mistérios sombrios.

Sem possuir lembranças de seu passado, Analu acorda em um lugar desconhecido, cercada por pessoas que não conhece, ou ao menos não lembra conhecer. Na busca por respostas, a jovem brasileira acaba em uma luta pela sobrevivência, ficando frente a frente com horrores variados.

Backtraking, luz e o pesadelo na escola

O verdadeiro terror começa na escola, quando Analu se vê presa com diversas criaturas tenebrosas que surgem nas salas e corredores. Enquanto apresenta uma série de objetivos ao jogador, Asleep se mostra versátil, ainda que tenha pouco tempo para explorar suas mecânicas. O Ato 1, que pode durar cerca de 2 horas, acaba fazendo muito com sua curta duração.

Explorando o terror psicológico, Asleep também entrega mecânicas e elementos de diversos subgêneros do horror. Fãs mais antigos de jogos como este certamente perceberão semelhanças com muitos clássicos. Dentro disso, temos pontos de destaque como o bom uso de backtracking, além da mecânica da lanterna.

Como um verdadeiro survival horror, Asleep se apoia bastante no backtracking para desenvolver sua jornada. Você passará pelos mesmos locais mais de uma vez, assim como precisará encontrar itens específicos para enfim conseguir progredir em determinadas salas.

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Imagem: Game Overdose/Gregory Felipe

Com um vai e vem que não se torna cansativo ou repetitivo, o jogo brasileiro de terror entrega inimigos variados, que mudam a forma como você deve lidar em cada situação. A mecânica da lanterna, que em certos momentos me fez lembrar de Alan Wake, é funcional e divertida, apesar de ser bastante simples.

Um determinado tipo de inimigo se assusta com a sua lanterna, então você deve usá-la para progredir quando estiver diante desta criatura. No entanto, a luz nem sempre será sua aliada, e muitas vezes você precisará da escuridão para se esconder.

A grande questão é que Asleep não pesa a mão em nenhuma de suas mecânicas ou elementos. Ao fazer o simples, é importante ter cuidado para não gerar um resultado monótono. Saber como utilizar o que criou, distribuindo momentos e desafios na dose certa, é um dos grandes segredos para explorar ao máximo tudo o que você tem para oferecer. Asleep sabe fazer isso.

Referências e semelhanças

O Ato 1 de Asleep me fez lembrar de diversos títulos que joguei ao longo destes anos, seja com mecânicas, semelhanças visuais ou outros elementos que surgiram ao longo da jornada. Não tenho certeza sobre quantos destes momentos são referências ou inspirações propositais, porém, o fato é que o jogo brasileiro consegue trazer a energia de grandes clássicos de uma maneira natural, sem parecer uma cópia descarada.

The Last of Us, Alan Wake, Silent Hill… são muitas as franquias que surgem na sua mente enquanto você progride com Analu, seja por características mais marcantes ou até mesmo detalhes mais simples, com um simples toque de violão.

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Imagem: Game Overdose/Gregory Felipe

Aborda temas importantes

Asleep também é corajoso por abordar temas importantes, principalmente no ambiente onde a trama se passa. As escolas brasileiras, assim como muitas ao redor do mundo, infelizmente nem sempre são o melhor dos ambientes para muitas crianças e jovens. O que acaba gerando resultados extremamente negativos na vida dessas pessoas, que às vezes podem até alcançar níveis irreversíveis.

Bullying, aceitação, dor, ressentimento, preconceito. Asleep, ainda que em pouco tempo neste primeiro ato, consegue falar sobre esses temas, mostrando uma dura realidade na medida em que a abordagem faz sentido com sua trama e impulsiona a jornada, tornando-a mais intrigante.

Asleep é 100% brasileiro

Um dos grandes trunfos de Asleep é ser um jogo brasileiro na essência. Com um excelente trabalho de dublagem, o jogo rapidamente cria imersão enquanto você sente que realmente se trata de um título produzido aqui.

O sotaque dos dubladores, as expressões, a forma como falam, e outros elementos da dublagem formam um conjunto muito brasileiro. Não há exagero, não há sensação de que o resultado final ficou forçado. Tudo o que o jogo tem de brasileiro em sua dublagem e localização é feito de maneira natural.

A brasilidade do título também é expandida de outras maneiras, sendo algo constante e importante para o título. Na jornada, Analu explora ruas e ambientes com pequenos detalhes que brasileiros perceberão caso prestem atenção nos cenários. A ambientação é um pacote completo de um jogo que sabe muito bem quais são suas raízes.

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O que poderia melhorar

Asleep não tem muitos problemas, e os que tem não são assim tão grandes. Por ser um jogo curto, o jogo acaba deixando de lado a exploração mais robusta de algumas possibilidades, o que soa como algo negativo para quem deseja encontrar mais profundidade em certas mecânicas.

Apesar de entregar bons puzzles, o título poderia caprichar um pouco mais em alguns deles, tornando-os mais completos. Tal problema faz sentido quando voltamos a falar que o título é dividido em Atos, e este primeiro dura cerca de duas horas; no entanto, ainda assim fica a falta de um pouco mais de complexidade em certos momentos.

Os controles também surgem como um pequeno problema. Durante a jornada, senti, em alguns momentos, que a movimentação de Analu não era tão funcional. Por vezes, a personagem ficou travada e, em outras, teve dificuldade para interagir com o cenário. Em algumas situações de perigo, também fui prejudicado por uma resposta lenta dos controles, ficando vulnerável e com a sensação de que a falha não foi cometida por mim, mas sim pelo jogo.

Veredito

Prós

  • Ótima dublagem/localização
  • Jogo 100% brasileiro
  • Bom uso do backtracking
  • Mecânica da lanterna/luz é interessante

Contras

  • Alguns puzzles poderiam ser mais robustos
  • Controles as vezes apresentam problemas
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