Este ranking de Metal Gear nasce de uma relação de 25 anos com a franquia. Sou fã desde 2001, quando conheci a saga por Metal Gear Solid, do primeiro PlayStation, e desde então acompanhei as ideias de Hideo Kojima se transformarem, jogo após jogo, em uma das obras mais importantes da história dos videogames.
Não pretendo transformar opinião em ciência exata. Esta não é uma lista construída pela nota do Metacritic, pelo número de cópias vendidas ou pela quantidade de polígonos que cada personagem conseguia exibir. É uma escolha pessoal baseada em cinco elementos: narrativa, importância para a saga, qualidade das mecânicas, capacidade de permanecer relevante e, principalmente, o impacto que cada jogo deixou em mim.
O momento também não poderia ser melhor. Estou realmente feliz em ver Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 trazer de volta dois jogos fundamentais: Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots e Peace Walker. O primeiro permaneceu preso ao PlayStation 3 durante 18 anos. O segundo ainda é tratado como uma aventura secundária por muita gente, quando na verdade constitui uma peça imprescindível na transformação de Big Boss e na construção de tudo o que acontece em Ground Zeroes e The Phantom Pain.
Para evitar misturar propostas muito diferentes, este ranking pessoal de Metal Gear considera os oito jogos centrais da cronologia dirigida por Kojima. Ground Zeroes e The Phantom Pain aparecem juntos como Metal Gear Solid V: The Definitive Experience, formato no qual são vendidos atualmente e que representa melhor uma única experiência narrativa. Ghost Babel, Portable Ops, Rising e Survive ficam de fora por serem spin-offs, realidades alternativas ou projetos que não pertencem ao mesmo núcleo criativo.
E a ordem será do pior para o melhor. Há um motivo simples: em uma franquia desse nível, a posição mais baixa não significa necessariamente um jogo ruim. Significa apenas que, quando todos são colocados lado a lado, alguns envelheceram mais, outros foram limitados pela plataforma e alguns atingiram algo próximo da perfeição.
Como funciona este ranking pessoal de Metal Gear?
Antes da oitava posição, vale reforçar o critério. Não estou escolhendo qual jogo possui o combate mais moderno isoladamente, porque The Phantom Pain venceria com enorme facilidade. Também não estou julgando somente a história, porque Sons of Liberty provavelmente encerraria a discussão antes mesmo de ela começar.
O objetivo é avaliar cada obra como um conjunto. Um grande Metal Gear precisa combinar jogabilidade, direção, ideias políticas, personagens, capacidade de surpreender e uma relação inteligente entre o jogador e o próprio videogame. É justamente essa combinação que tornou a franquia tão diferente de praticamente tudo o que surgiu antes ou depois dela.
8º — Metal Gear

Colocar Metal Gear na última posição pode parecer ingratidão. Afinal, sem o jogo lançado para MSX2 em 1987, nada do que veio depois existiria. Foi nele que Kojima encontrou a ideia que mudaria para sempre os jogos de ação: em vez de derrotar todos os inimigos, o jogador deveria evitar o confronto e atravessar o território sem ser visto.
Essa inversão criou a base do stealth. Também apresentou Solid Snake, Big Boss, Outer Heaven e o próprio conceito de uma arma bípede capaz de lançar ataques nucleares. Para um jogo de 1987, é uma quantidade absurda de ideias que continuariam sustentando a série durante décadas e que garantem sua presença neste ranking pessoal de Metal Gear.
O problema é que Metal Gear envelheceu bastante. A movimentação é rígida, a comunicação de alguns objetivos é limitada e certos caminhos dependem mais de tentativa e erro do que de uma infiltração realmente planejada. Sua importância histórica é indiscutível, mas jogá-lo hoje exige mais paciência do que os demais capítulos deste ranking pessoal de Metal Gear.
Ainda assim, ele precisa estar na lista. É incompreensível falar dos principais jogos da franquia, incluir Survive e simplesmente esquecer o título que criou tudo.
7º — Metal Gear 2: Solid Snake

Metal Gear 2: Solid Snake é o jogo em que a fórmula começa a se transformar naquilo que o mundo conheceria anos depois no PlayStation. A aventura lançada para MSX2 em 1990 amplia a movimentação, melhora o comportamento dos inimigos, introduz diferentes superfícies capazes de produzir ruído e cria uma estrutura narrativa muito mais ambiciosa.
Praticamente tudo o que tornou Metal Gear Solid revolucionário já aparece aqui em uma forma embrionária. Há conversas por rádio mais elaboradas, confrontos com chefes excêntricos, discussões políticas, traições e um conflito muito mais complexo entre Solid Snake e Big Boss.
Ele é claramente superior ao primeiro Metal Gear e continua fascinante como documento histórico. Contudo, ainda carrega limitações de uma produção da geração 8-bits. Seu ritmo, seus controles e alguns quebra-cabeças podem afastar quem conheceu a série apenas pelos jogos tridimensionais. É esse contraste que define sua posição no ranking pessoal de Metal Gear.
Por isso ocupa a sétima posição. Não está aqui como curiosidade, mas como o verdadeiro projeto que desenhou a transição entre Metal Gear e Metal Gear Solid.
6º — Metal Gear Solid: Peace Walker

Peace Walker é uma joia subestimada. Durante muito tempo, o fato de ter sido desenvolvido originalmente para PSP fez com que parte do público o tratasse como um capítulo menor. Essa percepção nunca correspondeu ao peso real do jogo.
É em Peace Walker que Big Boss começa a construir sua própria nação militar, desenvolve a Mother Base, recruta soldados e percebe que sua força não precisa responder a nenhum governo. É também aqui que a imagem de The Boss passa a ser reinterpretada por ele de uma maneira decisiva (e profundamente equivocada) para tudo o que virá depois.
Em termos de jogabilidade, o título introduziu sistemas que seriam ampliados em Metal Gear Solid V: missões selecionáveis, desenvolvimento de equipamentos, gerenciamento de base, recrutamento por Fulton e uma estrutura pensada para ser repetida. O cooperativo também deu ao jogo uma identidade própria.
As limitações do PSP aparecem nos cenários menores, nos confrontos excessivos contra veículos e na repetição necessária para desbloquear determinados conteúdos. Mesmo assim, a soma de narrativa, mecânicas e importância torna Peace Walker indispensável ao ranking pessoal de Metal Gear.
Vê-lo retornar na Master Collection Vol. 2, com sua versão HD e multiplayer online, é uma enorme alegria. O Overdrive já explicou por que Peace Walker é essencial para compreender Ground Zeroes e The Phantom Pain. Neste ranking pessoal de Metal Gear, ele fica em sexto, mas poderia facilmente subir quando mais jogadores finalmente perceberem o tamanho daquilo que estava escondido em um portátil.
5º — Metal Gear Solid

Metal Gear Solid foi minha porta de entrada para a franquia e é um dos jogos mais importantes já feitos. Shadow Moses mostrou que o videogame podia dirigir cenas, construir personagens, discutir política e manipular o jogador sem tentar imitar passivamente o cinema.
Psycho Mantis lendo o cartão de memória, a batalha contra Sniper Wolf, o sacrifício de Gray Fox, as mentiras de Campbell e a revelação sobre Liquid Snake continuam funcionando porque não dependem apenas de tecnologia. Elas dependem de direção, contexto e da capacidade de envolver diretamente quem segura o controle.
Também foi o jogo que transformou Metal Gear em fenômeno mundial. A dublagem, o uso do Codec, a câmera cinematográfica e a forma como cada chefe parecia representar uma história particular estabeleceram um padrão que a própria indústria passaria anos tentando acompanhar.
Então por que apenas a quinta posição? Porque os jogos seguintes expandiram quase tudo. MGS2 refinou os controles e levou a narrativa a outro patamar. Snake Eater encontrou maior equilíbrio entre ação, história e emoção. MGS4 concluiu a jornada de Solid Snake. The Phantom Pain criou o melhor sistema de infiltração da série.
Ser o quinto colocado deste ranking pessoal de Metal Gear não diminui sua grandeza. Apenas revela o nível absurdo de uma franquia na qual uma obra tão revolucionária ainda encontra quatro jogos acima dela. É também a posição mais difícil de justificar em todo o ranking pessoal de Metal Gear, justamente pelo vínculo que tenho com MGS1.
4º — Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots

Metal Gear Solid 4 é a última aventura de Solid Snake. Isso, sozinho, já lhe dá um peso que nenhum outro capítulo consegue reproduzir.
Kojima havia tentado se afastar da direção da série antes de Guns of the Patriots, mas acabou retornando para responder às perguntas acumuladas e dar aos fãs um encerramento. O resultado é um jogo extremamente generoso com quem acompanhou aquela história durante anos.
MGS4 às vezes se esquece de que é um videogame. Há cenas enormes, explicações longas e momentos nos quais o controle permanece parado por tempo suficiente para testar até o fã mais paciente. Também existe um desejo quase impossível de amarrar todas as pontas, inclusive algumas que talvez devessem permanecer abertas.
Mas é difícil reclamar quando a experiência entrega tanto. O retorno a Shadow Moses, a luta final entre Snake e Liquid Ocelot, a marcha pelo corredor de micro-ondas e a despedida daquele protagonista formam algumas das lembranças mais fortes que já tive com um videogame. Poucas posições deste ranking pessoal de Metal Gear carregam tamanho peso afetivo.
Ele também combina diferentes versões da jogabilidade da série. Há campos de batalha abertos, infiltração tradicional, camuflagem dinâmica, confrontos cinematográficos e homenagens construídas para quem reconhece cada detalhe.
Depois de 18 anos restrito ao PS3, MGS4 finalmente voltará na Master Collection Vol. 2. O Overdrive mostrou por que o jogo permaneceu preso ao console durante tanto tempo. Para mim, vê-lo acessível novamente é como recuperar uma parte importante da história dos games. Ele ocupa o quarto lugar deste ranking pessoal de Metal Gear porque pode ser excessivo, mas é absolutamente inesquecível.
3º — Metal Gear Solid V: The Definitive Experience

Aqui Ground Zeroes e The Phantom Pain aparecem como deveriam: duas partes de uma única experiência. A própria edição definitiva reúne os jogos, e separar Camp Omega da jornada de Venom Snake significa quebrar a relação de causa e consequência entre eles.
Ground Zeroes é pequeno em extensão, mas gigantesco em densidade. Camp Omega funciona como uma caixa de possibilidades, com rotas, guardas, resgates, objetivos alternativos e uma atmosfera sombria que prepara a queda de Big Boss. The Phantom Pain pega essa liberdade e a expande para dois grandes mapas, dezenas de equipamentos e sistemas que se combinam de maneiras quase imprevisíveis.
É o auge mecânico da franquia. Nenhum outro jogo de stealth oferece tamanha liberdade para observar, improvisar e executar um plano. Companheiros, condições climáticas, ciclos de dia e noite, inteligência inimiga, Fulton, armamentos e ferramentas transformam cada missão em um laboratório. Se este ranking pessoal de Metal Gear considerasse apenas jogabilidade, ele seria o primeiro colocado.
Apesar da narrativa fragmentada, dos sinais de uma produção problemática e de um encerramento que ainda provoca discussões, Metal Gear Solid V talvez seja o melhor jogo de infiltração já criado. Suas mecânicas dificilmente envelhecerão porque não dependem de sequências rígidas: elas dependem da criatividade do jogador.
É por isso que The Definitive Experience ocupa o terceiro lugar no meu ranking pessoal de Metal Gear. Ele não possui a narrativa mais coesa da saga, mas representa o ponto máximo de tudo o que Kojima aprendeu sobre stealth desde 1987.
2º — Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty

Sons of Liberty possui a narrativa mais extraordinária de Metal Gear. Em 2001, parecia uma história deliberadamente confusa sobre inteligência artificial, controle da informação e manipulação social. Hoje, parece quase um documento escrito depois da consolidação dos algoritmos e das redes sociais.
O jogo discute quem controla a memória cultural quando informações, documentos e obras passam a existir em meios digitais. Questiona como uma sociedade escolhe o que preservar, o que apagar e o que transformar em verdade. E antecipa um mundo no qual sistemas invisíveis organizam aquilo que as pessoas enxergam, discutem e acreditam. É a ideia mais atual de todo este ranking pessoal de Metal Gear.
A troca de Solid Snake por Raiden não foi apenas uma provocação publicitária. Ela colocou o jogador na posição de alguém treinado por simulações, conduzido por informações incompletas e transformado em ferramenta de uma estrutura que ele não compreende. A própria repetição de Shadow Moses em Big Shell faz parte dessa manipulação.
Além disso, MGS2 refinou profundamente a jogabilidade do primeiro Solid. Inimigos trabalham em equipe, verificam desaparecimentos, comunicam reforços e reagem aos ferimentos. O cenário permite destruir rádios, render guardas, esconder corpos e explorar pequenos detalhes que pareciam impossíveis no começo da geração PS2.
Sons of Liberty só não lidera este ranking pessoal de Metal Gear porque Snake Eater encontra um equilíbrio mais completo. Mas, quando penso apenas em narrativa, visão política e capacidade de continuar relevante, nenhum outro capítulo da franquia o supera.
1º — Metal Gear Solid 3: Snake Eater

Metal Gear Solid 3 é o pacote completo e, por isso, abre o topo deste ranking pessoal de Metal Gear. Pode ser o Snake Eater original, Subsistence ou Delta: a base que torna essa obra tão poderosa continua a mesma.
O jogo possui uma história que funciona mesmo para quem não conhece profundamente a franquia, mas recompensa quem entende o futuro de Big Boss. A missão começa como uma aventura de espionagem durante a Guerra Fria e termina como uma tragédia sobre lealdade, manipulação política e a transformação de um soldado em símbolo.
Snake Eater também consolidou ideias de jogabilidade que ampliaram a identidade da série. Camuflagem, cura de ferimentos, sobrevivência, alimentação e exploração criam uma relação física com a missão. A selva não funciona apenas como cenário: ela interfere diretamente na maneira como Snake atravessa o território.
The Boss é o coração de tudo. Sua relação com Naked Snake dá peso emocional a cada revelação e transforma o confronto final em algo muito maior do que uma luta contra chefe. O jogador vence porque a missão exige, mas a vitória representa precisamente a destruição do homem que existia antes daquele momento.
É um jogo emocionante, inteligente, divertido e mecanicamente rico. Possui personagens memoráveis, grandes confrontos, humor absurdo, tensão política e uma conclusão que reorganiza tudo o que sabemos sobre a saga.
Por isso, Snake Eater ocupa o primeiro lugar do meu ranking pessoal de Metal Gear. MGS2 pode possuir a narrativa mais visionária. Metal Gear Solid V pode ter o melhor gameplay. MGS4 pode oferecer a despedida mais generosa. Mas apenas MGS3 consegue reunir todas essas qualidades em uma experiência tão equilibrada.
Uma franquia grande demais para caber em uma lista
Qualquer lista de Metal Gear é também uma forma de contar como cada pessoa se relacionou com a franquia. Alguém que começou por The Phantom Pain provavelmente valorizará liberdade e mecânicas. Quem viveu Shadow Moses em 1998 pode considerar impossível retirar MGS1 do topo. Quem compreendeu Sons of Liberty anos depois talvez o veja como a obra definitiva de Kojima.
Este ranking pessoal de Metal Gear representa minha trajetória como fã desde 2001. Ele pode mudar em detalhes conforme os jogos são revisitados, mas dificilmente mudará em sua essência: Snake Eater continua sendo o capítulo mais completo, Sons of Liberty permanece como a narrativa mais impressionante e Metal Gear Solid V ainda representa o auge do stealth.
A chegada da Master Collection Vol. 2 torna esse ranking pessoal de Metal Gear ainda mais especial. Peace Walker finalmente terá outra oportunidade de ser reconhecido como peça central, enquanto MGS4 deixará de ser uma lembrança presa ao PS3. Mais do que relançar jogos, a coleção recupera capítulos essenciais de uma obra que precisa permanecer acessível. O Overdrive também preparou um guia com tudo sobre o lançamento da Master Collection Vol. 2.
E talvez esse seja o verdadeiro valor de qualquer ranking: não encerrar a discussão, mas criar vontade de jogar tudo outra vez.
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