A história de O Peso da Lei aconteceu de verdade? A origem da série surpreende

Série sul-africana da Netflix adapta uma produção brasileira sobre crime organizado que nasceu de extensa pesquisa com facções, policiais e ex-presidiários

A história de O Peso da Lei aconteceu de verdade? A origem da série surpreende
TÓPICOS

Não, O Peso da Lei não é baseado em uma história real específica. Mbali Dlamini, Moses, Sphelele e a organização Gaz’lam são personagens e elementos de uma obra de ficção. A origem da série da Netflix, porém, passa por situações do mundo real — e começa no Brasil.

O título original da produção é Umthetho, e a série sul-africana adapta Irmandade, produção brasileira criada por Pedro Morelli e lançada pela Netflix em 2019. A história original também não reconstitui o surgimento de uma facção específica, mas foi construída depois de uma extensa pesquisa sobre o crime organizado e o sistema prisional brasileiro.

É justamente daí que vem a sensação de realidade presente nas duas produções. Prisões, organizações criminosas, abuso de poder, relações entre detentos e agentes do Estado e os dilemas enfrentados pelos protagonistas foram desenvolvidos com referências do mundo real, embora a narrativa e seus personagens sejam ficcionais.

A história de O Peso da Lei aconteceu de verdade? A origem da série surpreende
Mbali Dlamini, à direita, é uma personagem fictícia de O Peso da Lei. Imagem: Netflix/Divulgação via Blex Media.

O Peso da Lei é baseado em fatos reais?

O Peso da Lei não conta a história de uma promotora, de uma família ou de uma organização criminosa que existiram exatamente como aparecem na série. Não há um “verdadeiro Moses” ou uma “verdadeira Mbali” por trás dos personagens interpretados por Tony Kgoroge e Nqobile Nunu Khumalo.

A própria origem da produção ajuda a esclarecer a questão. O Peso da Lei está disponível na Netflix como uma série sul-africana sobre Mbali, uma promotora que se vê obrigada a agir como agente dupla depois que o irmão caçula é colocado em perigo. O irmão mais velho, Moses, que ela acreditava estar morto havia 14 anos, está vivo e lidera uma organização dentro da prisão.

Essa premissa não nasceu de um crime ocorrido na África do Sul. Ela foi transportada de Irmandade, que acompanha Cristina, uma advogada brasileira que descobre que o irmão Edson está preso e lidera uma facção criminosa.

Irmandade também não conta uma história real

A semelhança entre Irmandade e acontecimentos conhecidos do crime organizado brasileiro levantou essa mesma dúvida quando a série original estreou. A produção se passa em São Paulo nos anos 1990 e mostra a formação e o crescimento de uma organização dentro do sistema prisional, o que levou imediatamente a comparações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Pedro Morelli, criador e diretor-geral da série original, foi direto ao tratar do assunto em entrevista publicada pela Agência Estado. Segundo ele, a Irmandade é uma facção fictícia e não foi criada como representação do PCC. Morelli também afirmou que nenhum personagem foi inspirado diretamente em uma pessoa real.

Isso não significa que todo o contexto tenha sido inventado sem referência à realidade. O diretor explicou que a equipe estudou diferentes organizações criminosas brasileiras para identificar características recorrentes e construir a facção apresentada na série.

Para aprofundar esse universo, a produção teve pesquisa de Claudia Belfort e Tatiana Merlino e ouviu ex-presidiários, procuradores, policiais e outras pessoas ligadas ao sistema criminal. É essa combinação de pesquisa real com personagens fictícios que ajuda a explicar por que algumas situações de Irmandade parecem tão próximas de acontecimentos conhecidos no Brasil.

Em outra entrevista, Morelli voltou a reforçar que a equipe não se baseou em um caso, personagem ou facção específicos. A ideia foi combinar elementos observados em diferentes organizações e transformá-los em uma construção própria para a ficção.

Seu Jorge como Edson e Naruna Costa como Cristina em Irmandade
Seu Jorge e Naruna Costa interpretam Edson e Cristina na série brasileira Irmandade. Imagem: Netflix/Divulgação.

Então por que O Peso da Lei parece tão real?

A adaptação sul-africana não simplesmente pegou os personagens brasileiros e trocou seus nomes. O conflito central foi reconstruído para que funcionasse dentro da realidade social e prisional da África do Sul.

Isso chegou ao processo de preparação do elenco. Em entrevista ao jornal sul-africano Mail & Guardian, Tony Kgoroge contou que, para interpretar Moses, teve contato com homens que passaram mais de 18 anos na prisão. O ator queria entender melhor a mentalidade de alguém que passou boa parte da vida encarcerado.

Kgoroge também explicou que não queria simplesmente reproduzir o personagem brasileiro que serviu de origem para Moses. A intenção era fazer dele um homem reconhecidamente sul-africano, com experiências e problemas ligados ao sistema prisional daquele país.

Essa preocupação ajuda a separar duas ideias diferentes: O Peso da Lei não é uma história real, mas procura construir sua ficção a partir de elementos reconhecíveis da realidade.

Os atores encontraram paralelos com acontecimentos reais

Durante a mesma entrevista, Kgoroge e Nqobile Nunu Khumalo falaram sobre as semelhanças que enxergaram entre a história e discussões contemporâneas da África do Sul envolvendo corrupção e instituições públicas.

Kgoroge relacionou o roteiro à percepção de um sistema que deixa de funcionar corretamente quando suas estruturas são corrompidas. Khumalo, por sua vez, comentou como situações vistas nos noticiários durante a produção apresentavam paralelos com temas presentes no material que estava interpretando.

Essas referências não transformam O Peso da Lei em uma dramatização de acontecimentos reais. Elas mostram como a adaptação preservou a estratégia utilizada por Irmandade: usar uma trama inventada para discutir questões existentes fora da tela.

O Peso da Lei é sobre o PCC?

Não. A Gaz’lam, organização comandada por Moses em O Peso da Lei, não representa o PCC. A própria Irmandade, que deu origem à adaptação, tampouco foi criada como uma versão fictícia especificamente dessa facção.

A comparação surgiu principalmente porque a produção brasileira se passa em São Paulo nos anos 1990 e retrata uma organização que cresce dentro do sistema prisional. Apesar das semelhanças que podem ser identificadas pelo público, Pedro Morelli afirmou que a criação reuniu referências pesquisadas em diferentes facções brasileiras.

Moses e Mbali existiram de verdade?

Não há indicação de que Moses e Mbali Dlamini sejam versões de pessoas reais. Eles são adaptações dos papéis dramáticos ocupados por Edson e Cristina em Irmandade.

Na produção brasileira, Cristina, interpretada por Naruna Costa, é uma advogada que acaba dividida entre a polícia e a organização comandada pelo irmão. Na versão sul-africana, ela se transforma em Mbali, uma promotora de Justiça vivida por Nqobile Nunu Khumalo.

Edson, interpretado por Seu Jorge, dá lugar a Moses, personagem de Tony Kgoroge. O Peso da Lei também muda nomes, personagens secundários, contexto cultural e parte dos acontecimentos para contar sua própria história.

O Overdrive detalhou essas diferenças na comparação completa que explica como O Peso da Lei adapta Irmandade e o que muda entre as duas séries.

Qual é a verdadeira origem de O Peso da Lei?

O caminho da história pode ser resumido assim: O Peso da Lei adapta uma obra brasileira fictícia que, por sua vez, foi desenvolvida com pesquisa sobre situações e estruturas reais.

  • O Peso da Lei: série sul-africana de ficção;
  • Origem direta: adaptação da série brasileira Irmandade;
  • Irmandade: criada por Pedro Morelli e produzida pela O2 Filmes;
  • Personagens: não são retratos diretos de pessoas reais;
  • Facções: Gaz’lam e Irmandade são organizações fictícias;
  • PCC: não é a facção específica que originou Irmandade;
  • Base de pesquisa: diferentes facções, ex-presidiários, policiais, procuradores e o sistema carcerário real.

Quem já terminou os sete episódios também pode conferir o final de O Peso da Lei explicado, com o destino de Mbali, Moses, Tau, Scarra e Crystal.


Séries no seu e-mail

Grátis, toda semana: o que estreia, o que volta e onde assistir.

Leia também

Netflix 310 matérias

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos com * são obrigatórios.

Ainda sem comentários. Puxe o primeiro assunto.

Mais de Netflix

Ver mais

Explore o Overdrive