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Silent Hill 2 Remake se estabelece como exemplo de recriação – Review

É compreensível que muita gente ainda torça o nariz quando o assunto é a necessidade de remakes para preencher uma janela de lançamentos...

Por Deco Campos há 1 ano
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N/A

Vale a pena?

É compreensível que muita gente ainda torça o nariz quando o assunto é a necessidade de remakes para preencher uma janela de lançamentos...

É compreensível que muita gente ainda torça o nariz quando o assunto é a necessidade de remakes para preencher uma janela de lançamentos sem muitas novidades.

O que parece nem ser o caso de 2024 que teve um grande ano com títulos como Stellar Blade, Dragon’s Dogma, Final Fantasy VII Ribirth e Black Myth Wukong – e, agora, Silent Hill 2 Remake.

Em outubro de 2022, a Konami anunciou a recriação de um dos maiores jogos de horror para Playstation 5 e Pcs.

A expectativa foi cercada de uma névoa de receio e desconfiança em razão do projeto ter sido confiado à Bloober Team, pequena desenvolvedora que não tinha jogos expressivos em seu catálogo.

Como um fã do jogo original de horror, não pude conter as minhas lágrimas ao subir dos créditos: claro que a história (de novo) teve papel fundamental nisso, mas agora, ao rejogá-lo, as emoções deram espaço a uma contagiante alegria ao ver uma obra tão importante na história do videogame ter o carinho e respeito que merece neste remake!

Essa review não contém spoilers para preservar a experiência de quem jogará o game pela primeira vez.

Silent Hill 2 Remake preserva e adiciona mais camadas à narrativa

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Imagem: Game Overdose/André Campos

A aura que Silent Hill 2 Remake carrega consigo, desde 2001, deve-se muito pela narrativa do game.

O simbolismo presente no modo como a história é apresentada ao jogador intriga e sugestiona durante todo o tempo o que será revelado em seu final.

Tudo tem uma razão: a névoa, o design dos monstros e as pistas que o protagonista encontra durante o percurso até o destino revelador.

Até o gameplay, dotado de uma boa dose de exploração com lugares adicionados para visitar, serve para enriquecer a lore em torno dos mistérios que cercam a história do marido, James Sunderland, que parte em busca de Mary, a esposa falecida há três anos, em Silent Hill.

A profundidade é ainda maior graças à tecnologia. A dramaticidade é acentuada pelas ‘motion-captures’ dos novos atores e as novas vozes que dão vida às personagens.

Em especial, aqui, é preciso destacar a voz da atriz Salome Gunnarsdottir, que interpreta Mary/Maria.

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Imagem: Game Overdose/André Campos

A ideia de Mary ser uma mulher mais frágil (até por seu estado terminal), enquanto Maria é voluptuosa e guarda consigo uma grande potência, é reforçada pela entonação da voz da atriz.

É simplesmente fascinante notar que um game com uma história tão peculiar e marcante sobressaia ao original com uma qualidade incrível e impecável.

Silent Hill 2 Remake é aterrorizante!

Recriar uma obra de horror para a atual geração de videogames não deve ser fácil. Há muitos desafios para “reimaginar” algo pensado em 2001, para que eles tenham o mesmo efeito sobre o jogador como antes.

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Imagem: Game Overdose/André Campos

Para ter uma análise mais profunda sobre o game, resolvi jogar o primeiro Silent Hill 2 uma semana antes para me preparar para seu Remake. Que decisão acertada!

Para mim é nítida a intenção da Bloober Team em assumir totalmente o controle de suspense para a recriação do terror.

Para estabelecer um parâmetro para a análise da ambientação do game preciso dizer o que, para mim, é um bom filme de horror.

O bom filme de horror é aquele em que o diretor mantém o espectador sob controle, brincando com sua imaginação (geralmente, são filmes de baixo orçamento que fazem isso).  

Isso estabelecido, é preciso dizer que a Bloober Team assumiu esse risco e todas as decisões (eu disse TODAS!) foram acertadas.

A câmera estática deu lugar à “over the shoulder”, o que poderia fazer com que o elemento do horror perdesse a sua força: afinal, a câmera de 2001 controlava o que víamos ou não.

Graças a Bloober Team, isso não aconteceu em Silent Hill: elementos como a escuridão, a chuva e, em especial a névoa, que ganhou muito mais densidade e importância no remake, são utilizados como controle da tensão, expectativa e para gerar medo no jogador.

A sonoplastia do jogo é um show à parte: qualquer ruído serve para causar ainda mais tensão.

Ponto positivo também para a equipe de design que manteve aspectos das criaturas originais, mas remodelou-as, respeitando sempre a arte original de Masahiro Ito (que tem elogiado muito o Remake em sua perfil no X, antigo Twitter).  

Combate pesado e desafiador

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Imagem: Game Overdose/André Campos

O combate tem mais alma do que no original, onde era insosso e ganhava ares de tédio. Aqui, temos uma câmera preguiçosa, que se movimenta com dificuldade e não volta ao ponto principal durante a batalha – o que dificulta muito atingir o inimigo como se quer e facilita que você tome golpes.

O desafio se torna ainda maior porque James é lento e falho (como qualquer ser humano) e não é um superstar-caçador de entidades e monstros.

As dungeons do jogo (ambientes fechados e infestados de monstros que te obrigam a enfrentar os inimigos) são assustadoras e difíceis, colocando de três a quatro inimigos para te cercar.

As armas do original estão preservadas, como o cano metálico, o revólver, a espingarda e o rifle de caça.

Gráfico e performance

Os gráficos de Silent Hill 2 Remake são lindos. Construídos na Engine Real 5, no entanto, essa beleza tem um preço a se pagar.

Jogadores da atual geração estão descobrindo que são recorrentes os problemas como quedas de frame, engasgos e ghostering, como Black Myth Wukong mostrou (seja no PC ou console), há pouco.

Mas em Silent Hill 2 os engasgos são poucos, a queda de frame não atrapalha (são mais visíveis durante a mudança brusca de ambientes). Apenas o ghostering pode irritar jogadores mais exigentes (mas não atrapalhou na minha experiência).

Fator replay

Jogos de horror são um desafio para as desenvolvedoras porque trazem consigo a maldição de serem destinados a um nicho pequeno de jogadores e que podem ter sua atratividade diminuída pelo aspecto “replay”.

Como se tratam de jogos com atmosferas pesadas, muita gente evita reviver as experiências do game.

Mas Silent Hill 2 oferece grandes razões para se embrenhar na névoa da cidade mais vezes.

O game oferece 8 finais – que não são alternativos, mas sim são imprescindíveis para entender a história do game. São dois finais a mais do que havia no original.

E sempre que você começa um NG+, uma nova arma ou item é ofertado durante a gameplay para que você possa moldar um final diferente: afinal, o comportamento no jogo ou a exploração para achar novos itens é o que muda o seu destino no game.

Ah, a trilha sonora…

Precisamos falar também sobre a trilha sonora do jogo. O grande músico Akira Toryama voltou para dar uma roupagem mais moderna para a trilha sonora original de Silent Hill 2 Remake.

Clássicos como Promise e Theme of Laura  ganharam roupagem moderna e me mantiveram obcecado por escutá-las no trabalho, enquanto não estava jogando.

Entre as minhas preferidas estão Love Psalm of Ethernal devotion, Beneath The Noon Moon e Restless Dreams.

Momentos memoráveis

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Imagem: Game Overdose/André Campos

Além dos momentos marcantes presentes na narrativa, com easter-eggs às obras do cinema que inspiraram o jogo e ao game original, Silent Hill 2 Remake conta com boss fights memoráveis.

Muito disso se deve à Bloober Team, que redesenhou os encontros, mudou aspectos importantes dos enfrentamentos e acertou em cheio nessas decisões.

A melhor delas, contra o Abstract Daddy, é um exemplo muito latente dessa decisão. O jogador que se lembrar do confronto original sairá desse totalmente embasbacado e o combate dá um peso maior à história de Ângela, uma das personagens mais marcantes do game.

Veredito

Silent Hill 2 é o melhor remake já feito na história dos videogames. Também não é exagero afirmar que este é o melhor jogo de horror da atual geração, superando os remakes do rival Resident Evil.

A Bloober Team conseguiu entregar uma obra-prima, com detalhes incríveis que enriqueceram a narrativa, um gameplay robusto e uma ambientação fascinante e assustadora.

Apesar de ser um jogo de nicho, jogadores que gostam de uma boa narrativa e não se aventuram muito no gênero, são bem-vindos para conhecer, finalmente, Silent Hill 2 do jeito definitivo!

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