Cinema e TV

Crítica: X-Men \’97 é fiel e potencializa a essência dos Filhos do Átomo

Quando eu já estava no terceiro episódio de X-Men ’97 , percebi que estava profundamente apaixonado pela série que dá sequência direta aos...

Deco Campos Deco Campos há 2 anos
Nota N/A

Critica editorial

Quando eu já estava no terceiro episódio de X-Men ’97 , percebi que estava profundamente apaixonado pela série que dá sequência direta aos...

Quando eu já estava no terceiro episódio de X-Men \’97, percebi que estava profundamente apaixonado pela série que dá sequência direta aos acontecimentos narrados na sua precursora, exibida no período de 1992 a 1997. Boquiaberto, imaginava que aquela seria a melhor produção em formato de série televisiva que a Disney faria.

Pelo quinto episódio, eu já estava gritando, foi arrebatador: que coragem!

\"X-Men
Reprodução: Disney

Depois de ter assistido à terceira e última parte do 8º episódio, o final da Temporada, “Tolerância é Extinção”, não havia mais dúvidas. X-Men \’97 é uma das melhores coisas que a Marvel e Disney já fizeram: é histórica, épica, cativante e ousada.

X-Men \’97 é uma obra prima e vai além da nostalgia

A série se mantém fiel à sua origem e à essência dos X-Men, mas vai muito além da nostalgia. Ela potencializa tudo o que os Filhos do Átomo são: as questões políticas, os dramas dos núcleos, seus dilemas éticos, sua luta e sobrevivência diante do mundo “normal” que os teme, os caça e os ameaça.

O quebra-cabeça que sempre existiu e que urge da necessidade de uma luta social e existencial de um povo diferente, que é considerado perigoso apenas por ser diferente, é fantasticamente desenvolvido com um roteiro corajoso e poético.

Um dos grandes méritos do roteiro de Beau De Mayo é o equilíbrio entre a preservação da essência que caracteriza os mutantes e a relevância dessa representatividade: são agentes da diferença em meio à repetição e vivem situações limites, impondo-lhes a necessidade em assumir o que são, assumir essa responsabilidade, promover a ação sempre vigilante e livre em virtude da opressão que sofrem.

\"\"
Reprodução: Disney

A forma de violência que sofrem é por terem dons que os tornam extraordinários, porque amam de forma diferente, são segregados e mortos devido à cor da pele, são marcados pela fé que levam consigo…

Em meio a tudo isso está a animação multicolorida que sempre foi a marca visual indelével dos X-Men – e até mostra o erro abominável dos primeiros filmes da Fox em vesti-los em colantes enegrecidos (o que se torna até piada sutil num dos episódios).

A ameaça contra os Filhos do Átomo é sempre constante e a fragilização, por serem também humanos, é sempre evidenciada de forma voraz: a extinção e o genocídio são sempre ameaças reais, apesar de sua força e perseverança.

Xavier e Magneto: sonho de tolerância ou pesadelo da extinção?

X-Men \’97 é a prova de que é possível ser fiel ao cânone quando se adapta arcos clássicos sem perder a relevância atual do que se discute.

Ponto altíssimo da série é a utilização da icônica música-tema que tem diversas variações para espelhar os temas abordados em cada episódio: é o signo da ressignificação, com ritmos acelerados ou diminuídos das notas para criar tensão, drama, tristeza, opressão e reação.

É lindo como tudo que pertencia à série anterior (composta de quatro temporadas) é atualizada à enésima potência para fazer sentido nos dias de hoje. Vale a pena até o leitor assistir à primeira série, disponível também na plataforma da Disney+.

A ousadia como trata as questões de luta e sua potencialização são fenomenais. Se de um lado está Xavier e seu sonho de pacificação e respeito mútuo entre todos os indivíduos, do outro, Magneto e o pesadelo de ser um párea perseguido por toda a vida até que sua morte, a de seus descendentes e de seus semelhantes seja o destino final para trazer paz aos humanos padrão.

Até que a queda de Genosha ensine que não é possível tolerar o que é intolerável e aprender da pior maneira que tolerância é extinção e a ideia de que o tempo isentou Magneto de qualquer culpa ou dúvida sobre suas especulações e temores.

E como o episódio é lindo ao ressaltar a importância de um Xavier reparador e compreensivo sobre todos os demônios enjaulados e interiores de seu amigo e rival: é justamente nesse meio termo que a sintonia de uma resistência sempre ativa, feroz e ética deve se moldar para proteger aqueles que ama e também o mundo que os persegue.

Veredito

Tudo isso estaria de bom tamanho se X-Men \’97 acabasse neste episódio. Mas felizmente, haverá uma Segunda Temporada: que cliffhanger empolgante! 

O receio agora é de como a Marvel vai apresentar os mutantes em seu universo cinematográfico depois de uma série com nível tão elevado como esta…

Leia mais

Crítica – Godzilla e Kong: O Novo Império
Netflix: Todos os lançamentos em maio de 2024
Tomb Raider terá série live-action no Prime Video

Tags:

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar sobre
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentarios
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x