Review: Indika está entre o bem, o mal e o humano | Game Overdrive
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Review: Indika está entre o bem, o mal e o humano

Quando se pensa em um jogo de aventura e puzzle , uma freira na Rússia do século XIX não é exatamente a primeira ideia que se vem na...

Por Murilo Rodrigues há 2 anos
Nota
N/A

Vale a pena?

Quando se pensa em um jogo de aventura e puzzle , uma freira na Rússia do século XIX não é exatamente a primeira ideia que se vem na...

Quando se pensa em um jogo de aventura e puzzle, uma freira na Rússia do século XIX não é exatamente a primeira ideia que se vem na cabeça, mas é precisamente o que você encontra em INDIKA e o resultado é bem melhor do que se espera. Sendo desenvolvido pelo estúdio russo Odd Meter com direção de Dmitry Svetlow, INDIKA conta a história de uma freira com mesmo nome, que recebe a missão de levar uma carta do monastério em que vive até um outro local. Ao iniciar o game, é perceptível que Indika é detestada pelas outras residentes do monastério o que rapidamente leva o jogador a suspeitar das verdadeiras intenções da tão importante missão. Não é difícil perceber por que existe uma forte aversão entre a protagonista e as outras freiras, ao contrário das demais, Indika tem a mente aterrorizada pelos seus erros passados e os desejos que acompanham a sua natureza previamente livre de qualquer religiosidade. Pode-se dizer que, neste contexto, Indika cometeu o enorme crime que é ser humana. \"Imagem:

Uma história (da falta) de fé

Em sua jornada, Indika é acompanhada por dois companheiros no mínimo inusitados: um criminoso fugitivo chamado Ilya e o próprio diabo, que vive na cabeça da protagonista. Ademais, a relação entre os personagens é muito bem definida pelas aspas que acompanham o título do game: “Perguntai e sereis enganados”. O grande charme do jogo está presente nos diálogos, sempre carregados de debates e questionamentos que envolvem a ética, moral, e o eterno conflito entre o bem e o mal. Ilya acredita ter testemunhado Deus após um acidente e está em busca da sua redenção e de um milagre, representando uma fé cega e absoluta. Já o diabo é um ser pragmático e paradoxal, que vive trazendo à tona os “pecados” de Indika enquanto a-estimula a questionar a própria fé e a existência do “divino”, o que por si só levanta um questionamento: se o divino não existe, como pode o diabo existir? Essa diferença extrema de ideias traz um ótimo dinamismo e diversidade aos debates. \"Imagem: Vale mencionar que Indika a princípio representa uma incógnita entre esses extremos, ela é uma mulher com sua própria fé e ideia de Deus, as vezes discordando do posicionamento alheio, as vezes concordando. E o constante contato com esses extremos transforma a sua simples entrega em uma complexa jornada de autodescoberta. Ao contrário do que se costuma ver em obras com temática semelhante, INDIKA tenta sempre aprofundar os seus tópicos, fugindo de obviedades como “a fé contra a razão” ou “o crente contra o ateu”. Os argumentos partem sempre de estudos e teorias filosóficas bem pensadas, muitas vezes advindas de autores como Nietzsche, e as discussões raramente estabelecem uma resposta fixa. A ideia é estar sempre instigando o jogador a refletir sobre os temas, lentamente tecendo uma linha de raciocínio que vai se firmando com o passar do enredo.

A Rússia onírica do século XIX

Como dito anteriormente, INDIKA se passa na Rússia do século XIX. Apesar de ser impossível definir o ano exato em que a história se desenrola, diálogos e elementos do cenário entregam um pouco do contexto histórico. Logo no início do game atravessamos um vilarejo destruído, repleto de caos e feridos, e ao prestarmos atenção nas conversas paralelas, os cidadãos dizem acreditar que isso é fruto de um ataque estadunidense ou inglês. Além disso, ao longo do jogo podemos encontrar posters e iconografias remetentes a nomes como Karl Marx, indicando que nesse momento as ideias socialistas e comunistas já estavam em ascensão no país. Sinais como estes estão presentes no jogo todo e é interessante se atentar a eles para melhor compreensão das vivencias dos personagens e das mensagens trabalhadas. \"Imagem: Agora, mesmo que exista o paralelo histórico com o mundo real, a ambientação do game trabalha principalmente com o surrealismo, trazendo muitas vezes elementos já presentes no nosso cotidiano (indústrias, igrejas e mais), mas escalados e distorcidos ao absurdo, o que estabelece ao mesmo tempo um sentimento de familiaridade e estranheza, a princípio opostos. Todas as diferentes paisagens dessa Rússia alternativa dão à jornada um tom onírico e contemplativo que se mantem durante toda a jornada. Não foram poucas as vezes que me peguei parada apenas admirando o mundo ao redor. \"Imagem:

Jogabilidade deixa a desejar, mas tem os seus momentos

Por incrível que pareça, um dos pontos mais difíceis de se analisar do game é precisamente o que o define como um jogo de videogame. Falando de forma simplória, Indika é um jogo de aventura com quebra-cabeças. Apesar dos puzzles se misturarem perfeitamente com o ambiente, a grande maioria deles cai no genérico, consistindo apenas em empurrar caixas pelo cenário ou interagir com objetos em uma ordem específica. Ademais, a dificuldade é um fator particularmente subjetivo, mas devo dizer que tive pouquíssimos problemas para avançar no game. A facilidade dos puzzles, junto do quão genéricos eles tendencialmente são, me fez questionar em múltiplos momentos se eles não estariam ali apenas para quebrar um pouco o ritmo da jornada. Em alguns poucos momentos nos deparamos com obstáculos que fogem da curva, como trechos de perseguição, em que fugimos de algum inimigo, ou momentos em que precisamos controlar algum maquinário. Estes em particular trazem uma variedade agradável na jogatina. \"Imagem:

Veredito

NOTA: 8/10

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