Profundezas: o que é a criatura marinha e por que ela ataca?

A Mãe é um cefalópode gigante que tenta proteger seus ovos; entenda a origem, os ataques e o mistério do gelo na Netflix

Wade Penney observa um pedaço de gelo contaminado com material orgânico na minissérie Profundezas
A história usa o gelo aparentemente comum como pista para a origem dos sintomas estranhos. Foto: Jan Thijs/Netflix.

A criatura marinha de Profundezas é um cefalópode gigante de águas profundas, semelhante a uma lula e apelidado de Mãe. Ela não ataca Snooks Arm por vingança: sua agressividade está ligada à tentativa de proteger os ovos, ameaçados pelo aquecimento do oceano. A minissérie da Netflix também mostra que suas secreções atingem a água consumida pelos moradores e ajudam o animal a atrair presas.

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A explicação muda a percepção sobre o monstro apresentado nos seis episódios do suspense estrelado por Josh Hartnett, Mackenzie Davis e Charlie Heaton. A seguir, entenda sua origem, o papel do iceberg, a contaminação da água e os limites entre a ficção e a biologia marinha. Atenção: o texto contém spoilers da temporada inteira.

Calvin Penney, interpretado por Josh Hartnett, a bordo de um barco de pesca em Profundezas
Calvin volta a enfrentar a ameaça do oceano décadas após a tragédia de sua infância. <strong>Foto:</strong> Jan Thijs/Netflix.

O que é a criatura marinha de Profundezas?

A Mãe é um enorme cefalópode de águas profundas, grupo de animais que inclui polvos e lulas. A produção a apresenta como extraordinariamente inteligente e capaz de atacar embarcações, capturar presas e permanecer escondida no ambiente marinho. Seu olho azul estabelece uma ligação visual com o trauma de Calvin Penney (Josh Hartnett), que a encontrou ainda criança.

Isso não significa que a série tenha identificado sua espécie científica. A comparação mais direta é com uma lula-gigante, mas não há confirmação de que o animal fictício seja exatamente uma Architeuthis dux, espécie que existe na natureza. Tampouco se revela uma origem extraterrestre ou sobrenatural para a criatura.

O Smithsonian Ocean explica que lulas-gigantes reais vivem a grandes profundidades, raramente são observadas em seu habitat e podem atingir cerca de 13 metros de comprimento em registros científicos. Já o comportamento da Mãe é uma adaptação dramatizada para a trama.

De onde veio a Mãe e por que ela chegou à cidade?

A minissérie associa o aparecimento do animal ao aquecimento das águas e ao derretimento do gelo. O criador Jesse McKeown explicou à Netflix que as mudanças climáticas libertam a Mãe nas proximidades do vilarejo de Snooks Arm, em Terra Nova, no Canadá. A série não apresenta uma cena que determine quando sua espécie surgiu ou quantos indivíduos ainda existem no oceano.

O iceberg, portanto, é mais do que cenário: ele liga o deslocamento da criatura à reprodução e à crise ambiental que altera seu habitat. O medo dos moradores nasce de ataques reais, mas as causas da presença do animal são diferentes da suposta maldade que alguns personagens atribuem a ele.

Por que a criatura ataca as pessoas e os barcos?

O motivo central é a proteção da prole. A pesquisadora Fonda Howander (Mackenzie Davis) descobre que a Mãe possui uma cápsula de ovos presa a um iceberg. A temperatura da água aumentou tanto que ameaça a sobrevivência dos filhotes. A criatura reage agressivamente enquanto tenta permanecer perto deles e encontrar condições adequadas para sua reprodução.

Mas há outra diferença importante: nem todo ataque é uma reação consciente contra seres humanos. A Mãe também caça para se alimentar, utilizando uma secreção que atrai suas presas. A série constrói o terror justamente ao misturar instinto de sobrevivência, comportamento de defesa e efeitos inesperados sobre a comunidade.

Essa leitura ganha peso quando Calvin percebe que a criatura não está tentando se vingar dele pela morte do pai. Os dois compartilham um impulso parecido: proteger a família, mesmo quando isso exige enfrentar riscos.

Barco navega ao lado de um enorme iceberg nas águas de Terra Nova em Profundezas
O iceberg está diretamente ligado ao mistério dos ovos e à presença da Mãe na região. <strong>Foto:</strong> Jan Thijs/Netflix.

Como a Mãe contamina a água e provoca sede nos moradores?

Um dos mistérios mais inquietantes de Profundezas é o comportamento de pessoas que sentem sede insaciável, apresentam reações violentas e desenvolvem vontade de entrar no mar. Não se trata de uma maldição ou de uma epidemia sobrenatural: dentro da história, o fenômeno está ligado ao muco da Mãe.

As secreções usadas pelo cefalópode para capturar presas chegam aos icebergs e, com o derretimento, acabam no abastecimento de água da região. O mecanismo produz sede intensa e atrai os afetados para o oceano, onde se tornam alvos da criatura. É também por isso que um lote de gelo comercializado por Calvin é considerado inadequado logo no começo da trama.

Importante: esse efeito sobre o comportamento humano pertence à ficção da série. Não é uma característica comprovada de lulas-gigantes reais, e o roteiro não precisa que o público suponha a existência de um vírus, bactéria específica ou controle mental para explicar o fenômeno.

O que significa a marca circular nas costas de Wade?

Depois de um encontro com o animal, Wade Penney (Charlie Heaton) apresenta um ferimento arredondado. Fonda reconhece a semelhança com as marcas deixadas por lulas em cachalotes, que podem apresentar cicatrizes após encontros com cefalópodes.

À Netflix, a bióloga Annie Mercier, consultora da produção, comentou que os cefalópodes têm um bico rígido e que marcas em baleias ajudam os pesquisadores a investigar esse tipo de interação. Na ficção, a cicatriz funciona como evidência física de que Wade esteve perto do animal. As visões que ele tem e a história da chamada Velha Bruxa envolvem também segredos humanos da ilha — não são prova de poderes sobrenaturais da Mãe.

O que acontece com os ovos da criatura?

A descoberta da cápsula de ovos muda a decisão de Calvin. Em vez de ajudar a destruir a criatura, ele e a família tentam levar o iceberg para águas mais profundas e frias, longe do ataque militar preparado contra a Mãe.

Apesar do esforço, os filhotes não sobrevivem. Perto do desfecho, Fonda revela que a água já estava quente demais para que os ovos se desenvolvessem com sucesso. A tragédia reforça que o principal conflito do animal não é com os moradores, mas com um ambiente que deixou de oferecer as condições necessárias à sua reprodução.

O comportamento protetor tem inspiração científica, ainda que a Mãe não reproduza fielmente uma espécie conhecida. Pesquisadores do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI) documentaram, por exemplo, uma fêmea de polvo de águas profundas que protegeu seus ovos durante quatro anos e meio. É um caso real de cuidado parental extremo em cefalópodes — não uma comprovação da existência do monstro da Netflix.

Pesquisador mostra dados à bióloga Fonda Howander em laboratório na série Profundezas
A investigação de Fonda permite compreender a espécie fictícia e os efeitos de suas secreções. <strong>Foto:</strong> Jan Thijs/Netflix.

A Mãe é realmente a vilã de Profundezas?

A série responde que não é tão simples. A Mãe causa mortes e representa perigo, mas age a partir de instintos de caça e proteção. Enquanto isso, humanos exploram o pânico em benefício próprio. A família de Walton Budgell afirma manter uma espécie de acordo com o animal, oferecendo vítimas em troca de peixes. Já os Crocker usam a ameaça como argumento para afastar os moradores e facilitar seus interesses de mineração.

O contraste é deliberado: a criatura provoca terror, mas não articula os planos econômicos e os sacrifícios humanos que agravam a tragédia. Ao final, compreender seu comportamento se torna mais útil do que simplesmente tentar exterminá-la.

Para conhecer o início do mistério e os personagens, veja o guia de Profundezas no Overdrive. O portal também explica quem são as criaturas de A Última Casa, outro suspense da Netflix que usa o oceano para discutir a relação entre humanidade e natureza. Quem procura outras histórias curtas encontra ainda nossa seleção de minisséries da Netflix para maratonar.

Onde assistir Profundezas?

Os seis episódios de Profundezas estão disponíveis na Netflix Brasil. A minissérie criada por Jesse McKeown estreou em 8 de outubro de 2026 e é estrelada por Josh Hartnett, Mackenzie Davis e Charlie Heaton.

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