O que você vai encontrar
1. Relembre protagonistas icônicas do mundo dos games
2. Lara Croft em Tomb Raider
3. Tifa Lockhart em Final Fantasy VII
4. Jill Valentine em Resident Evil
5. Claire Redfield em Resident Evil
6. Senua em Hellblade: Senua’s Sacrifice e Hellblade II
7. Jesse Faden em Control
8. Aloy em Horizon Zero Dawn e Horizon Forbidden West
9. Sadie Adler em Red Dead Redemption II
10. Chloe Frazer e Nadine Ross em Uncharted: The Lost Legacy
11. Abby em The Last of Us Part II
12. Ellie em The Last of Us Part I e The Last of Us Part II
A história dos videogames passou muito tempo tratando personagens femininas de forma limitada. Durante anos, elas apareceram mais como prêmio de fim de fase, interesse romântico ou coadjuvantes sem grande profundidade. Isso não significa que não existissem figuras marcantes, mas o espaço quase sempre era menor do que deveria. Com o amadurecimento da indústria e a mudança na forma de contar histórias, esse cenário começou a mudar.
Hoje, as protagonistas femininas dos games ocupam papéis centrais em algumas das franquias mais importantes do mercado. Elas lideram aventuras de ação, terror, RPG e ficção científica; carregam narrativas complexas; e ajudam a mostrar como os jogos evoluíram não só tecnicamente, mas também na construção de personagens. No Dia Internacional da Mulher, vale olhar para algumas dessas figuras que ajudaram a transformar o imaginário dos videogames.
Relembre protagonistas icônicas do mundo dos games
Lara Croft em Tomb Raider

É difícil começar por outro nome. Lara Croft é, para muita gente, a personagem feminina mais famosa da história dos games. Sua estreia aconteceu em 1996, no primeiro Tomb Raider, e o impacto foi imediato. Lara virou símbolo da era 32 bits, apareceu em capas de revista, campanhas publicitárias, adaptações para o cinema e se tornou um dos rostos mais conhecidos da indústria.
Ao mesmo tempo, a personagem também ficou presa por anos a uma representação muito ligada à objetificação, marca de um período em que a indústria ainda tratava mulheres sob um olhar mais raso. A força de Lara está justamente em ter atravessado essa fase e sobrevivido a ela. Nos reboots mais recentes, a protagonista foi reconstruída com outro foco: menos caricatura, mais humanidade.
A nova fase da personagem apresentou uma heroína mais vulnerável, mais física, mais marcada pela sobrevivência e pelo trauma. Em vez de apenas posar como um ícone de ação, Lara passou a ser mostrada como alguém que aprende, sofre, insiste e cresce. Isso ajudou a reposicionar Tomb Raider e também a própria personagem dentro da conversa sobre protagonismo feminino nos games.
Tifa Lockhart em Final Fantasy VII

Tifa Lockhart é um caso interessante porque sua importância vai muito além do visual marcante pelo qual ela muitas vezes é lembrada à primeira vista. Em Final Fantasy VII, lançado originalmente em 1997, Tifa ocupa um papel decisivo na história. Ela não está ali apenas como apoio de grupo. É uma peça central da narrativa, especialmente na forma como a trama de Cloud se sustenta emocionalmente.
Integrante da Avalanche e dona do bar Seventh Heaven, Tifa participa da luta contra a Shinra desde o início, mas também ajuda a dar peso íntimo ao enredo. Em uma história cheia de temas como memória, identidade, trauma e manipulação, ela funciona como um elo fundamental entre quem Cloud é, quem ele pensa ser e o que de fato aconteceu no passado.
Outro ponto importante é que Tifa se consolidou como uma das personagens mais populares dos JRPGs. Seu estilo de combate corpo a corpo, a mistura de firmeza com empatia e a presença constante em produtos derivados da franquia ajudaram a colocá-la entre os nomes mais icônicos da história da Square Enix. O remake recente só reforçou isso, ao ampliar sua presença e aprofundar ainda mais sua personalidade.
Jill Valentine em Resident Evil

Se o assunto é sobrevivência, poucos nomes têm o peso de Jill Valentine. Ela surgiu no primeiro Resident Evil, em 1996, já como integrante da S.T.A.R.S., e desde aquele momento passou a ser uma das figuras centrais da franquia. Jill não é marcante apenas porque está em jogos importantes, mas porque ajudou a definir o tom do survival horror.
No jogo original, ela encara a mansão Spencer e tudo o que aquele lugar representa para a série: o medo do desconhecido, a conspiração corporativa e o horror biológico. Depois, em Resident Evil 3, sua imagem se fortaleceu ainda mais com a fuga de Raccoon City e a perseguição de Nemesis, um dos monstros mais famosos dos games.
Jill virou sinônimo de frieza sob pressão, inteligência e resiliência. Ela faz parte daquela geração de personagens da Capcom que ajudou a transformar o gênero em um fenômeno mundial, e continua sendo uma das favoritas dos fãs justamente porque transmite a sensação de competência o tempo todo.
Claire Redfield em Resident Evil

Claire Redfield entrou em Resident Evil 2 com uma motivação simples e muito eficaz: encontrar o irmão, Chris. A partir daí, porém, a personagem ganhou vida própria. Claire não virou marcante só por estar em um jogo clássico, mas pela forma como equilibra coragem, humanidade e persistência em meio a um cenário de colapso total.
Enquanto muitos personagens em histórias de terror seguem um caminho mais endurecido, Claire se destaca por manter empatia. A relação dela com Sherry Birkin é uma das melhores da franquia e ajuda a mostrar outra dimensão da personagem. Ela luta, sobrevive e enfrenta monstros, mas nunca perde completamente a sensibilidade.
É por isso que Claire continua sendo tão querida. Dentro de um universo em que a violência é regra, ela representa uma protagonista que não abre mão do lado humano. Isso deu à personagem uma identidade muito própria dentro da série.
Senua em Hellblade: Senua’s Sacrifice e Hellblade II

Senua é uma das personagens mais marcantes dos games nos últimos anos. E não porque foi escrita para parecer invencível ou maior do que tudo ao redor. A força dela aparece de outro jeito, mais humano e mais doloroso. Em Hellblade: Senua’s Sacrifice e depois em Senua’s Saga: Hellblade II, o que chama atenção é justamente a forma como sua jornada é construída a partir de luto, trauma, medo e sofrimento psicológico.
No primeiro jogo, lançado em 2017, a Ninja Theory chamou atenção pela maneira como tratou saúde mental dentro de uma fantasia sombria, opressiva e muito sensorial. A experiência de Senua é íntima, desconfortável e, em vários momentos, pesada. Isso faz com que a personagem se distancie bastante do modelo mais tradicional de heroína dos videogames. Em vez de alguém definida só por bravura ou poder, ela é apresentada como uma mulher em confronto constante com as próprias dores.
É justamente aí que Senua ganha tanta força. Sua caminhada não é sobre parecer inabalável, mas sobre continuar mesmo quando tudo ao redor parece desabar. Poucas protagonistas recentes foram construídas com esse nível de intensidade emocional. Por isso, Senua virou um nome tão importante para os games: ela mostra que protagonismo feminino também pode ser feito de fragilidade, coragem e persistência ao mesmo tempo.
Jesse Faden em Control

Quando Control foi lançado, em 2019, uma das primeiras coisas que chamaram atenção foi a presença de Jesse Faden. Em um jogo tão estranho, simbólico e cheio de camadas, ela funciona como o eixo que mantém a narrativa firme. Jesse chega ao Federal Bureau of Control atrás do irmão, mas rapidamente se vê no centro de algo muito maior.
A personagem cresce porque combina mistério, segurança e curiosidade. Ela não é uma protagonista expansiva nem excessivamente explicativa. Em vez disso, vai se impondo pela postura, pelo olhar e pela forma como reage ao absurdo ao redor. Isso combina perfeitamente com o tom de Control.
Também pesa a favor dela o fato de ser uma personagem muito boa de controlar. Seus poderes, que incluem levitação, telecinese e manipulação de objetos, fazem com que Jesse se torne memorável também no nível da jogabilidade. É uma protagonista que funciona tanto na narrativa quanto na ação.
Aloy em Horizon Zero Dawn e Horizon Forbidden West

Aloy é uma das grandes personagens do PlayStation moderno. Sua estreia em Horizon Zero Dawn, em 2017, apresentou uma heroína extremamente competente, curiosa e determinada, em um mundo que mistura tribalismo, ruínas tecnológicas e criaturas mecânicas.
O que faz Aloy funcionar tão bem é que ela não é só forte em combate. Sua principal característica talvez seja a vontade de entender. Ela quer descobrir de onde veio, quer compreender o passado daquele mundo e quer desafiar verdades impostas pela tradição. Isso dá à personagem uma força intelectual que a diferencia bastante.
Ao longo da série, Aloy se consolida como uma figura capaz de carregar um universo enorme nas costas. Ela enfrenta máquinas gigantes, facções rivais e ameaças cada vez maiores, mas nunca perde o senso de propósito. Virou, com razão, uma das principais protagonistas da geração.
Sadie Adler em Red Dead Redemption II

Sadie Adler não ocupa o posto de protagonista principal em Red Dead Redemption II, mas sua presença é tão forte que ela quase sempre entra nesse tipo de lista. E entra com mérito. Quando a história começa, Sadie é vítima de uma violência brutal. O que vem depois, porém, está longe de ser um arco de fragilidade.
Ao longo do jogo, ela passa por uma transformação enorme. Sadie se recompõe, ganha espaço, endurece e se torna uma das figuras mais perigosas e determinadas de toda a narrativa. O mais interessante é que isso não acontece de forma artificial. A mudança vem acompanhada de dor, luto e raiva, e por isso parece tão convincente.
Em um universo tão masculino quanto o do Velho Oeste recriado pela Rockstar, Sadie conseguiu se impor como uma das personagens mais inesquecíveis do jogo. Isso diz muito sobre sua força narrativa.
Chloe Frazer e Nadine Ross em Uncharted: The Lost Legacy

Uncharted: The Lost Legacy foi importante porque mostrou, na prática, que a franquia conseguia funcionar muito bem sem Nathan Drake no centro. Chloe Frazer e Nadine Ross seguram o jogo com tranquilidade. A química entre as duas é boa, o contraste de temperamentos funciona e a aventura mantém o espírito da série.
Chloe já era conhecida dos fãs, mas ali ganhou espaço para mostrar mais do que ironia e oportunismo. Nadine, por sua vez, trouxe firmeza, técnica e uma presença forte em cena. Juntas, elas formam uma dupla que sustenta ação, humor e tensão.
Esse protagonismo compartilhado foi importante porque reforçou algo que nem deveria precisar ser provado, mas muitas vezes ainda precisa: personagens femininas conseguem carregar blockbusters de aventura com a mesma naturalidade que qualquer protagonista masculino.
Abby em The Last of Us Part II

Poucas personagens recentes foram tão debatidas quanto Abby. Em The Last of Us Part II, ela aparece primeiro como ruptura e incômodo. Depois, passa a ser entendida por camadas mais complexas. A Naughty Dog escolheu construir Abby de uma forma arriscada e desconfortável, e justamente por isso ela se tornou tão marcante.
A personagem obriga o jogador a rever certezas, desloca simpatias e amplia o campo moral da história. Abby não está ali para ser unanimidade. Está ali para tensionar tudo o que o jogo quer discutir sobre perda, vingança, desumanização e perspectiva.
Mesmo com toda a divisão que gerou, Abby já entrou para a história dos games. Não só pela força física e pela brutalidade que exibe, mas porque é uma das personagens mais complexas da produção de alto orçamento recente.
Ellie em The Last of Us Part I e The Last of Us Part II

Se Abby provoca ruptura, Ellie provoca identificação imediata. Desde o primeiro The Last of Us, ela se destacou por ser espirituosa, corajosa, observadora e profundamente humana. O público acompanhou seu amadurecimento de perto, e isso ajudou a criar uma conexão muito forte com a personagem.
No segundo jogo, essa relação fica ainda mais intensa. Ellie deixa de ser apenas a garota perspicaz do início da jornada para se tornar o centro de uma narrativa mais dura, mais dolorosa e mais trágica. A personagem erra, insiste, se perde e machuca. E é justamente essa humanidade imperfeita que faz dela uma das protagonistas mais importantes dos videogames.
Ellie não é lembrada só porque está em uma grande franquia. Ela é lembrada porque carrega emoções difíceis de forma muito convincente. É uma personagem que marcou uma geração.



