Cinema e TV

Crítica – The Last of Us S2E5 – Sinta o Amor Dela

Mais uma semana de The Last of Us , com a série já encaminhando para os finalmentes dessa segunda temporada que será menor do que a...

Matheus Cabral Matheus Cabral há 11 meses
Nota N/A

Critica editorial

Mais uma semana de The Last of Us , com a série já encaminhando para os finalmentes dessa segunda temporada que será menor do que a...

Mais uma semana de The Last of Us, com a série já encaminhando para os finalmentes dessa segunda temporada que será menor do que a primeira com apenas sete episódios. Temos aqui um capítulo que acelera ainda mais a jornada de Ellie (Bella Ramsey) e Dina (Isabela Merced) e que carrega consigo mudanças bem pontuais sobre o universo da série e os acontecimentos do jogo. Após o dia um em Seattle, vimos como ambas seguirão pelo caminho para encontrar Abby (Kaitlyn Dever) e seus companheiros.

É engraçado ter sentimentos ainda mais mistos em relação a série depois desse episódio. Não acho que um trabalho ruim esteja acontecendo aqui (como vejo algumas pessoas afirmarem por aí), mas sim que cada vez mais sinto uma aceleração do roteiro que prejudica um pouco a experiência com a série. Mas vamos seguir e desenvolverei isso melhor durante o texto.

Sempre bom lembrar que a crítica não possui spoilers da história para além dos acontecimentos mostrados na série. Então, quem não jogou The Last of Us Part 2 pode continuar seguro pelo texto.

Sinta o Amor Dela: O impulso da violência e da pressa

\"The
Ellie se lembra do seu objetivo ao tocar as primeiras notas de Future Days. (HBO/Reprodução)

O título do quinto episódio da segunda temporada de The Last of Us faz referência ao culto dos Serafitas pela Profetisa, uma figura que não vou entrar muito em detalhes para não trazer spoilers. Mas basicamente esse é um lema que eles utilizam para cultuá-la em Seattle e vamos ver um pouco mais disso também neste capítulo.

Vamos começar pelo início do episódio mesmo: o drama no hospital dominado pela WLF. É importante já falarmos sobre isso porque essa cena confirma algo que veremos mais tarde no episódio e que é uma mudança em relação ao que os próprios produtores falavam sobre a adaptação desde a primeira temporada.

Vemos uma personagem chamada Hanrahan (Alanna Ubach) conversando com Elise Park (Hettienne Park), uma sargento da WLF, no hospital que serve como base para o grupo. Hanrahan já havia aparecido anteriormente no flashback de Isaac (Jeffrey Wright), sendo uma das responsáveis pela tomada de Seattle pela WLF.

Elas discutem um acontecimento que marcou o grupo comandado por Elise naquele mesmo ambiente: uma parte de seus soldados teve que ser preso nos andares subterrâneos do hospital. Isso porque foi relatado para ela por seu próprio filho, que estava no grupo de expedição, que o ar possuía esporos do cordyceps. Consternada, Elise tomou a decisão de trancar todos os soldados no subterrâneo para evitar uma contaminação da comunidade.

O hospital é um local importante para a WLF, afinal de contas muitos recursos ainda os servem por ali. Eles precisavam explorar os andares mais baixos para se assegurarem de limpar os possíveis infectados que poderiam povoar o local. Mas descobriram esses esporos no ar e precisaram se sacrificar para evitar um desastre ainda maior com os outros sobreviventes.

Agora, curioso ver que a série está nos mostrando justamente a atitude de alguém que fez o contrário de Joel (Pedro Pascal). Enquanto Joel sacrificou a possível cura para a humanidade ao salvar Ellie e matar o médico que poderia estudar a imunidade, Elise Park deixou o próprio filho morrer ao trancafiá-lo com os esporos. Vemos até que as portas para esses andares estão profundamente fechadas e trancadas, para evitar que a infecção se alastre.

O cordyceps agora se torna ainda pior: ele pode infectar pelo ar e não mais só com as mordidas. Isso será importante em outro momento do episódio, mas até chegar lá preciso evidenciar uma coisa. Os produtores voltaram atrás em relação aos esporos, isso porque na primeira temporada eles disseram que não iriam utilizar esse recurso pois ficaria quase surreal o elemento não ter se espalhado por todo o mundo.

Nos jogos de The Last of Us os esporos fazem parte de vários momentos da trama e são importantes para a apresentação de alguns ambientes que visitamos. Talvez antes achavam que o orçamento não caberia para fazer uma cena como essa e viram a oportunidade agora. Ou só mentiram para nós mesmo e já sabiam como iriam fazer desde o princípio. No mais, vimos como ficaria um ambiente com os temíveis esporos no ar mais pro final do episódio.

Seguindo, Ellie e Dina continuam no teatro que tinham chegado no dia anterior. É muito legal ver a Dina triangulando as informações que os soldados da WLF despejam pelos comunicadores, além das marcações no mapa que a mesma rabisca a todo momento. Isso ficou bem parecido com o jogo. Ela muito espertamente consegue acertar uma questão importante sobre os Serafitas (ou Cicatrizes como os WLF zombam): eles não utilizam tecnologia.

Dina faz essa afirmação pois percebe que as informações compartilhadas pelos soldados da WLF nos comunicadores é importante, já que localização e outras questões são faladas sem qualquer medo de serem interceptadas pelo grupo rival. E realmente, os Serafitas mostrados até agora não parecem muito adeptos da tecnologia, os vimos vestidos com mantos esquisitos e utilizando tochas, arcos e até mesmo se comunicando por assobios. Teríamos mais um vislumbre disso em breve.

Ellie que explora o teatro e encontra um violão toca e canta o início da música Future Days do Pearl Jam, que já foi utilizada como título do primeiro episódio dessa temporada. É importante para a personagem sentir as primeiras palavras apresentadas na canção: “Se por acaso eu te perdesse Eu com certeza perderia a mim mesmo”. Vemos que seu semblante muda e ela lembra novamente do porque está ali em Seattle.

Ao se juntar com Dina e tendo todas as informações necessárias ambas partem para chegar até Nora (Tati Gabrielle). O comunicador dá de bandeja que a mesma está no hospital que foi mostrado no início do episódio e é pra lá que Ellie e Dina se encaminham. 

Em uma conversa descobrimos o passado de Dina e como foi a primeira vez que ela teve que matar alguém. Dá pra ver por aqui que uma boa parte do que é a Ellie no jogo foi transferido pra própria Dina. Ao falar que não importava o que Joel fez para merecer aquilo, vemos o ódio e o desejo de vingança em Dina florescer e não em Ellie como se mostra no jogo.

Ellie neste momento da história do game está totalmente fogo nos olhos. Sua vingança é a única coisa que importa e nada vai fazer ela voltar para trás. Veremos que a mudança na sua versão da série passa um pouco pelo acontecimento com Nora. Ela até mesmo pergunta se Dina quer retornar para Jackson e se culpa por ter chegado até ali com ela, justamente pela descoberta da gravidez.

É uma mudança que impacta a forma como vemos a Ellie, que reiterando mais uma vez, não é e nem precisa ser idêntica a sua versão de The Last of Us Part 2. E é óbvio que muita gente vai desaprovar isso, acontece e é pra isso que temos uma adaptação mesmo. Gostando ou não é diferente e isso por si só já é interessante. Talvez vamos ver uma mudança mais bem construída (ou não) por parte do roteiro.

Ao serem mais cuidadosas para atravessar a cidade, elas acabam chegando em uma espécie de armazém enorme que está vazio por um motivo: infectados. Enquanto os holofotes da WLF patrulham o local por fora, o enorme edifício se encontra silencioso.

Temos o segundo vislumbre dos Espreitadores na série e dessa vez com vários no mesmo local. A cena foi muito bem filmada com o ataque dos infectados sendo bem aterrorizante. Ellie cria um plano para se sacrificar por Dina, e vemos que tudo aquilo daria muito errado caso não fosse o surgimento de Jesse (Young Mazino) que atira nos Espreitadores salvando ambas de um destino cruel.

No making off de The Last of Us, os produtores disseram que essa cena era para fazer com que Ellie achasse que fosse Joel chegando para seu resgate. Como a personagem está atordoada na hora eu consegui entender exatamente isso. Ela ainda se apega a figura de Joel e está constantemente se lembrando nesse episódio do motivo de estar em Seattle.

Vou ser sincero, Jesse surgiu do mais absoluto nada aqui. Tudo bem que no jogo isso também meio que acontece e o personagem também simplesmente brota do nada. Mas a desculpa dada aqui é meio que qualquer coisa também. Ele veio para Seattle junto com Tommy (olha ai, eles não abandonaram totalmente o plot) e a ideia era retirar elas dali para voltarem para Jackson.

Ao escaparem de uma patrulha da WLF eles acabam entrando no parque da cidade. Os Lobos não os seguem por ali pois sabem que o local está dominado pelos Serafitas. Ao explorarem o local e escutarem os assobios, eles presenciam um dos rituais que a seita faz com os inimigos: eles os enforcam e retiram as tripas para fora. Ellie e Dina já tinham visto o resultado dessa ação lá no prédio do canal de TV, mas agora podem ter um vislumbre de como isso acontece.

\"The
Mais um vislumbre dos Serafitas na série. (HBO/Reprodução)

Os Serafitas citam a Profetisa durante todo o momento, dizendo que ela vai entregar para eles a visão necessária para que isso ocorra, tratando o membro da WLF como um herege impuro. O grupo acaba sendo descoberto e Dina toma uma flechada na perna, fazendo com que os três se dividam para conseguirem fugir dos cultistas. Jesse carrega Dina enquanto Ellie foge sozinha.

Na sua fuga, Ellie encontra a entrada para o hospital que vimos no início do episódio e nem pensa duas vezes em seguir o caminho. Isso demonstra que mesmo desconhecendo o estado de Dina e Jesse, sua vingança torna-se mais importante no momento, já que é onde Nora está. 

Vou seguir com a história em breve porque preciso comentar algo que já havia falado na crítica anterior: os roteiristas estão muito apressados para o meu gosto. Quando foi revelado que a segunda temporada dividiria a história de The Last of Us Part 2 e não iria adaptá-la em sua totalidade eu torci o nariz. Claramente ainda não tinha entendido que o segundo jogo tinha material o suficiente para ser adaptado em mais de uma temporada.

Depois amadureci a ideia pois via que a expansão utilizada pela primeira temporada nos acontecimentos de The Last of Us foi muito bem implementada. Vi aqui uma ótima forma de também expandir ainda mais os temas e fatos que o segundo jogo trazia de forma exemplar nesta temporada e na próxima que já está confirmada. Mas agora, apesar de realmente ver um conteúdo diferente e um pouco mais trabalhado em certos momentos, também consigo sentir a pressa que está acontecendo no roteiro.

Este quinto episódio me deu a sensação de ser uma imensa colagem de alguns acontecimentos marcantes de The Last of Us Part 2, quase como um imenso resumo mesmo sabe?! E não digo que era necessário encher linguiça, ou adaptar exatamente cada momento que passamos com Ellie em Seattle. Mas tá tudo acontecendo rápido de mais. Mal piscamos e já estamos na reta final da temporada.

O episódio é o mais curto até agora, com apenas 45 minutos. Pelo tempo adaptado do segundo jogo até aqui isso é irrisório, dava sim pra ter estendido um pouco mais e nos mostrado Dina e Ellie na sessão da escola ou explorando um pouco mais de Seattle. Ficou devendo um pouco, já que o plot está sendo consideravelmente acelerado. Ás vezes é necessário dar tempo ao tempo e não necessariamente começar a enrolar. O ritmo que tem sido o problema.

A adaptação da sequência do parque era o segundo momento que eu mais estava esperando para ver na série. No game, Ellie não está acompanhada por ninguém ao se deparar com os Serafitas e ter todos eles ali se comunicando com assobios no escuro é de deixar qualquer um tenso. Na série isso não durou nem um pouquinho e a ameaça que o grupo representa nem está sendo bem explorada. Não estou pedindo um monte de sequências de ação pois, claramente, o jogo necessita de um combate cadenciado para manter a atenção do jogador. Mas sim que nos mostre a Ellie de fato lidando com esses embates de forma mais direta. Parece tudo tão mais fácil.

Enfim, voltando para o episódio, Ellie conseguiu se infiltrar no hospital e encara Nora que foge para o andar mais baixo do local. Sim, é lá que o grupo anterior se deparou com os esporos. Sendo perseguida por Ellie, ela acaba parando por conta do efeito que o fungo no ar causa. O diálogo entre as duas aqui é muito bom, bem similar ao que acontece no jogo com Ellie questionando Nora onde Abby se encontra no momento.

Nora revela um pouco mais dos acontecimentos em Salt Lake City da primeira temporada, do porque Joel acabou sendo morto por Abby. Ellie revela que já sabia de tudo aquilo e começa a torturar Nora com uma barra de ferro para descobrir onde Abby está.

\"The
Ellie confronta Nora em uma cena bem parecida com a do game. (HBO/Reprodução)

Os produtores claramente utilizaram esse momento como um ponto de virada para a personagem. Até agora, como comentei anteriormente, me parecia que todo ódio e raiva de Ellie não estava transparecendo como deveria. Eu sinceramente espero que isso mude a partir de agora, pois realmente gostaria de ver um pouco mais dessa raiva que acredito que será importante para o desenrolar da narrativa.

Eles mudaram bastante coisa em relação ao material original e me parece que The Last of Us busca se afastar do modo como as coisas foram feitas na obra da Naughty Dog. Se essas mudanças vão se sustentar até o fim, não sabemos, mas fato é que o principal ponto negativo da série até aqui é seu ritmo acelerado e a não preocupação em como algumas coisas vão ser apresentadas para os telespectadores.

A ida de Tommy pra Seattle também foi diferente, ou seja, não abandonaram por completo o plot do personagem. Se isso vai se transformar exatamente no que já sabemos que vai acontecer, apenas o tempo dirá. Da forma que as coisas estão correndo fica difícil de saber se a terceira temporada terá fôlego para manter a história interessante.

O episódio deixa um gosto meio amargo na boca mas ainda fico interessado em continuar vendo para onde tudo isso vai dar. Faltam apenas dois episódios para descobrirmos como e onde The Last of Us vai fechar essa segunda temporada.

The Last of Us está em exibição pela HBO todos os domingos às 22h. A série também fica disponível no mesmo horário no Max.

Leia mais:

The Last of Us: Jesse morre na série?

Crítica – The Last of Us S2E4 – Dia Um

Tags:

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar sobre
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentarios
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x