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Crítica – The Last of Us S2E4 – Dia Um

A série de The Last of Us volta com um episódio concentrando nos acontecimentos do primeiro dia em Seattle. Conduzido por mudanças em...

Matheus Cabral Matheus Cabral há 11 meses
Nota N/A

Critica editorial

A série de The Last of Us volta com um episódio concentrando nos acontecimentos do primeiro dia em Seattle. Conduzido por mudanças em...

A série de The Last of Us volta com um episódio concentrando nos acontecimentos do primeiro dia em Seattle. Conduzido por mudanças em relação a narrativa do jogo, o quarto episódio vem com uma aceleração dos fatos, impulsionado por outras mudanças que já aconteceram nos capítulos anteriores. E essa pressa para resolver algumas coisas pode ser prejudicial para a história em determinado momento, como foi nesse episódio.

Para além disso, vemos um episódio que expande pouco sobre a WLF e os Serafitas mas que ao mesmo tempo dá indícios de que mais coisas podem vir no futuro em relação aos grupos de Seattle. Mas não dá pra negar que foi um episódio muito bem produzido e falarei sobre isso mais tarde na crítica.

Mais uma vez, como digo em todos os textos, essa crítica não possui spoilers para além do ponto da narrativa do jogo que a série se encontra. Então, pode prosseguir com tranquilidade.

Dia Um: O amor e o ciclo de violência

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Isaac deve ter mais cenas na série em relação ao game. (HBO/Reprodução)

Esse é um episódio extremamente focado na relação entre Ellie (Bella Ramsey) e Dina (Isabela Merced), relacionamento esse que vem sendo construído desde o primeiro capítulo e de forma diferente do que aconteceu no jogo. O título se refere justamente a isso: é o primeiro dia de ambas na grande Seattle. É curioso porque eles utilizam o mesmo recurso do game, visto que lá também se separa os acontecimentos em dias numerados dentro da cidade. Isso é uma referência simples mas que remete diretamente ao jogo e a sua estrutura. Guardem isso pois pode ser importante no futuro.

Já começamos em um flashback que se passa 11 anos antes dos tempos atuais da narrativa. Vemos uma Seattle dominada pela FEDRA, organização que estava presente durante a primeira temporada, e que também comanda com tirania a vida dos sobreviventes daquela comunidade. Eles retiraram os direitos de voto daquela população, acabando com a democracia do lugar e conduzindo a população de acordo com a vontade da organização.

Um personagem muito importante no segundo jogo está aqui: Isaac Dixon (Jeffrey Wright). O ator retornou ao papel que já tinha feito no game, sendo mais um que reprisa a atuação na produção da HBO. A série tenta dar mais um pouco de contexto para Isaac, que passa um pouco despercebido durante a história de The Last of Us Part 2. Acho válido que mais pontos do conflito eterno que acontece em Seattle seja explorado. Vemos que ele está disposto a tudo para tomar o controle, mesmo que no início seus objetivos tenham sido nobres. Mas o tempo o mudou completamente.

Já vou tirar do caminho a outra cena que temos neste episódio com Isaac, também algo inédito. Ele está torturando um Serafita, tentando entender qual o próximo lugar que eles atacarão na cidade. Podemos notar que os integrantes da WLF chama-os de “Cicatrizes”, zombando de um dos procedimentos que são feitos por eles para adentrar na seita.

Com muita violência, vemos que Isaac pode ter mudado bastante após anos nesta guerra interminável. Os dois trocam acusações sobre quem ataca quem, qual dos grupos está sendo mais violento e a respeito da quebra na trégua que foi feita neste combate. A série está aqui para mostrar que esse ciclo de violência já está tão denso que nem dá pra saber qual dos dois iniciou o conflito primeiro.

A violência está tão enraizada no cotidiano desses dois grupos que nem importa mais quem iniciou o conflito primeiro. Ninguém é 100% bom ou mal, dando os tons cinzas que também são passados no game. A mensagem está sendo entregue, mesmo que pra isso a série precise se ancorar em decisões apressadas e mudanças substanciais. E é nessa mensagem que a narrativa de The Last of Us Part 2 cresce, e se a série atingir esse ponto já vai ter valido totalmente a pena.

Então, acho que essas expansões sejam bem justificadas como foi lá na primeira temporada. Entretanto, fico meio chateado pela velocidade que as coisas estão acontecendo e talvez essas partes extras estejam tirando da tela possíveis momentos mais importantes e legais do game. Não acho que uma enrolação seja benéfica para a narrativa, ou então que eu queira ver uma transposição direta de algumas coisas do jogo. Só as vezes dá sensação de que podia ter sido diferente. Talvez até melhor, ou mesmo pior, não sabemos. Não que necessariamente isso seja completamente ruim para a adaptação, mas era a chance de ver algumas coisas acontecerem que acabaram não rolando. Mas nada ainda muito substancial e extremamente necessário.

Vamos agora para o principal núcleo desse episódio o qual tomou totalmente o tempo do capítulo. E que bom que tomou porque a dinâmica entre Ellie e Dina continua funcionando perfeitamente. Após adentrarem Seattle e verem como o local parecia pacífico, ambas começam a descobrir cada vez mais rastros de violência. É dado a entender que um grande conflito ocorreu aqui por muito tempo, já que tanques de guerra, corpos de soldados e outras coisas relacionadas se espalham pelas pistas da metrópole.

Quem jogou o game sabe o quão gigantesca é essa parte do dia um em Seattle. Claro, temos que levar em consideração que eles nunca adaptariam totalmente todos os possíveis acontecimentos que Ellie e Dina passam nesse primeiro momento. Digo possíveis porque no segundo game temos a opção de ir ou não em determinados lugares, tornando alguns momentos completamente opcionais. Mas tiveram outros fatos que aqui não foram adaptados como o trecho da escola por exemplo.

E um dos momentos opcionais que adaptaram aqui era o mais importante: a sequência na antiga loja de música. A atmosfera do ambiente está perfeita e idêntica ao jogo. Ver a Ellie tocando Take On Me do a-ha mas dessa vez sendo performado pela Bella Ramsey foi muito reconfortante. A atuação da Isabela Merced no momento também é muito convincente, e passa a certeza de que é ali que Dina tem a certeza de seu amor por Ellie.

Passando pelo momento bonito do episódio, vamos direto para a sequência na estação de TV de Seattle. Ao adentrar no local, Ellie e Dina conseguem visualizar que um conflito recente aconteceu ali. Flechas são encontradas no corpo de alguns membros da WLF, enquanto outros foram pendurados enforcados e com as vísceras de fora. Isso é trabalho dos Serafitas, mesmo grupo que apareceu no episódio anterior e que são contrários aos Lobos (como os membros da WLF são chamados por eles).

E aqui eu já posso falar uma coisa, apesar do tom apressado que a série tomou nesse episódio, é de se maravilhar com a qualidade da produção nos sets. Aqui na estação de TV e no próximo momento do metrô, os ambientes são completamente idênticos ao jogo. E é por isso que a pressa para as coisas acontecerem não permite sentirmos mais dessa atmosfera que foi tão bem feita para a série. A sequência aqui no estúdio foi rápida e quase não deu pra de fato apreciar o excelente trabalho da equipe por trás dos cenários. Ellie e Dina são confrontadas por um grupo da WLF que chegaram após os derrotados terem pedido reforços.

A sequência de ação do episódio então começa, tendo poucos momentos de tensão e conflito aqui na estação de TV. No game, essa parte é consideravelmente maior e achei que podia sim ter tido um pouco mais de combate na série. Ao fugirem, ambas vão parar em uma estação de metrô abandonada e tendo sido flagradas pelos outros membros da WLF, eles conseguem adentrar o local por outra entrada.

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Ellie e Dina fogem pelo metrô. (HBO/Reprodução)

Toda a cena é muito bem conduzida, com os soldados da WLF utilizando os sinalizadores vermelhos para iluminar o local e despertando a atenção dos infectados ao redor. Ellie e Dina então precisam fugir da horda, passando por dentro dos vagões em uma cena tensa e muito bem filmada. Até que temos Ellie salvando Dina de uma mordida ao colocar seu próprio braço para defender a companheira. Nesse processo, Ellie acaba mordida.

Aqui temos uma adaptação diferente do game, e eu curti da forma que foi feita. Dina confronta Ellie pois sabe que quem é mordido por um dos infectados acaba se tornando um logo após. É necessário então dizer que ela é imune e também contar parte da verdade sobre seu passado.

Dina também revela que está grávida, tornando todo esse momento parecido com os acontecimentos do jogo. Segue-se para a cena de sexo entre as duas que havia sido cortada em um primeiro momento da série. No jogo, isso acontece lá em Jackson ainda. As duas atrizes possuem uma química bem convincente como já falei anteriormente, então a cena não pareceu apressada ou não condizente com a trama.

No game, pela questão dos esporos, Ellie e Dina precisam utilizar máscaras para atravessar a estação de metrô. Na fuga, a máscara de Ellie quebra e Dina prontamente oferece a sua para que ela permaneça respirando o ar limpo. Desesperada, Ellie a impede e revela que é imune contra o cordyceps. Esse é um trecho bem tenso no game e acredito que a alternativa aqui tenha ficado bem maneira também. Digo isso que é só pra ter mais uma demonstração da mudança realizada pelos roteiristas da série.

Após isso, Ellie e Dina acordam no segundo dia e escutam uma explosão. No rádio, membros da WLF passam informações e ambas escutam um nome: Nora. Essa é uma das pessoas que estava em Jackson durante a invasão, e provavelmente sabe onde Abby está.

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A cena que era anteriormente em Jackson, foi realizada em Seattle. (HBO/Reprodução)

Passamos da metade da temporada, e como citei anteriormente no texto, algumas decisões da adaptação me deixaram um pouco balançado nesse episódio. Ele não foi ruim, longe disso, mas a pressa para atravessar alguns momentos prejudicou um pouco o ritmo da série. Um episódio de seus 50 e poucos minutos podia sim ter mais de 1 hora para nos deixar sentir Seattle e seus ambientes. Eu entendo que a série precisa ser mais veloz ao mostrar algumas coisas, e que nem tudo precisa ser adaptado, mas fica aquele sentimento de que podia ter sido um tempo melhor aproveitado.

Apesar de gostar bastante da Ellie de Bella Ramsey, eu entendo quem não simpatizar tanto com a personagem da série em relação com a do game. Justamente por sentir em determinados momentos que aquela raiva e angústia que Ellie tem durante a narrativa de The Last of Us Part 2 não está sendo trazido a tona como talvez deveria aqui. O tom dos acontecimentos também não carregam tanto o lado sombrio que o segundo jogo possui e explora tão bem.

Talvez isso mude com o quinto episódio, pois nas prévias já podemos ver alguns indícios consideráveis do que está pra acontecer. No mais, apesar dos pesares o nível de The Last of Us permanece alto. Aguardemos pelos próximos capítulos pois agora só faltam 3 para o encerramento da segunda temporada.

The Last of Us está em exibição pela HBO todos os domingos às 22h. A série também fica disponível no mesmo horário no Max.

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