O enorme sucesso de Guerreiras do K-Pop acabou de chegar aos tribunais. A banda americana de metal Demon Hunter está processando a Netflix e a promotora AEG Presents por considerar que o nome original do filme, KPop Demon Hunters, está causando confusão entre o público — e afirma que isso já aconteceu na prática.
Entre os exemplos apresentados na ação está o caso de uma pessoa que gastou US$ 500 em ingressos para um show da Demon Hunter acreditando estar comprando entradas para uma apresentação ligada ao filme da Netflix. Depois de perceber o engano, o consumidor procurou a banda para pedir o dinheiro de volta.

Por que a Demon Hunter está processando a Netflix?
A ação foi apresentada pela Hyde Lane Inc., empresa responsável pela banda Demon Hunter, na Justiça federal da Califórnia. Netflix, Netflix Studios e AEG Presents aparecem como rés.
A banda acusa as empresas de infração de marca registrada, falsa indicação de origem e concorrência desleal. O argumento é que Demon Hunter atua no mercado musical há mais de duas décadas e já utilizava comercialmente esse nome muito antes da estreia de KPop Demon Hunters, em junho de 2025.
A Demon Hunter lançou seu primeiro álbum em 2002 e continua em atividade. No processo, o grupo afirma que o crescimento da franquia da Netflix para além do cinema — especialmente em música, produtos e apresentações ao vivo — aumentou a sobreposição entre as duas marcas.
O site oficial da Demon Hunter reúne a discografia, integrantes e agenda de shows da banda.

Fã gastou US$ 500 achando que compraria show de Guerreiras do K-Pop
O episódio mais curioso apresentado como evidência envolve um comprador que adquiriu ingressos de categoria superior para um show da Demon Hunter em Albany, no estado de Nova York.
Segundo a ação, a pessoa desembolsou US$ 500, cerca de R$ 2,6 mil na conversão usada pela cobertura brasileira do caso, imaginando que levaria duas meninas de cinco e seis anos a um espetáculo de Guerreiras do K-Pop.
Depois de descobrir que se tratava da banda de metal, o comprador entrou em contato para pedir reembolso ou crédito, dizendo que precisaria do dinheiro para adquirir entradas para o verdadeiro show relacionado à animação.
Não foi o único episódio citado pela Demon Hunter. Um produtor do programa americano Inside Edition também teria procurado a equipe da banda tentando marcar uma entrevista com um dos compositores do filme. O grupo aponta ainda usuários das redes sociais que marcaram seus perfis ao comentar sobre KPop Demon Hunters.
O que a banda quer que a Justiça faça?
A Demon Hunter pede que a Justiça limite o uso do nome KPop Demon Hunters pela Netflix em áreas que considera concorrentes diretas de sua própria atividade.
O pedido inclui uma ordem para impedir o uso da marca em:
- música gravada;
- shows e outras apresentações ao vivo;
- divulgação de concertos;
- produtos e merchandising.
A banda também pede indenização financeira, mas não especificou publicamente um valor.
Até a repercussão inicial da ação, Netflix e AEG Presents não haviam apresentado posicionamento público sobre as acusações. A reportagem da Reuters sobre o processo informa que representantes das empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
A turnê de Guerreiras do K-Pop está no centro da disputa
A disputa ficou mais delicada depois que a Netflix anunciou, em maio, uma parceria com a AEG Presents para realizar uma turnê mundial de KPop Demon Hunters.
O projeto pretende transformar elementos das apresentações do HUNTR/X vistas no filme em uma experiência ao vivo. A Netflix abriu uma lista de espera para interessados, mas ainda não confirmou oficialmente as cidades, datas nem a venda dos ingressos.
Os detalhes disponíveis podem ser consultados na página oficial da turnê de KPop Demon Hunters.
É justamente essa expansão para shows que ocupa espaço importante na argumentação da Demon Hunter. Para a banda, enquanto KPop Demon Hunters permanecia principalmente como o nome de uma animação, a distância entre os dois produtos era maior. Concertos, álbuns e merchandising colocariam as marcas em mercados muito mais próximos.
Demon Hunter já tinha a marca antes de Guerreiras do K-Pop?
Sim. A empresa da banda registrou nos Estados Unidos a marca “Demon Hunter” em 2022 para categorias que incluem música gravada e produtos. O grupo também busca proteção ligada a apresentações musicais ao vivo.
A Netflix, por sua vez, possui registros de “KPop Demon Hunters” para determinados tipos de produtos e outros pedidos ainda em análise.
Ter um registro anterior não significa, por si só, que a Demon Hunter vencerá o processo. O tribunal ainda precisará avaliar pontos como a semelhança entre as marcas, os mercados em que são utilizadas e a possibilidade de consumidores acreditarem que existe uma ligação comercial entre elas.
Guerreiras do K-Pop pode ter que mudar de nome?
Por enquanto, não. O processo representa um pedido da Demon Hunter à Justiça, e não uma decisão contra a Netflix.
Também não existe anúncio da Netflix de que Guerreiras do K-Pop será retirado do catálogo ou receberá outro título. Os pedidos relatados até agora são especialmente direcionados ao uso de KPop Demon Hunters em músicas, produtos e espetáculos ao vivo.
Qualquer mudança dependerá do andamento do processo, de uma decisão judicial ou de um eventual acordo entre as partes.
O tamanho de Guerreiras do K-Pop ajuda a explicar a preocupação
O caso envolve uma franquia muito maior hoje do que quando o filme estreou. A própria Netflix afirma que KPop Demon Hunters já ultrapassou 500 milhões de visualizações e se tornou seu filme mais popular.
A animação acompanha Rumi, Mira e Zoey, integrantes do grupo fictício HUNTR/X, que conciliam a carreira de estrelas do K-pop com uma missão secreta de combater demônios.
O sucesso ultrapassou o streaming. A trilha sonora liderou paradas, o HUNTR/X chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100 e o longa venceu dois Oscars em 2026: Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original, por “Golden”.
A Netflix também já confirmou uma continuação dirigida novamente por Maggie Kang e Chris Appelhans, ampliando ainda mais o valor comercial do nome que agora está no centro da disputa.
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