Um nome conhecido por parte da comunidade brasileira de games entrou em uma investigação sobre uma das maiores farsas recentes do fotojornalismo. Bruna Grieco de Pieri foi apontada pelo programa Doc Investigação, da Record, como a possível pessoa por trás de Eduardo Martins, personagem fictício que se apresentava como fotógrafo de guerra ligado à ONU.
Depois da exibição da reportagem, usuários das redes sociais associaram a mulher abordada pelo programa a Bruna G, perfil conhecido na chamada bolha gamer por publicar opiniões sobre PlayStation, lançamentos e preços de jogos. A relação entre os dois assuntos fez o caso repercutir rapidamente entre jogadores.
Importante: a associação foi apresentada por uma reportagem jornalística e não representa uma condenação. Bruna Grieco negou conhecer Eduardo Martins e afirmou não ter participado da criação dos perfis falsos.
Quem é Bruna G na bolha gamer?
Bruna G utilizava o nome de usuário @brunagd3 para publicar sobre videogames, especialmente assuntos ligados ao PlayStation. Suas opiniões chegaram a aparecer em matérias sobre o aumento da PS Plus e o preço do Nintendo Switch 2 no Brasil. A própria conta brasileira do PlayStation também já havia interagido com o perfil.
A criadora também participava de conversas, transmissões e encontros relacionados a games. Registros de eventos e vídeos publicados por outros criadores identificavam o perfil como “Bruna G” e o relacionavam ao nome Bruna Grieco.
A polêmica começou quando pessoas que acompanhavam esse perfil reconheceram semelhanças com a mulher mostrada na reportagem do Doc Investigação. Publicações relacionando os dois nomes começaram a circular na comunidade gamer durante a manhã desta segunda-feira (3).
Quem era Eduardo Martins?
Eduardo Martins se apresentava nas redes sociais como um fotógrafo brasileiro que trabalhava em zonas de guerra. Ele afirmava ter sobrevivido a uma leucemia, atuar em projetos humanitários e colaborar com a agência da ONU para refugiados.

O personagem conquistou mais de 100 mil seguidores e teve fotografias divulgadas por veículos nacionais e internacionais. O problema é que Eduardo Martins não existia: as imagens de guerra haviam sido retiradas do trabalho de outros fotógrafos e modificadas para dificultar sua identificação.
O rosto utilizado nas redes também pertencia a outra pessoa. As fotografias pessoais foram retiradas do perfil de Max Hepworth-Povey, surfista britânico que vivia na Austrália e não sabia que sua imagem estava sendo usada para construir a identidade de um suposto brasileiro.
A farsa foi descoberta em 2017, após jornalistas e fotógrafos identificarem inconsistências nas histórias e nas imagens. Quando começou a ser questionado, o personagem apagou seus perfis e desapareceu sem revelar quem controlava as contas.

Como a reportagem chegou ao nome de Bruna Grieco?
De acordo com o Doc Investigação, uma das principais pistas foi um número de telefone utilizado por Eduardo Martins. A equipe afirma que o celular estava registrado no nome da mãe de Bruna Grieco.
A reportagem também ouviu mulheres que disseram ter mantido relacionamentos virtuais com outros personagens masculinos fictícios. Segundo esses relatos, perfis chamados Alex e Caíque apresentavam padrões de conversa e comportamento semelhantes aos de Eduardo Martins.
Uma das entrevistadas afirmou que voltou a receber mensagens de Eduardo anos depois e reconheceu características presentes nos perfis anteriores. Ela teria enviado uma mensagem diretamente a Bruna dizendo que sabia quem controlava a conta. Pouco tempo depois, o perfil de Eduardo Martins foi apagado. Essa sequência foi apresentada pelas vítimas e pela Record como um dos elementos que sustentam a associação.
A emissora também informou que analisou documentos, registros telefônicos e depoimentos coletados no Brasil e no exterior. No entanto, os elementos apresentados pertencem à investigação jornalística, e não a uma sentença ou conclusão judicial.
O que Bruna Grieco respondeu?
Bruna Grieco negou qualquer ligação com Eduardo Martins. Abordada pela equipe da Record, ela afirmou que não conhecia o personagem, que nunca participou da criação do perfil e que a reportagem estava enganada.
A mãe de Bruna também acompanhou a abordagem. As duas disseram que apresentariam uma resposta por meio de um advogado, mas a Record afirmou que não havia recebido uma nova manifestação até o fechamento da reportagem.
Houve prisão ou condenação?
Não. A própria reportagem informa que o caso não resultou em processo judicial. Entre os obstáculos citados estão o tempo transcorrido, a complexidade para enquadrar juridicamente as diferentes condutas e a dificuldade de reconstruir acontecimentos iniciados muitos anos antes.
Também não foi divulgada uma conclusão policial atribuindo formalmente a autoria dos perfis a Bruna Grieco. Até o momento, o que existe publicamente é uma investigação jornalística, acompanhada da negativa da pessoa citada.
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