Unidade de Elite GIGN é baseada em uma história real?

Força especial francesa existe desde 1974 e realiza operações antiterrorismo, mas personagens, atentados e conspiração da série são fictícios

Unidade de Elite GIGN é baseada em uma história real?
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Com treinamentos extremos, operações antiterroristas e agentes especializados no resgate de reféns, Unidade de Elite GIGN pode passar facilmente a impressão de que adapta uma história real. A série da Netflix, porém, mistura uma instituição verdadeira com uma trama criada para a televisão.

A GIGN existe, atua na França e participou de algumas das operações de segurança mais conhecidas da história recente do país. Já o comandante David, os integrantes de sua equipe, o ataque contra a unidade e a conspiração envolvendo explosivos foram criados para a produção.

Os materiais oficiais da Netflix apresentam Unidade de Elite GIGN como uma série de ação e suspense criada por Julien Leclercq e Sylvain Caron. A plataforma não afirma que a história seja inspirada em fatos reais ou baseada em uma operação específica.

A GIGN existe de verdade?

Sim. GIGN é a sigla para Groupe d’intervention de la Gendarmerie nationale, ou Grupo de Intervenção da Gendarmaria Nacional, em tradução livre.

A unidade foi criada oficialmente em 1974 para responder a crises que exigissem agentes, equipamentos e técnicas altamente especializados. A tomada de reféns durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, foi um dos acontecimentos que aceleraram a criação de grupos antiterroristas desse tipo na Europa.

Embora seja frequentemente descrita como parte da polícia francesa, a definição exige uma pequena diferença. A Gendarmerie nationale é uma força militar que também desempenha funções policiais. Seus integrantes são militares, e o GIGN responde diretamente à direção-geral da instituição.

Atualmente, a força reúne cerca de mil militares distribuídos entre a base central de Satory e 14 unidades regionais, localizadas na França continental e nos territórios ultramarinos.

Quais são as missões da GIGN real?

A série acerta ao apresentar a GIGN como uma unidade acionada apenas em situações de risco elevado. Entre suas principais atribuições estão:

  • combate ao terrorismo;
  • libertação de reféns;
  • resposta a crises extremas;
  • captura de criminosos perigosos;
  • proteção de autoridades e interesses estratégicos;
  • operações contra o crime organizado;
  • coleta de informações e vigilância especializada.

A estrutura real, entretanto, é mais complexa do que a mostrada na televisão. O GIGN possui setores diferentes para intervenção, proteção, observação, investigação e apoio técnico. Isso significa que nem todos os agentes realizam todas as tarefas, como às vezes acontece com os protagonistas da série.

A unidade também passou a trabalhar com mais frequência contra tráfico de armas, sequestros, extorsões e organizações criminosas. Nesses casos, normalmente atua em apoio às equipes responsáveis pelas investigações.

O treinamento extremo mostrado na série é real?

A seleção rigorosa é um dos elementos mais próximos da realidade em Unidade de Elite GIGN. Logo no começo da série, candidatos enfrentam testes físicos, psicológicos e situações criadas para avaliar como reagem sob pressão.

Esse conceito corresponde ao processo verdadeiro. Segundo a própria Gendarmerie, os candidatos passam por uma semana de testes, oito semanas de pré-estágio e aproximadamente um ano de formação antes de ingressarem no núcleo operacional do GIGN. Depois disso, ainda recebem treinamento complementar de acordo com o setor para o qual forem designados.

Os testes reais analisam resistência física, controle emocional, iniciativa, capacidade de decisão e trabalho coletivo. Entre as avaliações já divulgadas oficialmente estão atividades em altura, exercícios na água, percursos de orientação e missões simuladas realizadas sob cansaço e pressão.

A travessia de uma viga elevada, mostrada no início da série, também possui paralelo real. Um relato oficial da seleção menciona uma prova realizada em uma estrutura metálica a aproximadamente 25 metros de altura.

A cena específica da Netflix, incluindo a ordem dada ao candidato e o motivo de sua eliminação, é dramatizada. Mesmo assim, a intenção da prova é plausível: os avaliadores procuram agentes capazes de cumprir comandos sem perder a capacidade de analisar riscos e tomar decisões.

As operações com helicópteros são plausíveis?

Sim. O uso de helicópteros, cordas, rapel e inserções aéreas faz parte das capacidades associadas ao GIGN. Os documentos de recrutamento da instituição citam treinamento com técnicas aéreas, enquanto os relatos de seleção mencionam a necessidade de trabalhar em altura e descer de aeronaves durante determinadas missões.

Portanto, uma equipe da GIGN perseguir suspeitos ou se aproximar de uma área de risco com apoio aéreo é possível.

O que a série exagera é a combinação de vários acontecimentos ao mesmo tempo. A perseguição em alta velocidade, o risco para civis, a ameaça explosiva e a intervenção direta do comandante são colocados na mesma sequência para aumentar a tensão.

Agentes da GIGN desarmam bombas?

A GIGN possui especialistas técnicos preparados para lidar com ameaças explosivas, dispositivos acionados remotamente, entradas com explosivos e ambientes contaminados. A unidade conta com uma divisão técnica, equipamentos especiais, robôs, drones e profissionais responsáveis por neutralizar ou reduzir diferentes riscos.

Isso torna plausível a presença da GIGN em uma ocorrência envolvendo explosivos roubados ou uma ameaça terrorista.

Por outro lado, a ideia de que o principal comandante da operação também precisaria examinar e desarmar pessoalmente todos os dispositivos é uma simplificação. Em uma situação real, diferentes especialistas seriam mobilizados, e as tarefas seriam divididas de acordo com a formação de cada integrante.

A série concentra essas funções em poucos personagens para manter o protagonista no centro da ação.

O ataque contra a unidade aconteceu de verdade?

Não há indicação de que o ataque mostrado em Unidade de Elite GIGN reproduza um atentado real contra a organização.

A explosão que atinge integrantes da equipe, o grupo responsável pelo roubo do material militar e a conexão entre os criminosos e o passado de David pertencem à narrativa fictícia. O mesmo vale para Max, Jessica, Christophe e os demais personagens ligados ao comandante.

A Netflix descreve a trama apenas como a história de um oficial prestes a deixar as operações de campo que precisa liderar uma missão após um ataque sem precedentes contra sua unidade. A descrição não relaciona o episódio a nenhum caso documentado.

Existem casos reais parecidos com as missões da série?

Embora a história da Netflix seja inventada, a GIGN participou de operações reais tão complexas quanto as mostradas na produção.

Uma das mais famosas ocorreu em dezembro de 1994, quando quatro terroristas sequestraram o voo Air France 8969. Depois de horas de negociação, a GIGN invadiu o avião no aeroporto de Marignane. Os sequestradores foram neutralizados, e passageiros e tripulantes foram libertados.

Outra operação aconteceu em 1976, quando militantes sequestraram um ônibus escolar em Djibuti e levaram crianças até a região fronteiriça de Loyada. O governo francês enviou integrantes do GIGN para participar da libertação dos reféns.

A instituição também participou de missões na caverna de Ouvéa, da perseguição aos irmãos responsáveis pelo ataque ao jornal Charlie Hebdo e de evacuações de cidadãos franceses em zonas de conflito.

Onde assistir a Unidade de Elite GIGN?

Unidade de Elite GIGN está disponível exclusivamente na Netflix. A primeira temporada possui seis episódios e é protagonizada por Tomer Sisley, Guillaume Gouix e Tristan Zanchi.


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