Todos os soulslikes da FromSoftware rankeados do pior ao melhor
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Todos os soulslikes da FromSoftware rankeados do pior ao melhor

A FromSoftware se transformou em um dos estúdios mais respeitados da indústria dos games ao construir uma identidade própria dentro do RPG...

Lucien Gilbert Lucien Gilbert há 2 anos

Leitura crítica

A FromSoftware se transformou em um dos estúdios mais respeitados da indústria dos games ao construir uma identidade própria dentro do RPG...

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A FromSoftware se transformou em um dos estúdios mais respeitados da indústria dos games ao construir uma identidade própria dentro do RPG de ação. Embora a empresa japonesa tenha criado outras séries importantes, como Armored Core, foi com os chamados soulslikes que ela alcançou um patamar raro de prestígio entre crítica e público. Ao longo dos anos, a desenvolvedora conseguiu aperfeiçoar uma fórmula marcada por combates exigentes, chefes memoráveis, level design inteligente, progressão de personagem e mundos carregados de mistério.

O grande diferencial dos soulslikes da FromSoftware nunca esteve apenas na dificuldade. O estúdio também ajudou a popularizar uma forma específica de contar histórias, baseada em ambientação, descrições de itens, ruínas, diálogos curtos e interpretações feitas pela comunidade. Em vez de explicar tudo de maneira direta, os jogos convidam o jogador a montar o quebra-cabeça por conta própria. Esse modelo fortaleceu o fator replay e criou uma relação muito particular entre obra e público.

De Demon’s Souls a Elden Ring, a FromSoftware lançou jogos que definiram tendências e influenciaram boa parte do mercado. Vários estúdios tentaram reproduzir a fórmula, mas poucos conseguiram alcançar o mesmo impacto. Este ranking reflete a opinião do autor, considerando importância histórica, qualidade do combate, consistência do level design, variedade de chefes, ambientação, inovação e legado para a indústria.

Do pior ao melhor: todos os soulslikes da FromSoftware em ranking

Demon’s Souls (2009)

Demon’s Souls

Lançado originalmente em 2009, Demon’s Souls foi o jogo que estabeleceu a base do que mais tarde ficaria conhecido como fórmula soulslike. Em uma época em que grande parte dos jogos de ação apostava em acessibilidade maior e tutoriais extensos, a FromSoftware seguiu outra direção. O game colocou o jogador em Boletaria, um reino devastado, hostil e envolto em névoa, no qual cada avanço exigia observação, paciência e domínio das mecânicas.

Demon’s Souls apresentou conceitos que se tornariam essenciais nos jogos seguintes. Entre eles estão o sistema de almas como recurso para progressão, o risco constante de perder esse acúmulo ao morrer, a barra de estamina como peça central do combate e a sensação de vulnerabilidade diante de inimigos comuns e chefes. O título também trouxe uma estrutura peculiar, dividida em arquipedras, que separava o mundo em áreas próprias, algo diferente da integração espacial mais famosa em Dark Souls.

Outro ponto importante foi a maneira como Demon’s Souls tratou a atmosfera. O jogo fazia o jogador sentir que estava entrando em um território amaldiçoado, onde cada corredor escondia perigo real. Seu ritmo mais cadenciado e seu tom opressivo foram decisivos para marcar a identidade do estúdio. Mesmo ficando em último neste ranking, o game tem importância histórica gigantesca. Sem ele, dificilmente a FromSoftware teria chegado ao nível de influência que alcançou depois.

Dark Souls II (2014)

Dark Souls II
Imagem: Reprodução/From Software

Lançado em 2014, Dark Souls II é provavelmente o jogo mais controverso da linhagem principal da série. Para uma parte dos fãs, ele é o capítulo mais irregular. Para outra, trata-se de um título injustiçado, cheio de boas ideias e sistemas interessantes. O jogo leva o jogador ao reino de Drangleic, uma terra em ruínas marcada por decadência, maldição e ciclos de destruição. A ambientação mantém o espírito melancólico da franquia, mas assume uma identidade própria, com tom mais contemplativo e estrutura mais fragmentada.

Um dos méritos de Dark Souls II está na quantidade de possibilidades oferecidas ao jogador. O game expandiu bastante a variedade de builds, armas, magias, armaduras e estilos de combate. Também introduziu mecânicas que depois seriam bastante lembradas pela comunidade, como o power stance, que permitia empunhar duas armas de maneira mais estratégica. Em termos de conteúdo bruto, é um dos capítulos mais generosos da série.

Ao mesmo tempo, Dark Souls II costuma ser criticado por decisões de level design e pela colocação de inimigos em alguns trechos, além de uma sensação menos orgânica de conexão entre áreas quando comparado ao primeiro Dark Souls. Ainda assim, o jogo entregou momentos memoráveis, chefes marcantes e expansões muito respeitadas. A edição Scholar of the First Sin ajudou a consolidar essa visão, reunindo DLCs e ajustes importantes. Mesmo não sendo o mais amado, continua tendo lugar importante entre os soulslikes da FromSoftware.

Dark Souls III (2016)

Dark Souls 3
Imagem: Reprodução/From Software

Dark Souls III, lançado em 2016, teve a missão de encerrar a trilogia mais emblemática da FromSoftware. O resultado foi um jogo tecnicamente refinado, mais rápido, mais fluido e com um senso de espetáculo maior em várias batalhas. A ambientação continua girando em torno do enfraquecimento da First Flame, um dos conceitos centrais da mitologia da série, enquanto o jogador percorre terras em colapso, povoadas por cavaleiros, criaturas deformadas e ecos de um mundo à beira da extinção.

Em comparação com os títulos anteriores, Dark Souls III trouxe um combate mais responsivo e agressivo, bastante influenciado pelo ritmo de Bloodborne. Isso tornou as lutas mais dinâmicas e ajudou o jogo a funcionar muito bem tanto para veteranos quanto para novos jogadores. O elenco de chefes é um dos seus grandes pontos fortes, com confrontos que se destacam pelo peso dramático, trilhas sonoras marcantes e mecânicas memoráveis.

As expansões Ashes of Ariandel e The Ringed City ampliaram esse mérito. Principalmente The Ringed City, que, para muitos fãs, está entre os melhores conteúdos adicionais já produzidos pela desenvolvedora. Dark Souls III não reinventou a fórmula da mesma forma que outros jogos do estúdio, mas refinou com enorme competência tudo o que a série havia construído até ali. Por isso, aparece em posição alta, embora ainda atrás de títulos que tiveram papel mais decisivo na história da empresa.

Dark Souls (2011)

Dark Souls
Imagem: Reprodução/From Software

Lançado em 2011, Dark Souls é o jogo que realmente consolidou a reputação da FromSoftware em escala global. Se Demon’s Souls lançou as bases, Dark Souls foi a obra que apresentou essa filosofia a um público maior e transformou o estúdio em referência. Seu maior trunfo está em Lordran, um mundo interconectado que até hoje é citado como uma das maiores realizações de level design da história dos videogames.

A construção do mapa faz o jogador sentir que tudo pertence a um mesmo organismo em ruínas. Atalhos se conectam de forma surpreendente, áreas revelam relações inesperadas entre si e a sensação de descoberta é constante. Essa arquitetura inteligente tornou a exploração tão importante quanto o combate. Em Dark Souls, avançar não significa apenas derrotar inimigos, mas também compreender o espaço, encontrar caminhos seguros e aprender a ler o ambiente.

Além disso, o jogo elevou a narrativa ambiental a outro patamar. A jornada do Chosen Undead, a decadência dos deuses, a presença de Gwyn e a simbologia da chama criaram uma mitologia rica, ambígua e extremamente influente. Dark Souls também expandiu as interações online assíncronas, com mensagens de jogadores, invasões e cooperação, reforçando um senso de comunidade único. Por impacto, construção de mundo e legado, é um dos pilares absolutos dos soulslikes da FromSoftware.

Sekiro: Shadows Die Twice (2019)

Sekiro
Imagem: Reprodução/From Software

Lançado em 2019, Sekiro: Shadows Die Twice ocupa uma posição singular dentro da obra da FromSoftware porque, embora compartilhe o espírito desafiador dos soulslikes, altera de maneira profunda a forma de jogar. Aqui, o estúdio reduz drasticamente a dependência de builds e equipamentos para concentrar a experiência em uma ação mais precisa, intensa e técnica. O jogo se passa em uma versão ficcional do Japão feudal e acompanha um shinobi conhecido como Lobo, que tenta proteger seu jovem mestre em meio a guerras, traições e elementos sobrenaturais.

O sistema de combate é o grande coração de Sekiro. Em vez de priorizar esquiva e gestão de estamina da mesma forma que Dark Souls, o jogo coloca enorme peso na postura, na leitura do inimigo e no timing de bloqueios e contra-ataques. Cada duelo importante parece uma dança violenta em que o jogador precisa manter agressividade e precisão ao mesmo tempo. Isso faz com que a curva de aprendizado seja diferente da série Souls e também explica por que tanta gente considera Sekiro um dos jogos mais difíceis e mais satisfatórios da FromSoftware.

Outro mérito está no fato de o game assumir uma narrativa mais direta, sem abandonar o gosto do estúdio por mistério e simbolismo. A ambientação, inspirada no período Sengoku, traz castelos, templos, florestas e vilarejos arruinados, tudo com forte identidade visual. O reconhecimento crítico foi enorme, culminando no prêmio de Jogo do Ano no The Game Awards 2019. Sekiro não é apenas uma variação da fórmula. É uma prova de que a FromSoftware sabia evoluir sem se repetir.

Bloodborne (2015)

Bloodborne
Imagem: Reprodução/From Software

Lançado em 2015, Bloodborne é, para muitos jogadores, o ponto mais alto da FromSoftware em termos de atmosfera, identidade e estilo. Exclusivo do ecossistema PlayStation nos consoles, o jogo transporta o jogador para Yharnam, uma cidade marcada por arquitetura gótica, sangue, doença e horror crescente. O protagonista, um Caçador, chega ao local em busca de tratamento, mas acaba envolvido em uma espiral de monstros, seitas, rituais e revelações perturbadoras.

O grande diferencial de Bloodborne está na agressividade que ele exige. Enquanto Dark Souls permite uma abordagem mais defensiva, Bloodborne empurra o jogador para frente. O sistema de recuperação de vida ao contra-atacar logo após sofrer dano recompensa ousadia, e o uso das armas de fogo como ferramenta de interrupção e parry muda profundamente o ritmo das lutas. O resultado é uma sensação de combate mais feroz, tensa e visceral.

A ambientação também é um trunfo gigantesco. O jogo começa com forte influência gótica e, aos poucos, mergulha em terror cósmico, criando um dos universos mais marcantes já feitos pela empresa. A expansão The Old Hunters reforçou ainda mais esse status, trazendo áreas excelentes, chefes desafiadores e aprofundamento temático. Bloodborne virou objeto de culto não apenas por sua qualidade, mas porque parece condensar de maneira muito pura o talento criativo da FromSoftware.

Elden Ring (2022)

Elden Ring
Imagem: Reprodução/From Software

No topo do ranking está Elden Ring, lançado em 2022, o jogo que levou a fórmula da FromSoftware para sua escala mais ambiciosa. Ao transportar a estrutura soulslike para um mundo aberto, o estúdio conseguiu algo que parecia arriscado. Em vez de diluir sua identidade, ampliou as possibilidades de exploração sem abrir mão do combate exigente, da narrativa fragmentada e da sensação de descoberta que sempre definiram sua obra.

Nas Terras Intermédias, o jogador encontra regiões muito diferentes entre si, castelos gigantescos, masmorras opcionais, áreas subterrâneas, chefes secretos e uma quantidade enorme de possibilidades de progressão. A liberdade oferecida muda a relação do jogador com o desafio. Se uma área parece dura demais, é possível explorar outro caminho, fortalecer o personagem, testar armas e voltar depois. Isso faz com que Elden Ring seja, ao mesmo tempo, um dos jogos mais acessíveis da FromSoftware para novatos e um dos mais profundos para veteranos.

O título também se destaca pela quantidade de builds viáveis, pela variedade de chefes e pelo senso constante de escala épica. Cada região parece guardar alguma revelação importante, seja em termos de gameplay, seja em termos de lore. A jornada nas Terras Intermédias consolidou Elden Ring como o projeto mais ambicioso do estúdio e um dos jogos mais importantes de sua geração. Mais do que um sucesso comercial e crítico, o game mostrou que a fórmula criada pela FromSoftware ainda tinha muito espaço para crescer.

Critérios do ranking

Como se trata de um ranking opinativo, a ordem desta lista representa a visão do autor sobre os melhores soulslikes da FromSoftware. Para chegar a essa classificação, foram considerados fatores como impacto histórico, influência no gênero, qualidade do combate, variedade de chefes, construção de mundo, ambientação, consistência do level design e relevância de cada jogo na trajetória do estúdio.

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