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Ghost of Yotei chega amanhã aos consoles Playstation 5 com mais uma promessa de um retumbante exclusivo de mundo-abeto baseado na experiência narrativa cinematográfica.
Pelo que vimos até aqui, a sequência de Ghost of Tsushima, é um notável guardião do gênero cinematográfico Samurai Western (ou Faroeste de Samurai), do qual Akira Kursowa é o principal (mas não o único) autor representante.
Aliás, a Sucher Punch, mais uma vez, homenageia o diretor japonês com um filtro cinematográfico para experienciar o jogo (como já aconteceu no primeiro game) e adiciona outros dois autores cinematográficos do país nesse sistema.
São eles, Takashi Miike e Shinichirō Watanabe – e o formidável aqui é que Ghost of Yotei consegue, com esses três nomes (não se esqueça de Akira Kurosawa), abranger três gerações dos mestres da linguagem audiovisual que moldou o cinema japonês e também influenciou diretores pelo mundo todo.
Como um cinéfilo apaixonado por games, ou como um gamer apaixonado por filmes, é óbvio que indicaria algumas obras desses autores, ainda mais no iminente lançamento de Yotei.
Ghost of Yotei e os filtros cinematográficos
Akira Kurosawa, o arquiteto do cinema épico e do “samurai-western”
Akira Kurosawa (1910–1998) é muitas vezes citado como o principal exportador da estética do cinema japonês: narrativas extensas (ah, Kojima!), personagens arquetípicos (ah, Kojima!), e um senso do épico que mistura tradições japonesas com ferramentas narrativas do cinema clássico ocidental.
Sua obra é referência obrigatória e tem ressonância até no cinema norte-americano, como os clássicos de guerra (com tomadas em plano aberto dos campos de batalha), composição e ritmo dramático, com movimentos de câmera que recortam e retratam o tempo narrativo como espaço.
Suas boras essenciais são Os 7 Samurais (Seven Samurai, 1954), Rashomon (1950), Yojimbo – O guarda-costas (1961) e Ran (1985). Sonhos (Dreams, 1990), teve papel decisivo no conceito de arte do primeiro e segundo jogos, com seus campos coloridos e estações do ano representados tão belamente.
Takashi Miike, o camaleão extremo do cinema contemporâneo
Takashi Miike (1960 – ) construiu uma filmografia prolífica e volátil. Sua produção abrange filmes produzidos para VHS às grandes produções, transitando por horror psicológico, crime e períodos históricos.
Miike é conhecido por um ecletismo que mistura violência estilizada, o grotesco e humor negro. Ora provocando choque, como O teste decisivo (Audition, 1999); ora dirigindo samurai modernos com pulso épico, como em13 assassinos (13 Assassins, 2012). Entre suas obras mais citadas estão Audition (1999), O assassino de Ichi (Ichi the Killer, 2001) e 13 Assassinos (2012).
Shinichirō Watanabe, o curador musical do anime moderno
Shinichirō Watanabe (1965-) tornou-se famoso por combinar gêneros com curadoria musical e estilos visuais que evocam cinema e televisão ocidentais. Seus trabalhos misturam film noir, western, sci-fi e outros. Combinam também elementos musicais como hip-hop, jazz e folk japonês.
Suas séries são conhecidas por terem identidade sonora e estética próprias: Cowboy Bebop (1998) (space-western/film-noir), Samurai Champloo (2004) (samurai + hip-hop) e Space Dandy (sci-fi anárquico).
Ghost of Yotei e a jornada da vingança
Ghost of Yōtei se passa no ano de 1603, no norte do Japão, em torno do Monte Yōtei, na antiga região de Ezo (atual Hokkaidō). Mais de 300 anos após os eventos de Ghost of Tsushima, o jogo apresenta uma narrativa independente. A nova protagonista, Atsu, é uma mercenária atormentada pelo passado.
Em seu caminho, Atsu adota a persona do “Fantasma” (Ghost), empunha lâminas, explora ambientes com beleza natural e enfrentamentos sutis ou brutais. A ambientação visual e sonora reforça o tom dramático e melancólico da sua missão.
O lançamento oficial de Ghost of Yōtei para PlayStation 5 está marcado para amanhã, 2 de outubro de 2025.
