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Crítica – The Last of Us S2E3 – O Caminho

Em um episódio carregado de drama e luto, mas também cheio de novidades para o universo, The Last of Us apresenta um terceiro capítulo da...

Matheus Cabral Matheus Cabral há 12 meses
Nota N/A

Leitura crítica

Em um episódio carregado de drama e luto, mas também cheio de novidades para o universo, The Last of Us apresenta um terceiro capítulo da...

Em um episódio carregado de drama e luto, mas também cheio de novidades para o universo, The Last of Us apresenta um terceiro capítulo da segunda temporada calmo e tranquilo. Depois da tempestade que passou de forma abrupta na semana passada, os personagens retornam para sentir o que aconteceu, respirar e, então, prosseguir para o que veremos ser o início de uma nova jornada.

Fica claro aqui que, cada vez mais, está difícil dizer com exatidão o que vai acontecer na jornada de Ellie (Bella Ramsey), visto que, mesmo para nós que já jogamos o game, não está sendo possível traçar, certamente, quais os passos que serão dados no futuro. Neil Druckmann reafirma, então, que a série não serve apenas para expandir, mas, sim, revisar o que talvez não tivesse sentido para a narrativa do jogo, aumentando o escopo e fazendo mudanças substanciais para a trama.

Reiterando, mais uma vez, que este texto não possui spoilers do game para além da série.

O Caminho: inicia uma nova jornada de vingança

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A tristeza tomou conta por metade deste episódio. (HBO/Reprodução)

Uma coisa que já é possível elogiar durante esse episódio: a série não se apegou demais no drama do luto por Joel (Pedro Pascal). Ele era, sim, um personagem muito querido e, obviamente, era necessário que os habitantes de Jackson sentissem esse momento, mas a série resolveu isso de forma tranquila. Bastou meio episódio para apresentar o sentimento de perda, que vai, sim, reverberar durante toda a história, mas de forma diferente.

A inclusão da personagem Gail (Catherine O’Hara) como a terapeuta se faz importante aqui, mais uma vez. É necessário demonstrar, por uma conversa com ela, como Ellie e Joel estavam naquele momento antes do acontecimento fatal. Ela mente para Gail quando diz estar bem com tudo o que aconteceu, quando, na realidade, sua mente está pesando uma tonelada com tudo isso.

Não foi possível se despedir de Joel, visto que o orgulho de Ellie não foi jogado no lixo para que uma conversa tivesse acontecido. Ela sente pela falta deste diálogo que não teve, pela forma como seu pai e amigo foi embora e também por não ter conseguido fazer nada. O sentimento de vingança está lá, o ódio atravessa os pensamentos da personagem e ressoa com tudo. Ela só não pode demonstrar isso para todos porque, talvez, seria vista como um animal raivoso. Estamos falando de uma comunidade pacífica no meio do Wyoming que foi atacada por pessoas de fora, mas que, de algum jeito, não querem dar o troco.

Passaram-se três meses desde a morte de Joel e da invasão à comunidade. Jackson resistiu e tenta se reconstruir após toda a destruição causada pelos infectados. Vimos coisas que não estavam presentes no jogo: um hospital lotado de feridos e a democracia que ainda resiste em meio ao fim do mundo. Ellie ficou esse tempo todo presa no departamento médico da comunidade, não foi ao enterro de Joel e nunca pôde ir visitar seu túmulo. Isso é demonstrado na caminhada lenta e triste que ela faz dentro da casa do pai, observando cada detalhe e se apossando do revólver que era tão utilizado por ele.

A decisão de ir atrás dos assassinos de Joel paira na mente de Ellie o tempo todo. Dina sabe detalhes do grupo que executou o plano mortal naquele dia; afinal de contas, ela estava lá. Nomes, escudo, localização, tudo é dito para Ellie três meses após o ocorrido. Sua sede de vingança não diminuiu, e é Dina quem coloca mais gasolina nessa fogueira.

Ao saber disso, vemos uma diferença considerável em relação ao jogo. Ellie vai, sim, falar com Tommy (Gabriel Luna) na obra da Naughty Dog, mas ele não apoia a ida da garota para Seattle. E a grande diferença aqui é que ele parte primeiro e sozinho para buscar vingar o irmão, sem Ellie saber de sua empreitada.

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O Conselho de Jackson discute se devem ou não ir atrás dos assassinos de Joel. (HBO/Reprodução)

Aqui, os produtores decidiram optar por que uma reunião do conselho de Jackson fosse realizada. A democracia, mais uma vez, entra em ação no fim dos tempos. É um recurso interessante que demonstra um pouco mais como as coisas funcionam em Jackson. Nesse sentido que falo que a série não precisa adaptar um para um do que foi o jogo; mudanças são bem-vindas, desde que bem feitas.

Ellie preparou um discurso mentiroso para ser lido durante a reunião. Sua vontade era, sim, de mandar tudo aquilo para aquele lugar e seguir sua jornada atrás de Abby (Kaitlyn Dever). Até porque sua decisão já havia sido tomada, mesmo com o Conselho votando negativo. Não importava o que decidissem, sua mente e vontade já estavam formadas; ela iria, sim, atrás daqueles que a fizeram mal.

Ao estar “preparada” para seguir viagem, a voz da razão bate em sua porta: Dina (Isabela Merced). Ela amava Joel também, e talvez ter estado junto com ele em sua morte a tenha feito nutrir um senso de justiça. Por isso, ela está pronta para seguir Ellie para a costa oeste, traçando um plano com mapa e mantimentos necessários para a viagem.

Aqui, temos que falar, mais uma vez, da presença brilhante da Isabela Merced como Dina. Eu confesso que já nem lembro mais como era a personagem no jogo, já que a imagem de Isabela já roubou totalmente a ideia que eu tinha dela. É pensar em Dina e lembrar da atuação dela.

Claro que, em parte, isso funciona pelo excelente entrosamento que ela tem com Bella Ramsey. Os momentos de dinâmica das duas funcionam muito bem, realçando que teremos uma ótima dupla para seguir durante toda essa segunda temporada. A amizade e o amor entre Ellie e Dina são reais também na série, e fico ansioso para ver mais de ambas nos próximos episódios.

Mas, para expandir um pouco mais, já somos apresentados a outro grupo de sobreviventes: os Serafitas. The Last of Us Part II consegue explorar bem o universo construído para o jogo, e eu acredito que a série vai se beneficiar muito com o contexto dessas outras pessoas que aparecem durante o game. Tem muita coisa para se explorar e apresentar sobre essas outras organizações.

Os Serafitas são um grupo que aparenta ser religioso, com dogmas e doutrinas bem específicas, e que deve ganhar mais espaço nos próximos episódios. The Last of Us já vai apresentando mais faces de um conflito que vamos conhecer melhor no futuro. Eles são um grupo de pessoas bem icônicas que se comunicam com assobios pelos arredores de Seattle, trazendo um frio na espinha quando os escutamos durante o game. Quem jogou sabe o quão intimidador é saber da presença dessas pessoas pelos locais destruídos da cidade.

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Os Serafitas. (HBO/Reprodução)

Me empolga saber que Neil Druckmann e Craig Mazin podem expandir ainda mais a relação da WLF com os Serafitas, trazendo ainda mais contexto para os dois grupos. Falando na WLF, vemos um pouco mais deles aqui. Os militares caminham e patrulham as ruas devastadas de Seattle com tanques de guerra e aparatos bélicos poderosos. Não será um trabalho muito fácil para Ellie e Dina se infiltrarem por aí.

Retornando à história, a série de The Last of Us fez mudanças extremamente consideráveis para o enredo. A ausência de Tommy, ao menos por enquanto, de não ir atrás do grupo de Abby é um pouco estranha. Mas a partida de Ellie e Dina rumo a Seattle está nos conformes. A cena na barraca ecoa com um momento que achávamos que não iria mais acontecer na série, demonstrando que a adaptação ainda não esqueceu de alguns pontos do roteiro. Podemos ainda ter coisas que achávamos que não aconteceriam mais, porém de formas bem diferentes.

Não sabemos ainda para onde exatamente tudo isso vai dar, só sabemos que, até agora, a série se mantém em um ótimo nível e ritmo. The Last of Us Part II só vai expandindo cada vez mais ao seguir o rumo da narrativa, e o mesmo está acontecendo com a série a cada episódio que passa. Como sabemos que a história não se encerrará nesta temporada, fica a curiosidade de saber se teremos mais expansões consideráveis.

Ao chegarem em Seattle, Dina e Ellie encontram vestígios de um conflito que toma a região. Os Serafitas que tínhamos visto antes foram dizimados por algo com um poder bélico enorme, e, ao vermos a WLF em movimento com tanques de guerra e armas, já sabemos pra onde isso vai dar. As duas estão se metendo em algo maior do que poderiam esperar.

No fim, o terceiro episódio da segunda temporada de The Last of Us serviu para pavimentar o caminho que Ellie vai seguir. Com um ótimo ritmo, diálogos bem escritos e expansões bem posicionadas, a série mantém a atenção e a curiosidade para os próximos episódios. Faltam quatro domingos para vermos a finalização da temporada e a ansiedade permanece a mesma.

The Last of Us está em exibição pela HBO todos os domingos às 22h. A série também fica disponível no mesmo horário no Max.

Leia mais:

The Last of Us: T2 Ep 4 – Horário e como assistir

The Last of Us: Dina é uma traidora na série?

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