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Crítica – Arcane Temporada 2: Funcionou de novo

A segunda temporada de Arcane foi finalizada, trazendo como consequência também o fim da série. Após 3 atos que trouxeram nove episódios, a...

Nota N/A

Leitura crítica

A segunda temporada de Arcane foi finalizada, trazendo como consequência também o fim da série. Após 3 atos que trouxeram nove episódios, a...

A segunda temporada de Arcane foi finalizada, trazendo como consequência também o fim da série. Após 3 atos que trouxeram nove episódios, a história de Vi e Jinx chegou a um final estonteante e que provou mais uma vez que o sucesso da primeira temporada não foi mera “sorte”.

Quer dizer, uma temporada inteira de também 9 episódios já era prova o suficiente que a narrativa apresentada em Arcane era de qualidade altíssima. Principalmente pela série ser uma adaptação da lore do popular jogo MOBA, League of Legends, que possui uma infinidade de jogadores pelo mundo todo e é um sucesso absoluto aqui no Brasil.

A ideia de que adaptações de jogos para o outras mídias áudiovisuais não funcionava já está ultrapassada. É só olhar as grandes últimas séries e filmes que foram lançadas baseada em games de sucesso, todas muito bem produzidas. E Arcane faz parte disso por ter elevado ainda mais a barra de qualidade que uma adaptação precisava.

O que a Riot, juntamente com o estúdio de animação francês Fortiche, fez com a apresentação de Arcane é de se aplaudir. Quando uma adaptação de jogo é lançada, obviamente o público mirado são os fãs daquele universo, mas não somente eles. É óbvio que a ideia também era ampliar o sucesso que a IP já tinha com o jogo online para uma outra audiência, e isso foi facilmente alcançado com a primeira temporada.

Foi muito maneiro ver pessoas que eu nunca imaginei falarem sobre League of Legends comentarem indiretamente sobre os personagens que integravam minhas partidas em Summoner’s Rift. Foi nessa toada que eu percebi o quanto a lore de Runeterra podia entregar para o entretenimento, e por conta disso fui atrás de outras mídias que contavam um pouco mais desse mundo, mesmo já sendo um jogador assíduo do MOBA.

A mira da Riot foi tão alta que Arcane não foi somente um sucesso, mas também uma preocupação gigantesca para a empresa. Visto que, de acordo com a Variety, a série foi a animação mais cara já produzida até agora. O projeto custou cerca de US$ 250 milhões de dólares para ser feita, o que levaria a uma quantia de R$ 1,4 bilhões gastos. O estouro nos cofres da Riot não foi somente com a produção, mas também com o marketing que levou US$ 60 milhões de orçamento.

Quem estava antenado no lançamento da primeira temporada percebeu o quão gigante foi a divulgação em relação à Arcane. Tinham produtores de conteúdo falando sobre a série, eventos para imprensa e influenciadores, além de conteúdo distribuído nos principais jogos da empresa na época, demonstrando que era tudo ou nada para o sucesso. Foi um salto maior que as pernas para a Riot, o que talvez tenha levado a algumas coisas não muito bacanas para quem já estava inserido nos produtos da empresa.

Não há confirmação direta, mas vimos cortes de gastos muito grandes feitos pela Riot Games nos últimos meses e talvez eles tenham relação direta com o que foi feito para Arcane. Um dos afetados também tinha o objetivo de expandir a lore de League of Legends, e eu estou falando do projeto Riot Forge que cedia a IP para outros estúdios trabalharem em jogos menores baseados nos campeões. Isso sem falar em práticas abusivas que foram lançadas nos jogos online e a falta de carinho que Legends of Runeterra (o cardgame) sentiu nesse meio tempo.

Apesar de tudo isso, chegamos finalmente ao lançamento da segunda temporada de Arcane. E ela tinha um grande trabalho em mãos: tentar pelo menos manter o interesse e a qualidade que a primeira season instaurou. Não era algo fácil, mas após passar pelos 3 atos que foram lançados ao longo das últimas três semanas dá pra afirmar que eles conseguiram.

Por isso, vou falar um pouco sobre questões que fizeram Arcane ser uma adaptação de qualidade que conquistou não somente os fãs de LoL mas também aqueles que nunca encostaram no jogo. Tudo isso sem spoilers, claro.

O lado técnico de Arcane

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Um frame pode virar um wallpaper. (Riot Games/Netflix/Reprodução)

Um dos pontos mais elogiados da primeira temporada era seu aspecto técnico. Arcane é uma animação de qualidade altíssima e esta característica se mantém em alto nível na segunda parte da história. Arrisco a dizer que está até melhor do que foi visto antes.

A animação está extremamente bem produzida e consegue brincar bastante com a percepção da audiência. Eu sei que é injusto comparar com a franquia Aranhaverso que, pra mim, ainda é o pico da animação 3D mas a Fortiche conseguiu executar um trabalho muito próximo ao visto nas aventuras de Miles Morales.

O estúdio francês já tinha uma parceria com a Riot Games, pois foram eles que fizeram o primeiro clipe de apresentação da própria Jinx antes de ela chegar ao LoL. A gigantesca quantidade de dinheiro despejado na história de Piltover e Zaun faz jus á qualidade apresentada por essa segunda temporada.

Eles brincam muito com os tipos de animação e efeitos visuais, principalmente quando temos a Jinx na tela. Aqui ela está mais “desabrochada” do que na primeira temporada, abrindo espaço para que mais efeitos e cores sejam inseridas. Aquele papo de parar um frame de Arcane e transformá-lo em um wallpaper é mais do que real nesta segunda temporada.

Existem cenas belíssimas nestes nove episódios que evidenciam a qualidade que a Fortiche implementou na animação. Não dá pra negar que a direção artística acertou em cheio na apresentação do mundo e do universo de Runeterra. Os personagens utilizam roupas diferentes daquelas que conhecemos dos jogos e possuem expressão que os transformam em seres críveis com emoções, vontades e objetivos. Tudo isso são coisas que não são possíveis de serem feitas e vistas em um MOBA que possui visão isométrica com os personagens bem pequenos na tela e tudo isso enquanto uma série de combates é travada. 

O carisma de Arcane

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Os personagens são uma característica importante. (Riot Games/Netflix/Reprodução)

Mas nada de beleza gráfica valeria a pena se o roteiro não tivesse conseguido apresentar personagens tão carismáticos quanto os que são vistos nestes 18 episódios. Quem joga LoL sabe que muito foi adaptado da lore dos campeões, com alguns sendo completamente diferentes do que vemos no MOBA.

Todas as concessões feitas foram para melhor, transformando o que eram histórias sem graças e personagens vazios em algo de qualidade. Olhe para a lore do Jayce em LoL e vai entender o que estou falando. Não há nada igual entre as duas e todo trabalho feito para construir a personalidade dos campeões foi bem executado.

Claro, alguns deles já tinham seus carisma desde Summoner’s Rift como a própria Jinx, Ekko e Singed. Mas mesmo esses conseguiram crescer muito com os acontecimentos da história. Ver as interações entre Vi e Jinx para além dos diálogos pequenos que são apresentados no jogo faz os fãs ficarem mais empolgados pelo desenrolar da história das personagens.

Tudo cresceu em carisma, até a própria Zaun e Piltover que são personagens importantes para a história foram bem utilizadas na narrativa. As cidades gêmeas conseguiram ser locais icônicos, coisa que não dava pra sentir nem ser visto pelos outros produtos lançados que tinham relação com estes locais. E pensar que talvez esse nem seja um dos melhores pontos de Runeterra para se adaptar para uma série de TV. Resta saber como a Riot pode aproveitar para adentrar em outros plots e personagens que este universo massivo apresenta.

É empolgante ver a adaptação e transposição que os personagens tiveram do jogo para as telas da Netflix. Isso sem falar na alta qualidade de dublagem empregada pelos atores brasileiros que conseguiram dar ainda mais emoção para os diálogos e acontecimentos da história. Esse é um aspecto que a Riot sempre foi incrível para a comunidade, tratando muito bem os fãs brasileiros com a localização de seus produtos.

Se os heróis são carismáticos e possuem falhas, a mesma coisa são os vilões. Ambessa Medarda é uma vilã de alta categoria, visto que sua imponência e força contribui bem para os embates com os outros personagens. Pena que um ponto crucial de seu plot está alinhado com outra questão que não é tão bem apresentada aqui em Arcane, mas que pode ficar para outra série no futuro.

A narrativa de Arcane

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A narrativa da série eleva o nível da qualidade da produção. (Riot Games/Netflix/Reprodução)

Para completar, Arcane teve uma narrativa muito bem apresentada no meio de seus 18 episódios. O desenvolvimento de cada ponto da história não deixou muitas pontas soltas e dá pra entender o porque da escolha de parar aqui com o conto das Cidades Gêmeas. Tudo foi costurado da melhor forma possível ao meu ver.

Concessões foram feitas e nesta segunda temporada dá pra ver que algumas coisas acabaram sendo deixadas de lado. Heimerdinger foi um dos que sofreu um pouco com a falta de tela comparada a primeira temporada, mas é justificado pois talvez o personagem não tinha muito mesmo o que entregar para a história, podendo gerar momentos chatos e desinteressantes.

E é exatamente neste ponto que os roteiristas conseguiram trabalhar com qualidade: Arcane não possui barrigas. Sabe aquele momento chato que a história parece que não anda em ponto nenhum? Isto não existe nesta série, e por consequência disso algumas coisas não tiveram o desenvolvimento que muitos achariam que era necessário. A questão da Rosa Negra não foi tão bem apresentada como poderia ser, e pode ter deixado algumas pessoas confusas. É necessário no momento que você busque mais da lore desta organização no Google para talvez compreender melhor este ponto.

É comum encontrar dezenas de séries por aí com seus mais de 20 episódios que conseguem ser extremamente chatas no desenvolvimento da história e dos personagens. Levando às vezes para o mesmo ponto que a narrativa começou e nos fazendo questionar: pra que todo esse tempo depositado em algo que nem mudou o ambiente ou os personagens?

Sem falar que o núcleo escolhido para compor a narrativa foi perfeito. Zaun e Piltover possui mais personagens que não foram mostrados ou sequer citados em Arcane. Mas os principais estão aqui, e não era necessário uma expansão de elenco para a segunda temporada. Claro que fica aquele sentimento de potencial um pouco desperdiçado ao não ver algumas figurinhas carimbadas deste lado de Runeterra, mas é compreensível.

Fato é que as referências também não prejudicam em momento nenhum a narrativa. Todas são bem inseridas e se demonstram apenas como leves piscadelas para os fãs de LoL. Ver a Jinx contar a lenda da Janna para a Vi ao mesmo tempo que uma parede estampando-a está ao fundo da cena é muito maneiro e não atrapalha em nada o andamento dos acontecimentos. A narrativa não se perde em apresentar questões fracas ou se apoiar em fan service barato para conquistar aqueles que já estão investidos no universo de LoL.

Todo o desenvolvimento da segunda temporada também não é extremamente grandioso, mantendo os pés no chão. Aqui dá pra dar os parabéns para os roteiristas que souberam conter bem os acontecimentos e linhas da história para não inflar demais o que já tínhamos visto na primeira temporada.

No fim, Arcane é uma série sobre duas irmãs e duas cidades que entram em conflito por conta de decisões erradas feitas pelas suas figuras de poder. Mesmo que em seu final surja uma ameaça que parece ser maior do que os pontos apresentados até ali, o conflito final ainda foi bem construído no passar dos episódios.

Existem ainda personagens que não parecem ter sido bem desenvolvidos, ou coisas que podiam ser melhores apresentadas? Claro, nada é perfeito. Mas acho que o final tudo ficou bem resolvido e faz Arcane ser um marco para as adaptações de jogos.

Conclusão e o futuro

Eu realmente espero que esse não seja o último produto áudiovisual que a Riot coloque a mão, visto que ainda há muito para apresentar sobre Runeterra. Temos aqui um universo enorme com muitas possibilidades e personagens para serem adaptados. Se você não é fã de League of Legends e gostou muito do que viu em Arcane, saiba que existe uma infinidade de plots e locais icônicos que podem ser aproveitados.

Não vou negar que queria muito ver mais sobre Noxus (de onde a Ambessa vêm) ou das Ilhas das Sombras que consequentemente apresentariam Águas de Sentina para nós. Teríamos piratas, embarcações e fantasmas para nos entreter caso essa seja uma próxima localização a ser escolhida. Ou então podemos ir pra uma outra guerra que acontece em Ionia, onde a magia é ainda mais presente do que em Zaun e Piltover.

Existem muitas possibilidades e eu realmente espero que Arcane não seja o fim. No mais, fico feliz de ver LoL sendo tratado de outra forma pela própria Riot e acredito que ainda há um potencial enorme para futuras narrativas.

Para finalizar, Arcane consegue manter a alta qualidade da primeira temporada nessa segunda season. Com personagens carismáticos, cenas e diálogos marcantes e uma qualidade alta para a animação, a série sobre as Cidades Gêmeas de Runeterra eleva mais uma vez a barra para adaptações de games e oferece uma das melhores histórias já contadas para uma produção animada.

Arcane pode ser assistida na Netflix.

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